Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Jovem foi aos Estados Unidos para tentar seguir carreira na música, começou a trazer óculos em uma mochila, vendeu os produtos em feiras alternativas e em 1997 abriu um pequeno estande em São Paulo, que virou a Chilli Beans, rede com mais de 1.200 pontos de venda em 20 países

Jovem foi aos Estados Unidos para tentar seguir carreira na música, começou a trazer óculos em uma mochila, vendeu os produtos em feiras alternativas e em 1997 abriu um pequeno estande em São Paulo, que virou a Chilli Beans, rede com mais de 1.200 pontos de venda em 20 países

10 min de leitura

Jovem foi aos Estados Unidos para tentar seguir carreira na música, começou a trazer óculos em uma mochila, vendeu os produtos em feiras alternativas e em 1997 abriu um pequeno estande em São Paulo, que virou a Chilli Beans, rede com mais de 1.200 pontos de venda em 20 países

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 06/08/2026 às 12:28

Atualizado em 06/08/2026 às 12:29

Economia

Canal

Assista o vídeo
Foto: Divulgação

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Caito Maia tentou construir uma carreira na música, trouxe óculos da Califórnia em sua bagagem e começou a vendê-los em feiras alternativas de São Paulo. O pequeno negócio iniciado em 1997 deu origem à Chilli Beans, uma das maiores redes de óculos e acessórios da América Latina.

Antes de construir uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro, Caito Maia tentou seguir uma carreira profissional na música. O jovem chegou a viajar aos Estados Unidos para estudar e viver mais de perto o ambiente musical, mas começou a enxergar uma oportunidade comercial em um produto que ainda era tratado de maneira muito tradicional no Brasil: os óculos de sol.

Ao retornar ao país, Caito passou a trazer modelos comprados na Califórnia e vendê-los para amigos e conhecidos. O que começou como uma maneira de complementar a renda transformou-se em uma operação de atacado, chegou às feiras alternativas de São Paulo e, em 1997, ganhou identidade própria. Nascia a Chilli Beans, empresa que posteriormente se tornaria uma das maiores redes especializadas em óculos e acessórios da América Latina.

Caito Maia queria seguir carreira na música

A ligação de Caito Maia com a música começou muito antes da criação da Chilli Beans. Filho de músico, ele cresceu próximo desse universo e decidiu tentar transformar a paixão em profissão. Durante a juventude, atuou como cantor, guitarrista e baterista em diferentes projetos musicais.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Assista o vídeo

Nos anos 1990, Caito integrou a banda de rock Las Ticas Tienen Fuego. O grupo chegou a ganhar espaço no cenário alternativo brasileiro e foi indicado, em 1996, a uma categoria do Video Music Brasil, premiação organizada pela MTV Brasil naquele período.

A experiência com palcos, públicos jovens, moda e comportamento teria influência direta na identidade que ele criaria posteriormente para a Chilli Beans. Em vez de construir uma ótica convencional, Caito aproximou a marca da música, da cultura urbana, das tendências e do entretenimento.

Viagem aos Estados Unidos revelou uma oportunidade

Caito Maia viajou aos Estados Unidos com o objetivo de estudar música e buscar novas oportunidades profissionais. Durante sua permanência no país, ele conheceu uma variedade de óculos com formatos, cores e estilos que ainda eram pouco encontrados no mercado brasileiro.

Os modelos comprados na Califórnia chamavam atenção porque eram usados como acessórios de moda, e não apenas como itens destinados à proteção dos olhos. Caito percebeu que aquele comportamento poderia encontrar espaço entre consumidores jovens no Brasil.

Ao retornar, ele passou a colocar os óculos na bagagem e oferecê-los a amigos. Segundo relatos do próprio empresário reproduzidos em entrevistas, a intenção inicial era vender os produtos para ajudar a pagar os custos das viagens, sem que ainda existisse um plano para construir uma grande empresa.

Óculos trazidos na bagagem começaram a vender rapidamente

Os primeiros produtos encontraram compradores com facilidade. Os modelos eram diferentes dos oferecidos pelas óticas tradicionais e combinavam com o ambiente frequentado por Caito: músicos, artistas, produtores, jovens ligados à moda e integrantes da cena cultural paulistana.

A procura mostrou que existia uma demanda por óculos mais acessíveis, variados e conectados às tendências. Caito começou então a ampliar o volume trazido do exterior e a transformar aquela atividade informal em uma operação comercial.

Assista o vídeo

Uma reportagem da Consumidor Moderno registra que o empreendedor começou trazendo cerca de 200 óculos dos Estados Unidos para revender no Brasil. A resposta dos compradores ajudou a confirmar que o produto poderia sustentar um negócio maior.

Primeira operação no atacado terminou em dificuldades

Antes de apostar diretamente na Chilli Beans, Caito Maia tentou trabalhar como importador e fornecedor para lojas multimarcas. A empresa chegou a atender aproximadamente 250 clientes no atacado, distribuindo os óculos para diferentes estabelecimentos.

