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Jovem que começou aos 9 anos passa mais de uma década ligada à coleta de lacres, vê projeto chegar a 122 toneladas e transforma lixo em 1.140 cadeiras de rodas para pessoas vulneráveis

Jovem que começou aos 9 anos passa mais de uma década ligada à coleta de lacres, vê projeto chegar a 122 toneladas e transforma lixo em 1.140 cadeiras de rodas para pessoas vulneráveis

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Jovem que começou aos 9 anos passa mais de uma década ligada à coleta de lacres, vê projeto chegar a 122 toneladas e transforma lixo em 1.140 cadeiras de rodas para pessoas vulneráveis

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 25/08/2026 às 14:35

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Começando com uma mobilização familiar em Belo Horizonte, quando Júlia Macedo tinha 9 anos, a iniciativa criada em 2013 alcançou 122 toneladas de lacres de alumínio recicladas e 1.140 cadeiras de rodas financiadas para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Divulgados pelo Lacre do Bem em entrevista publicada pelo Lupa do Bem em 4 de agosto de 2026, os números mostram como uma campanha inicialmente restrita ao convívio da família passou a envolver escolas, empresas, comércios, comunidades e voluntários.

Coleta de lacres começou quando Júlia tinha 9 anos

Antes de adquirir estrutura própria, o projeto nasceu do interesse de Júlia em continuar apoiando pessoas com mobilidade reduzida após uma experiência da família com uma instituição dedicada ao atendimento de crianças com paralisia cerebral em Belo Horizonte.

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Ao descobrir que a venda de lacres para reciclagem poderia gerar recursos destinados a uma cadeira de rodas, a família encontrou uma meta difícil: depois de meses de arrecadação, havia somente meia garrafa PET cheia do material.

Para ampliar o alcance da coleta, Júlia passou então a distribuir bilhetes aos colegas e produzir cartazes, estratégia simples que atraiu novos participantes e levou a mobilização para além do círculo familiar, envolvendo gradualmente outras pessoas da comunidade.

Como referência para dimensionar esse esforço, o próprio projeto informa que cerca de 140 garrafas PET de dois litros cheias de lacres correspondem ao volume necessário para financiar uma cadeira de rodas de uso geral por meio da reciclagem.

Como os lacres ajudam a financiar cadeiras de rodas

Depois de entregues aos pontos parceiros, os lacres percorrem uma cadeia que envolve recolhimento, separação e armazenamento até que o volume reunido ultrapasse uma tonelada, momento em que o alumínio pode seguir para comercialização junto à indústria de reciclagem.

Nesse processo, não ocorre uma troca direta de lacres por cadeiras, segundo explica o Lacre do Bem, porque o material é vendido e o dinheiro obtido retorna ao projeto como recurso utilizado para comprar os equipamentos destinados aos beneficiários.

Com a entrada de escolas, empresas, estabelecimentos comerciais e voluntários, a rede de arrecadação ganhou capilaridade e passou a transformar pequenas doações individuais em volumes capazes de sustentar novas vendas de alumínio e, consequentemente, novas aquisições de equipamentos.

Nas instituições de ensino, por sua vez, a participação também aproximou crianças e adolescentes de temas relacionados à reciclagem e à inclusão, enquanto empresas parceiras passaram a oferecer pontos de entrega para funcionários, clientes e moradores interessados em contribuir.

Lacre do Bem superou mil cadeiras doadas em 2024

Após anos de expansão, a marca de mil cadeiras de rodas doadas foi alcançada em 2024, e o total informado subiu para 1.140 unidades até agosto de 2026, período em que o volume acumulado de lacres reciclados chegou a 122 toneladas.

Entre os beneficiários estão pessoas com deficiência e idosos em vulnerabilidade social, além de indivíduos que perderam ou tiveram a mobilidade reduzida depois de AVC, amputações, acidentes de trânsito, complicações relacionadas ao diabetes, demências e outras condições mencionadas pela organização.

Um dos atendimentos relatados envolveu um homem amputado, no Espírito Santo, que precisava de uma cadeira adequada para participar do próprio casamento, situação em que parceiros foram mobilizados para garantir a entrega do equipamento antes da cerimônia.

À medida que a iniciativa cresceu, porém, também aumentaram as demandas de logística, já que as doações precisam ser recolhidas, transportadas, organizadas e armazenadas, enquanto as cadeiras adquiridas devem chegar posteriormente às pessoas contempladas em diferentes localidades.

Somadas às dificuldades operacionais, limitações financeiras e a quantidade reduzida de voluntários afetam essa rotina, pois os integrantes da equipe conciliam o trabalho da organização com outras responsabilidades e ainda precisam administrar deslocamentos para coleta e entrega dos equipamentos.

No próprio site, a associação também informa utilizar um veículo com capacidade limitada e problemas mecânicos recorrentes, condição que pode exigir múltiplas viagens para buscar lacres acumulados nos pontos parceiros e levar cadeiras de rodas aos beneficiários atendidos.

Paralelamente às doações de equipamentos de mobilidade, o Lacre do Bem informou manter parceria com o Mesa Brasil Sesc para atender semanalmente 120 famílias vulneráveis com sacolões solidários e, uma vez por mês, com a distribuição de cestas básicas.

Outras atividades passaram a integrar a atuação da organização ao longo do tempo, incluindo ações de arte, pintura, artesanato com materiais reciclados e costura social, além de palestras e oficinas voltadas à inclusão, responsabilidade social, meio ambiente e sustentabilidade.

Mesmo depois de deixar a infância, Júlia permaneceu ligada diretamente à iniciativa e aparece como presidente do Lacre do Bem em publicação institucional de 2024, acompanhando uma estrutura que começou com a meta de viabilizar apenas uma cadeira.

Ao longo de mais de uma década, aquela arrecadação inicial se transformou numa rede capaz de alcançar 122 mil quilos de alumínio reciclado, convertendo o valor obtido com a venda do material em recursos destinados à mobilidade de pessoas socialmente vulneráveis.

Partindo de contribuições individuais aparentemente pequenas, a campanha chegou a 1.140 cadeiras de rodas com participação de escolas, empresas, voluntários e comunidades; quantas outras iniciativas locais poderiam ampliar seu alcance caso encontrassem redes semelhantes de colaboração?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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