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Jovem percebe que cabelo humano descartado em barbearias pode ser transformado em fertilizantes, cria empresa na Tanzânia e faz com que coleta dos fios se torne renda para mais de 350 pessoas
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 31/08/2026 às 13:19
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A Cut Off Recycle remunera barbearias, coletores e moradores pelos fios entregues, processa o resíduo para produzir insumos agrícolas e abriu uma unidade em Dar es Salaam para ampliar a rede iniciada em Arusha.
O cabelo é cortado, recolhido, levado a um ponto de coleta e processado até virar fertilizante líquido ou substrato para cultivo. Esse é o caminho criado pela Cut Off Recycle, empresa de fertilizantes que aproveita cabelo humano descartado na Tanzânia.
A ideia começou em 2017, quando David Dennis observou os fios espalhados na barbearia de sua escola. A apuração foi publicada em 17 de janeiro de 2026 pela Xinhua, agência de notícias responsável pela reportagem original do caso.
Dennis, então com 27 anos, transformou aquela pergunta em um negócio ao lado do colega Ojung’u Jackson. Até janeiro de 2026, mais de 350 pessoas já haviam recebido dinheiro pela coleta de cabelos somente na região de Arusha.
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O destino dos cabelos despertou a ideia ainda na escola
David Dennis quis descobrir para onde iam os cabelos deixados no chão após os cortes. Ele acompanhou o descarte e constatou que os fios eram queimados ao ar livre dentro da escola, produzindo fumaça e deixando de ser aproveitados.
A observação levou Dennis e seu colega de classe, Ojung’u Jackson, a pesquisar as propriedades do cabelo humano. Jackson permaneceu no projeto e se tornou cofundador da empresa de fertilizante criada pelos dois jovens.
Eles descobriram que o cabelo é formado principalmente por queratina, uma proteína rica em nitrogênio. Quando essa proteína passa por decomposição, libera aminoácidos, substâncias que também participam da nutrição das plantas.
A transformação depende de um método patenteado de processamento. Portanto, não equivale a espalhar cabelos diretamente no solo nem deve ser tratada como uma receita doméstica de fertilizante.
Da pesquisa escolar nasceu uma empresa de fertilizantes
Durante os primeiros experimentos, Dennis e Jackson desenvolveram três possíveis formas de aproveitamento dos fios. Depois de terminar o ensino médio, Dennis reservou um ano para estudar a quantidade de cabelo descartada e avaliar a oportunidade comercial.
Em 2020, a Cut Off Recycle Limited foi oficialmente fundada na região de Arusha. O negócio passou a atuar na coleta de cabelos e na produção de insumos agrícolas, nome dado aos materiais usados para apoiar o cultivo.
A empresa patenteou uma técnica que transforma os fios em fertilizantes líquidos feitos com aminoácidos. Também começou a produzir substrato de cultivo, material que serve de base para o desenvolvimento das plantas, usando cabelo e outros componentes orgânicos.
Dennis ainda percorreu mais de 600 quilômetros, de Arusha até Dar es Salaam, para cursar Ciências Ambientais e Gestão. Seu trabalho de conclusão estudou a decomposição do cabelo humano e recebeu uma avaliação de destaque.
Uma rede remunerada de coleta levou renda a mais de 350 pessoas
Encontrar cabelo descartado não significava conseguir material suficiente para manter a produção. Em algumas comunidades, os fios são queimados, enterrados ou levados para depósitos de lixo. Crenças relacionadas ao uso do cabelo também dificultavam a entrega.
Para conquistar a confiança dos fornecedores, a Cut Off Recycle criou um sistema de pagamento. Barbearias, coletores de resíduos e moradores passaram a receber pelos cabelos reunidos e entregues nos pontos mantidos pela empresa.
A Xinhua, agência de notícias responsável pela reportagem original do caso, trouxe o dado de que mais de 350 pessoas ganharam dinheiro por meio da iniciativa somente em Arusha.
Esse número não representa 350 empregados contratados pela empresa. Ele reúne pessoas remuneradas pela coleta e entrega dos fios, atividade que pode gerar renda sem estabelecer necessariamente um vínculo de trabalho com a Cut Off Recycle.
Nova unidade em Dar es Salaam pretende alcançar mais de 500 coletores
A Cut Off Recycle abriu uma nova unidade em Dar es Salaam, em parceria com a Watende Investment Company Limited, empresa local que trabalha com coleta e gestão de resíduos.
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Com o novo ponto, a empresa pretende criar oportunidades para mais de 500 coletores. Esse total representa uma meta de expansão e não uma quantidade de pessoas que já recebiam pagamentos quando a reportagem foi publicada.
A conexão internacional do negócio avançou em 2024, quando Dennis viajou duas vezes à China. Uma das viagens ocorreu por meio de um programa apoiado pelo Centro de Comércio Internacional, ligado às Nações Unidas, que selecionou 100 empresas africanas para uma iniciativa de comércio digital.
A Cut Off Recycle tornou se a primeira empresa da Tanzânia a vender insumos agrícolas na China. O negócio também passou a comprar no país materiais para embalagem e componentes usados no processamento por custos menores, além de manter contatos para troca de tecnologia.
O desafio de ampliar a produção exige máquinas próprias
A principal dificuldade da empresa de fertilizante está em aumentar a quantidade processada. Dennis e sua equipe trabalham com fabricantes, especialmente na China, para projetar máquinas adaptadas à separação, trituração e decomposição controlada dos cabelos.
Esses equipamentos são necessários porque os fios exigem tratamento próprio antes de virar fertilizante ou substrato. A escala industrial depende de controle técnico e estrutura, não apenas da disponibilidade do resíduo.
Dennis planeja instalar pontos de coleta em grandes cidades africanas e criar unidades locais de fabricação por meio de franquias. Essa rede ainda representa uma intenção de crescimento, não uma operação já concluída.
De resíduo queimado a material com valor comercial
A história começou com fios espalhados na barbearia de uma escola e avançou para uma empresa fundada por David Dennis e Ojung’u Jackson. O cabelo que antes era queimado passou a alimentar uma cadeia de coleta, processamento e produção de insumos agrícolas.
Além do aproveitamento do resíduo, o modelo distribuiu pagamentos a mais de 350 pessoas em Arusha e abriu espaço para uma nova rede em Dar es Salaam. A expansão, porém, depende de confiança, remuneração dos coletores e máquinas capazes de processar o material em maior quantidade.
Você imaginava que cabelos descartados poderiam virar fertilizante e gerar renda? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta história.
Fonte
Xinhua
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