O modelo, porém, enfrentou problemas de administração e fluxo de caixa. Dois clientes importantes deixaram de pagar compras realizadas, comprometendo o capital disponível e colocando a operação em uma situação financeira difícil.

O episódio levou Caito a perceber que depender exclusivamente do atacado reduzia seu controle sobre os produtos, a comunicação e a experiência oferecida ao consumidor. A partir daquele momento, ele começou a concentrar esforços na construção de uma marca própria.

Mercado Mundo Mix abriu espaço para a Chilli Beans

Em 1997, Caito Maia passou a comercializar seus produtos no Mercado Mundo Mix, feira itinerante que reunia moda alternativa, arte, música, comportamento e pequenos empreendedores. O evento circulava por grandes cidades e atraía principalmente um público jovem.

O ambiente era muito diferente das óticas tradicionais. Os consumidores podiam experimentar os modelos livremente, conversar com os vendedores e conhecer produtos que ainda não estavam presentes nos grandes centros comerciais.

Foi nesse cenário que a Chilli Beans começou a ganhar forma. O pequeno estande permitiu testar preços, acompanhar as preferências dos clientes e construir uma identidade visual própria, baseada em irreverência, diversidade e renovação constante.

Primeira loja nasceu na Galeria Ouro Fino

Depois da experiência nas feiras alternativas, Caito abriu a primeira loja da marca na Galeria Ouro Fino, localizada na Rua Augusta, em São Paulo. O centro comercial era frequentado por estilistas, artistas, músicos e consumidores interessados em novidades.

Foto: Divulgação

As fontes consultadas apresentam pequenas diferenças sobre o momento exato da inauguração. A Chilli Beans nasceu em 1997, enquanto algumas referências situam a abertura da loja da Galeria Ouro Fino entre 1997 e 1998. A operação marcou a passagem do estande temporário para um ponto comercial permanente.

O local ajudou a aproximar a empresa de um público interessado em moda e cultura urbana. A marca deixou de ser apenas uma fornecedora de óculos diferentes e começou a construir uma experiência de compra reconhecível.

Clientes podiam tocar e experimentar os produtos

Um dos diferenciais adotados pela Chilli Beans estava na forma de apresentar os óculos. Em muitas óticas tradicionais, os produtos ficavam protegidos em vitrines e precisavam ser entregues ao cliente por um atendente.

A empresa de Caito Maia colocou os modelos ao alcance das pessoas. Os consumidores podiam pegar, experimentar e comparar diferentes óculos livremente, reduzindo a formalidade do atendimento e tornando a compra mais próxima de uma experiência de moda.

Esse conceito de autosserviço ajudou a aumentar a interação com os produtos. Em vez de comprar apenas um item para uso prolongado, o cliente era incentivado a enxergar os óculos como acessórios que poderiam variar conforme a roupa, o momento e o estilo pessoal.

Quiosques permitiram acelerar a expansão nacional

A entrada nos shopping centers representava um desafio porque Caito não dispunha de capital suficiente para construir grandes lojas. A solução foi apostar em quiosques, formato que até então era usado principalmente por operações de alimentação e conveniência.

Em 2000, a Chilli Beans levou o modelo para um shopping e passou a explorar espaços menores, abertos e posicionados no fluxo dos consumidores. O formato reduzia o investimento necessário e mantinha os produtos totalmente visíveis.

Os quiosques tornaram-se uma das principais ferramentas de crescimento da rede. A estrutura compacta poderia ser instalada em diferentes centros comerciais, exigia uma equipe menor e reforçava a proposta de permitir que os clientes experimentassem os produtos sem barreiras.

Franquias transformaram a marca em uma rede nacional

Para acelerar a expansão, a Chilli Beans adotou o sistema de franquias. Empreendedores locais passaram a investir na abertura dos pontos, enquanto a empresa fornecia marca, produtos, treinamento, campanhas e padrões de operação.

O modelo permitiu que a rede alcançasse todas as capitais brasileiras e avançasse para cidades do interior. Em vez de financiar diretamente cada nova unidade, a empresa compartilhava a expansão com franqueados que conheciam os mercados locais.

Em 2025, a Chilli Beans possuía 235 franqueados no Brasil, segundo informações divulgadas em uma operação de crédito realizada com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A linha de R$ 30 milhões foi estruturada para apoiar o capital de giro e os investimentos desses empresários.

Marca passou a lançar novas coleções constantemente

Outra mudança importante promovida pela Chilli Beans foi a renovação frequente dos produtos. O setor óptico tradicional trabalhava com ciclos mais longos, enquanto a empresa passou a adotar uma lógica próxima à das marcas de moda.

Novos modelos, cores e coleções começaram a chegar aos pontos de venda de maneira contínua. A estratégia estimulava visitas recorrentes, porque o consumidor sabia que encontraria produtos diferentes mesmo após um intervalo relativamente curto.

