Durante a sabatina do ac24horas, o candidato ao Senado Jorge Viana (PT) defendeu neste domingo, 30, a mudança da escala de trabalho 6×1 para o modelo 5×2 e afirmou que não pretende transformar seu mandato em palco para disputas relacionadas a pautas de costumes. Para o petista, a discussão sobre a jornada de trabalho deve considerar tanto os trabalhadores quanto os empresários.
Ao ser questionado sobre pautas de costumes, frequentemente utilizadas no debate eleitoral para atacar candidatos do PT, Viana afirmou que não pretende entrar nesse tipo de discussão e classificou a polarização ideológica como prejudicial à sociedade.
“Eu peço até desculpa a vocês, mas não há quem me ponha nessa discussão de pauta ideológica, porque eu acho isso um atraso de uma sociedade, querer saber onde é que está a diferença. Isso está dividindo as famílias na hora do almoço, no almoço de domingo”, pontuou.
Na sequência, Viana foi questionado especificamente sobre a proposta de acabar com a escala 6×1. Ele declarou apoio à mudança para uma jornada de cinco dias de trabalho por dois de descanso e afirmou que a alteração “chegou na hora”.
“Eu acho que chegou na hora. Nós temos que fazer isso e cuidar, obviamente, ajudar quem gera emprego, mas não tenho dúvida”, ponderou.
O candidato explicou que a proposta busca substituir o modelo em que o trabalhador atua seis dias e folga um pela escala 5×2. Segundo ele, a mudança permitiria ampliar o período de descanso e a convivência familiar.
“Você trabalha seis dias, folga um, para trabalhar cinco dias e folgar dois. É isso que se fala de 6 por 1, o apelido de 6 por 1, mas, no fundo, você está buscando 5 por 2, a mãe de família poder ficar dois dias em casa na semana”, ressaltou.
Viana reconheceu que a mudança terá impacto sobre as empresas, mas defendeu que o setor produtivo também precisa acompanhar as transformações nas relações de trabalho e na economia.
“Gente, o empresário tem que se adaptar ao mundo que a gente está vivendo. Tem uma automação. O empresário precisa de cuidado, mas, pelo amor de Deus, a relação de trabalho, os dois lados têm que ser levados em conta”, pontuou.
O petista também afirmou que a implementação gradual da proposta poderá permitir que o setor empresarial apresente suas demandas e que sejam criados mecanismos para reduzir os impactos sobre os empregadores.
“Vai ser implementado ao longo de 14 meses. O governo tem mecanismo de facilitar os empregadores. Tem que ter um certo equilíbrio”, ponderoui.
Para Viana, a discussão sobre a redução da jornada também está relacionada à saúde mental e à qualidade de vida dos trabalhadores. Ele criticou situações de excesso de trabalho e baixos salários e afirmou que esse cenário pode afetar as famílias. “Gente, a quantidade de gente com problema de saúde mental, explorada, ganhando mal e sendo no sacrifício, as famílias se desfazendo, isso que cria desarmonia”, afirmou.
Questionado se votaria a favor da proposta caso já estivesse no Senado, Viana respondeu que sim e afirmou acreditar que a matéria terá apoio suficiente para avançar.
“Eu acho que o Senado vai votar todo ele a favor. Você vai ver. Eu acho que chegou na hora. Nós temos que fazer isso e cuidar, obviamente, ajudar quem gera emprego, mas não tenho dúvida.”
Ao reforçar sua posição, o candidato afirmou que a mudança na jornada não deveria ser tratada como uma disputa ideológica e defendeu uma adaptação conjunta entre trabalhadores e empresários.
“Eu acho que isso vai ajudar a ter um ambiente melhor para as pessoas trabalharem e os patrões, as pessoas que empregam, que é muito importante, também vão se adequar, eu confio”, finalizou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

