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Jovem estudante de 17 anos fica 11 dias acordado em projeto escolar, sofre ilusões e lapsos de memória após quatro dias e chega ao nono dia com a fala tão fragmentada que não completava frases

Jovem estudante de 17 anos fica 11 dias acordado em projeto escolar, sofre ilusões e lapsos de memória após quatro dias e chega ao nono dia com a fala tão fragmentada que não completava frases

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Jovem estudante de 17 anos fica 11 dias acordado em projeto escolar, sofre ilusões e lapsos de memória após quatro dias e chega ao nono dia com a fala tão fragmentada que não completava frases

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 14/08/2026 às 14:06

Atualizado em 14/08/2026 às 14:07

Ciência e Tecnologia

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Imagem: Reprodução / Youtube

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Experimento iniciado como projeto escolar em 1963 levou Randy Gardner a permanecer cerca de 11 dias sem dormir, enquanto pesquisadores registraram lapsos de memória, ilusões, irritabilidade, fala fragmentada e oscilações de atenção durante a vigília

A privação de sono levou o jovem estudante americano Randy Gardner, então com 17 anos, a permanecer cerca de 264 horas acordado entre 28 de dezembro de 1963 e 8 de janeiro de 1964. Durante aproximadamente 11 dias, pesquisadores registraram mudanças progressivas na atenção, memória, percepção, linguagem e comportamento do jovem.

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Privação de sono do jovem começou como projeto para uma feira de ciências

A experiência nasceu de um projeto escolar realizado durante as férias de fim de ano. Segundo o relatório de G. Gulevich, William Dement e L. Johnson, Gardner pretendia alcançar 264 horas consecutivas sem dormir.

A meta ultrapassava as 260 horas que, segundo o documento, eram então conhecidas pelos participantes.

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Dois amigos acompanharam Gardner como observadores e também ajudaram o estudante a permanecer acordado durante a experiência.

A vigília começou em 28 de dezembro de 1963. Nos últimos dias, o acompanhamento ganhou maior participação médica e científica, com observações da Unidade de Pesquisa Neuropsiquiátrica Médica da Marinha dos Estados Unidos e de William Dement.

O Guinness World Records registra o período entre 28 de dezembro e 8 de janeiro. Apesar da popularidade do episódio, os documentos disponíveis não permitem apresentar as 264 horas como o recorde histórico absoluto de permanência acordado.

Imagem: Reprodução / Youtube

Mudanças ficaram mais claras depois de cerca de 90 horas

Os três primeiros dias não apresentaram mudanças comportamentais importantes no relatório psiquiátrico publicado após o experimento. O quadro começou a mudar de maneira mais evidente por volta das 90 horas sem dormir.

Gardner passou a demonstrar irritabilidade, dificuldade crescente para manter a atenção e ilusões. Entre o quarto e o quinto dias, também apareceram lapsos de memória e episódios descritos pelos pesquisadores como sonhos acordados.

Um resumo histórico preservado pelo Education Resources Information Center, o ERIC, detalha algumas dessas alterações.

Em um dos episódios, Gardner teria confundido uma placa com uma pessoa e apresentado mudanças na percepção visual.

Por volta do quarto dia, ele também imaginou ser um grande jogador de futebol americano. O documento não identifica qual atleta Gardner acreditava ser, por isso não há base nesses registros para atribuir um nome específico à fantasia.

As alterações não permaneceram iguais durante toda a experiência. Os observadores registraram oscilações, com períodos em que Gardner apresentava comportamento próximo do normal e outros marcados por falhas de atenção, memória e percepção.

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No nono dia, pensamento e fala ficaram fragmentados

A privação de sono também passou a atingir de forma evidente a capacidade do estudante de organizar pensamentos e sustentar frases.

No nono dia acordado, Gardner frequentemente não completava o que estava dizendo. O registro preservado pelo ERIC descreve pensamento fragmentado, breves devaneios, desconforto nos olhos e uma expressão menos responsiva.

O conjunto de observações indicava alterações simultâneas em funções cognitivas, percepção visual, memória e controle motor. O desempenho, entretanto, variava conforme o momento e a atividade realizada.

Essa instabilidade é uma parte importante do caso. Os registros não descrevem uma deterioração constante e uniforme durante todos os 11 dias, mas períodos de funcionamento melhor intercalados com dificuldades cada vez mais evidentes.

Relatórios não sustentam psicose contínua durante as 264 horas

Embora algumas versões populares tratem o episódio como uma sequência de alucinações severas, os documentos científicos apresentam um quadro mais específico.

O relatório arquivado pela National Technical Reports Library reconhece mudanças comportamentais relacionadas à falta prolongada de sono, mas conclui que uma chamada psicose da privação do sono não chegou a se desenvolver.

O estudo psiquiátrico também não registrou um sistema delirante persistente, delirium ou perda contínua de contato com a realidade.

Isso não elimina os episódios de ilusões visuais, sonhos acordados, irritabilidade, suspeita e a fantasia de ser um jogador de futebol americano. Os documentos diferem principalmente na classificação clínica atribuída a essas ocorrências.

O caso de Randy Gardner permanece marcado pelas cerca de 264 horas de vigília e pelos registros científicos feitos durante o período.

A documentação mostra alterações importantes em memória, atenção, linguagem e percepção, sem sustentar que o jovem tenha passado todo o experimento em estado psicótico.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do relatório de G. Gulevich, William Dement e L. Johnson, do Education Resources Information Center (ERIC), da National Technical Reports Library e do Guinness World Records, com dados, números e descrições preservados conforme o material consultado.

Fonte

https://olhardigital.com.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

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