A marca também passou a desenvolver coleções relacionadas à música, ao cinema, à arte e à cultura popular. Essas colaborações reforçaram a conexão com diferentes públicos e ajudaram a transformar os óculos em itens de identidade e expressão.

Relógios e óculos de grau ampliaram o negócio

A Chilli Beans começou concentrada em óculos de sol, mas gradualmente ampliou seu portfólio. Relógios, armações para óculos de grau, lentes e outros acessórios passaram a ocupar espaço nas lojas e nos quiosques.

A expansão para os óculos de grau abriu uma nova frente de crescimento. Diferentemente dos modelos solares, esse segmento atende consumidores que dependem diariamente do produto e exige integração com serviços ópticos e lentes de prescrição.

A empresa criou a Ótica Chilli Beans, uma rede voltada especificamente a esse mercado. Em 2025, o formato já possuía cerca de 200 unidades no Brasil e continuava no centro dos planos de expansão do grupo.

Internacionalização levou a marca para diferentes continentes

Depois de consolidar sua presença no Brasil, a Chilli Beans iniciou a expansão internacional. A rede chegou a mercados da América Latina, Europa, América do Norte, Oriente Médio e Ásia por meio de lojas, franquias e parceiros regionais.

O site internacional da empresa informa que a marca está presente em 20 países, com mais de mil pontos de venda. Outros levantamentos recentes do setor varejista apontam uma rede superior a 1.200 unidades, considerando os diferentes formatos comerciais desenvolvidos pelo grupo.

Entre os mercados citados pela empresa estão Portugal, Estados Unidos, Colômbia, Kuwait, Peru, México, Bolívia e Tailândia. A estratégia internacional utiliza parceiros que conhecem os hábitos de consumo, as regras comerciais e as particularidades de cada região.

Rede ultrapassou a marca de mil pontos de venda

O crescimento transformou a Chilli Beans em uma das maiores redes especializadas em óculos e acessórios da América Latina. Em 2025, diferentes fontes do setor registravam uma operação entre mais de mil e aproximadamente 1.400 pontos de venda, dependendo dos formatos e das marcas considerados.

Assista o vídeo

A diferença entre os números divulgados ocorre porque algumas contagens incluem apenas as unidades Chilli Beans tradicionais, enquanto outras incorporam óticas, quiosques, contêineres e demais operações ligadas ao grupo.

A dimensão alcançada é muito superior ao pequeno estande iniciado no Mercado Mundo Mix. O negócio que começou com óculos transportados na bagagem passou a movimentar uma cadeia formada por franqueados, vendedores, designers, fornecedores e parceiros internacionais.

Chilli Beans encerrou 2025 com faturamento bilionário

Além de ampliar sua presença física, a companhia alcançou uma escala financeira expressiva. A Chilli Beans encerrou 2025 com faturamento aproximado de R$ 1,2 bilhão, crescimento de cerca de 4% em relação ao período anterior.

Para 2026, a empresa manteve os planos de expansão, com a previsão de abrir aproximadamente 100 novas lojas no Brasil. O mercado externo também permaneceu como uma das principais frentes para o crescimento da companhia.

A estratégia internacional passou a priorizar operações rentáveis e parceiros capazes de desenvolver a marca regionalmente. Indonésia, Oriente Médio e Peru estavam entre os mercados destacados pela empresa devido ao desempenho das unidades.

Empresa construiu identidade ligada à música e à diversidade

Mesmo depois de alcançar grandes centros comerciais, a Chilli Beans preservou elementos relacionados às origens de Caito Maia. Música, comportamento, arte urbana e liberdade de expressão continuaram presentes nas campanhas e no desenho das lojas.

A empresa patrocinou festivais, criou coleções temáticas e associou sua imagem a artistas e movimentos culturais. O objetivo era vender não apenas a função do produto, mas também uma identidade reconhecida pelo consumidor.

Essa estratégia ajudou a marca brasileira a competir em um mercado ocupado por grupos internacionais. A Chilli Beans consolidou-se como uma empresa que apresenta os óculos como acessórios de moda acessíveis, colecionáveis e ligados ao estilo pessoal.

História mostra como uma oportunidade ganhou escala mundial

A trajetória de Caito Maia não começou com um grande investimento, uma fábrica própria ou um planejamento internacional. Ela nasceu da observação de um comportamento de consumo durante uma viagem e da decisão de testar aquele produto entre amigos.

As dificuldades enfrentadas no atacado ensinaram ao empresário a importância de controlar a identidade e o relacionamento com os clientes. O Mercado Mundo Mix ofereceu o ambiente para experimentar o conceito, e a Galeria Ouro Fino deu à marca o primeiro endereço permanente.

Quase três décadas depois, a Chilli Beans tornou-se uma rede internacional com presença em 20 países, mais de mil pontos comerciais e faturamento bilionário. A mochila com óculos trazidos da Califórnia deu origem a uma das histórias mais conhecidas do empreendedorismo e do franchising brasileiro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

Sair da versão mobile