O candidato ao Senado Jorge Viana (PT) foi sabatinado pelo ac24horas na noite deste domingo (30), no Via Towers, em Rio Branco, e falou sobre o Código Florestal, produção rural e políticas ambientais. Durante a entrevista, o ex-governador defendeu a conciliação entre produção e preservação e afirmou que pretende atuar, caso seja eleito, para enfrentar o problema de propriedades rurais embargadas no Acre.
Jorge Viana foi questionado sobre sua decisão de investir no cultivo de café e sobre a possibilidade de priorizar atividades econômicas tradicionalmente ligadas à floresta.
O candidato explicou que o cultivo de café está relacionado a uma escolha pessoal e também às novas tecnologias desenvolvidas para a produção na região.“As pessoas falam de café, mas você sabia que não dava certo plantar café no Acre até oito, dez anos atrás? Plantava e era falência total. Por quê? Porque não tinha a tecnologia que agora foi desenvolvida pela Embrapa de Rondônia, com os clones, com o café clonal.”
Código Florestal
Viana destacou sua participação na elaboração do Código Florestal, instituído pela Lei Federal nº 12.651/2012, e afirmou que a legislação permite determinadas formas de utilização de áreas já desmatadas por meio de sistemas agroflorestais.“Eu fiz o Código Florestal, a Lei 12.651, em 2012. No Código Florestal eu falei o seguinte: área desmatada vale como reserva legal se você fizer sistemas agroflorestais. Plantar cacau, plantar café, plantar banana.”
Segundo o candidato, caso retorne ao Senado, pretende trabalhar para ampliar a aplicação desse mecanismo e discutir a situação das propriedades que possuem restrições ambientais.“Se eu voltar para o Senado, não só vou lutar para implementar, como vou trabalhar para tirar os embargos das propriedades rurais, que é o maior problema do Acre hoje: são as propriedades embargadas.”
Críticas à fiscalização ambiental
Durante a sabatina, Jorge Viana também criticou o que classificou como radicalismo na atuação de fiscais ambientais e afirmou ser contrário a ações que, segundo ele, resultem em agressões ou retirada de pessoas de suas propriedades.“Eu sou radicalmente contra o radicalismo de fiscais, de pessoas que entram nas propriedades das pessoas. No meu governo não houve invasão e nem houve agressão para ninguém, derrubar barraco, tomar terra de ninguém.”
O candidato afirmou ainda que sua propriedade rural possui uma área de floresta preservada e explicou que sua decisão de plantar café está relacionada a um projeto pessoal de produção.“Eu estou plantando o café por conta de um conceito de vida.”
Florestania e legado de governos petistas
Jorge Viana também foi questionado sobre as críticas ao conceito de “florestania”, adotado durante suas gestões no Governo do Acre. Adversários políticos têm associado o modelo às dificuldades econômicas enfrentadas pelo estado.
O candidato contestou essa avaliação e afirmou que, durante seu período à frente do governo, houve investimentos em infraestrutura, produção e geração de empregos.
“No tempo que eu governava, as pessoas não iam embora do Acre, elas vinham para o Acre.”
Viana citou obras realizadas durante seus oito anos de governo, incluindo trechos de rodovias, pontes e investimentos em infraestrutura.“Eu fiz 50 quilômetros de asfalto em dois anos. Eu asfaltei 60 quilômetros na Transacreana. Eu asfaltei a 317 da divisa do Amazonas até a Quatro Bocas. Eu abri a BR-364 definitivamente no meu período de oito anos no governo”, disse.
Segundo o ex-governador, o conceito de florestania estava relacionado à melhoria das condições de vida da população que vive em um estado marcado pela presença da floresta.
“O conceito que a gente falava de florestania era assim: melhorar a vida de quem vive num estado de floresta.”
Jorge Viana cita crescimento do PIB
O candidato também apresentou números que, segundo ele, demonstram o crescimento econômico registrado durante suas gestões.
“Eu peguei um PIB do Acre, produto interno bruto, de 1 bilhão e meio, e deixei com 6,7 bilhões de reais.”
Viana afirmou ainda que, ao final de seu governo, havia trabalhadores de outros estados chegando ao Acre para atuar em obras públicas.“Terminei o governo trazendo operários de Curitiba, de Brasília, de Goiânia, de Cuiabá, de Porto Velho, para terminar as obras que eu estava fazendo”, mencionou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

