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Jovem com paralisia cerebral se tornou em 2025 a primeira cadeirante formada pelo IFRS de Erechim e levou a própria experiência a um projeto de inclusão
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 25/08/2026 às 06:25
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Camilla Eduarda Bet, jovem com paralisia cerebral, concluiu Tecnologia em Marketing, marcou a história do Campus Erechim, participou de um projeto de inclusão e agora encara as barreiras do mercado de trabalho para pessoas com deficiência.
Na noite de 30 de agosto de 2025, Camilla Eduarda Bet chegou à colação de grau do curso de Tecnologia em Marketing como a primeira cadeirante formada pelo IFRS de Erechim. A cerimônia reuniu familiares, amigos, servidores e outros 12 tecnólogos que concluíram a graduação naquela noite.
O diploma encerrou um percurso iniciado em 2023 no Campus Erechim do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul. A conquista também abriu uma referência concreta de inclusão no ensino superior para outras pessoas com deficiência da região do Alto Uruguai.
A informação foi publicada pelo Jornal Boa Vista, veículo regional de notícias de Erechim. O percurso de Camilla reuniu recursos de acessibilidade durante o curso e participação direta na construção de ações inclusivas dentro e fora da instituição.
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A primeira cadeirante formada no campus
Camilla teve paralisia cerebral após falta de oxigênio no cérebro durante a gestação. No caso dela, a condição afetou a locomoção e parte dos movimentos finos, aqueles usados em tarefas que exigem maior precisão das mãos.
“Afetou meu ato de andar, por isso faço uso de cadeira de rodas”, explicou Camilla. Sua capacidade intelectual foi preservada. Por isso, ela frequentou a escola regular e precisou de adaptações para participar das atividades.
A entrada no curso de Tecnologia em Marketing ocorreu em 2023. Dois anos depois, a formatura deu ao Campus Erechim sua primeira egressa usuária de cadeira de rodas e mostrou a importância de eliminar barreiras físicas, pedagógicas e de atitude no ambiente acadêmico.
Da inclusão recebida à inclusão construída
Em 2024, Camilla foi escolhida como bolsista do projeto de extensão Estratégias inclusivas na comunidade erechinense. Um projeto de extensão leva o conhecimento da instituição para atividades ligadas às necessidades da comunidade.
A iniciativa discutiu a presença das pessoas com deficiência na sociedade e as dificuldades que ainda limitam o acesso delas a diferentes espaços. Camilla participou das atividades intelectuais e contribuiu com conhecimento acadêmico e experiências vividas.
“Sempre tive o desejo de trazer a informação sobre as mais variadas deficiências”, afirmou a tecnóloga. Para ela, divulgar informações corretas ajuda a diminuir a desinformação que sustenta a exclusão, inclusive dentro da educação formal.
Esse trabalho mudou o lugar ocupado por Camilla no debate. Ela deixou de aparecer apenas como estudante atendida por ações inclusivas e passou a atuar como autora de estratégias de inclusão, ajudando a instituição a compreender obstáculos que muitas vezes passam despercebidos por quem não os enfrenta.
O apoio que tornou a rotina possível
Durante a graduação, Camilla recebeu atendimento do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas, conhecido pela sigla NAPNE. O núcleo disponibilizou suporte pedagógico e um profissional de apoio escolar durante a permanência da estudante no curso.
No caso de Camilla, essa função foi exercida por sua mãe, Julcilene. A presença dela ajudou a viabilizar a rotina acadêmica e as necessidades de apoio, sem substituir a participação intelectual, as decisões e o trabalho desenvolvido pela própria estudante.
O Jornal Boa Vista, veículo regional de notícias de Erechim, registrou que o suporte institucional acompanhou toda a trajetória. A coordenadora do projeto e do NAPNE, Márcia Racoski, destacou a participação ativa de Camilla nas ações e em sua formação.
A experiência evidencia que acessibilidade não é privilégio nem favor. Ela reúne condições que permitem ao estudante entrar, permanecer, aprender e concluir o curso com autonomia, participação e respeito.
O desafio depois do diploma
Depois da graduação, Camilla passou a olhar para outra barreira: o mercado de trabalho para pessoas com deficiência. Ela reconheceu inseguranças ligadas a experiências anteriores e às dificuldades encontradas por quem procura uma oportunidade profissional.
O Jornal Boa Vista, veículo regional de notícias de Erechim, registrou que mais de 93% das admissões de pessoas com deficiência, entre janeiro e junho de 2025, ocorreram em empresas obrigadas a cumprir cotas mínimas de contratação.
A concentração das contratações nessas empresas ajuda a explicar as dúvidas manifestadas por Camilla após a formatura. O diploma representa uma conquista acadêmica, mas o acesso a oportunidades profissionais ainda depende da retirada de barreiras e da criação de ambientes de trabalho realmente inclusivos.
Um diploma que amplia a presença de pessoas com deficiência no ensino superior
Camilla concluiu a graduação com formação em Marketing e experiência prática em um projeto de extensão. Seu percurso mostra o resultado possível quando acessibilidade, apoio e participação fazem parte da vida acadêmica desde o ingresso até a formatura.
O marco alcançado no Campus Erechim não encerra o debate. Ele desloca a atenção para a próxima etapa, na qual o diploma precisa encontrar oportunidades reais de trabalho, reconhecimento profissional e ambientes preparados para incluir.
Você acredita que empresas e instituições de ensino estão preparadas para transformar inclusão em oportunidade concreta? Compartilhe esta história e deixe sua opinião nos comentários.
Fonte
Jornal Boa Vista
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

