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Jovem sonhava em ser médica desde criança, passou anos estudando até 14 horas por dia e dizia que seu único lazer era dormir, até conquistar o 1º lugar em Medicina na Unifesp e na UFMG, passar também na Unesp, Unicamp e USP e abrir mão das primeiras colocações para escolher onde sempre quis estudar
Escrito por Ana Alice
Publicado em 12/08/2026 às 23:48
Atualizado em 12/08/2026 às 23:49
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Após anos de cursinho, mudanças na rotina e jornadas intensas de estudo, Karina Caciola acumulou aprovações em cinco universidades públicas e precisou decidir entre primeiros lugares e o sonho antigo de cursar Medicina na USP.
Em 2015, aos 20 anos, Karina Caciola chegou ao fim de uma sequência de vestibulares com um resultado incomum: primeiro lugar em Medicina na Unifesp e na UFMG, além de aprovações na USP, Unesp e Unicamp.
Mesmo tendo a possibilidade de iniciar o curso nas duas instituições em que liderou a classificação, a estudante decidiu seguir outro caminho.
Karina escolheu a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), instituição que descrevia como seu sonho e onde efetivamente iniciou a graduação naquele ano.
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A conquista foi resultado de dois anos de cursinho e de uma rotina que, na fase mais intensa, ocupava praticamente todo o dia.
Karina chegava ao cursinho por volta das 6h45 e permanecia no local até aproximadamente 21h30, conciliando aulas, exercícios, revisões e simulados.
Fins de semana também eram usados para estudar.
A rotina cobrou espaço de atividades que antes faziam parte de sua vida.
“Meu lazer era dormir”, resumiu a estudante ao recordar aquele período.
Primeiro lugar em Medicina veio depois de anos de tentativa
O resultado de 2015 pode transmitir a impressão de uma aprovação rápida, mas a trajetória foi construída ao longo de diferentes processos seletivos.
Karina queria cursar Medicina desde o fim do ensino fundamental.
Ainda assim, antes de alcançar as vagas que desejava em São Paulo, acumulou aprovações em outras áreas e universidades que decidiu não aproveitar.
Pelo Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, foi aprovada duas vezes em cursos de Engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Também conseguiu uma vaga em Medicina na Universidade Federal do Triângulo Mineiro e outra na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Nenhuma dessas alternativas, porém, encerrou sua preparação.
No caso da UFTM, a distância de São Paulo pesou na decisão.
Já a Santa Casa era uma instituição particular, e a mensalidade representava um custo elevado para a família.
Karina preferiu permanecer no cursinho e continuar tentando uma universidade pública na capital paulista.
A decisão envolvia o risco de abrir mão de uma vaga já conquistada sem garantia de que um resultado melhor viria no ano seguinte.
Ela continuou.
Família não tinha condições de bancar Medicina particular
Karina era filha única e vivia com os pais no Parque Novo Mundo, na Zona Norte de São Paulo.
O pai tinha formação técnica, mantinha uma pequena empresa de consultoria em informática e complementava a renda trabalhando como fotógrafo.
A mãe, Lourdes Caciola, havia trabalhado como bancária, mas deixou o emprego depois do nascimento da filha.
Nenhum dos dois havia concluído uma graduação universitária, segundo o relato publicado na época.
A família não era descrita como pobre, mas uma mensalidade de Medicina, que girava em torno de R$ 4 mil naquele período, pesaria consideravelmente no orçamento doméstico.
Por isso, Karina considerava uma universidade pública a alternativa mais segura para realizar o plano profissional sem impor uma despesa dessa dimensão aos pais.
O desejo de ser médica também parecia definido havia anos.
Ela contou que não sabia apontar exatamente quando a vontade surgiu, mas já carregava essa ideia desde o fim do ensino fundamental.
As aprovações em Engenharia na UFRJ, embora representassem oportunidades concretas, não chegaram a fazê-la reconsiderar o objetivo.
“Não me vejo fazendo nada diferente”, afirmou ao falar sobre Medicina.
Duas tentativas não foram suficientes para fazê-la desistir
Karina estudou até o 9º ano em uma pequena escola particular próxima de casa.
No ensino médio, passou para um colégio no Tatuapé com preparação voltada aos vestibulares.
Ao concluir o terceiro ano, fez o Enem e prestou diferentes processos seletivos para Medicina.
O desempenho foi bom, mas não trouxe naquele momento uma vaga em universidade pública paulista.
Ela então iniciou o primeiro ano de cursinho preparatório, onde estudava com bolsa.
Continuava morando com os pais e enfrentava diariamente o deslocamento entre a Zona Norte e a região onde estudava.
Mais um ciclo de vestibulares terminou sem a aprovação que buscava.
Karina poderia ter escolhido uma das alternativas que já estavam disponíveis, mas decidiu investir em mais um ano de preparação.
Foi nessa etapa que entrou em uma turma especializada para candidatos a Medicina no Poliedro, também com bolsa de estudos.
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Mudança para a casa da tia permitiu aumentar a rotina de estudos
A distância até o cursinho passou a ser um problema prático.
Com horas do dia perdidas no trânsito de São Paulo, a mãe sugeriu que Karina ficasse durante a semana na casa de uma tia, na Chácara Klabin, Zona Sul da capital.
A residência ficava a poucos metros do local das aulas.
A mudança reduziu o deslocamento, mas trouxe outro tipo de dificuldade.
Karina passou a permanecer longe dos pais durante boa parte da semana e praticamente transformou o prédio do cursinho em sua rotina diária.
Às segundas-feiras, chegava diretamente da casa dos pais levando uma mala com roupas limpas.
Ela a colocava sob a carteira e começava a estudar.
A jornada começava às 6h45 e só terminava por volta das 21h30.
Até as refeições eram reduzidas ao tempo necessário para que pudesse retornar aos livros.
Karina contou que costumava almoçar em aproximadamente 15 ou 20 minutos.
Depois, voltava às atividades.
Estudo avançava pelos sábados e domingos
A preparação não terminava quando chegava a sexta-feira.
Sábados e domingos também passaram a fazer parte do cronograma de estudos.
Durante o último ano de cursinho, atividades de lazer praticamente desapareceram.
Os encontros com amigos ficaram raros, e ela deixou temporariamente de lado hábitos como tocar piano e acompanhar as séries de televisão de que gostava.
Segundo seu relato, alguns amigos chegaram a parar de convidá-la para sair porque já esperavam uma resposta negativa.
A própria estudante apontava determinação e persistência como elementos importantes daquela preparação.
O volume de horas, entretanto, não era apresentado por ela como uma fórmula universal.
Meses depois das aprovações, Karina também chamou atenção para outro aspecto do vestibular: o controle emocional.
Em entrevista publicada em outubro de 2015 para o UOL, afirmou que o nervosismo poderia prejudicar o desempenho até mesmo em questões que o candidato saberia resolver em circunstâncias de menor pressão.
A estratégia que dizia ter adotado era concentrar-se nas metas daquele dia, em vez de passar o tempo imaginando o resultado final.
Unifesp tinha 125 candidatos por vaga em Medicina
A dimensão do resultado apareceu quando as classificações começaram a ser divulgadas.
Naquele processo seletivo, Medicina na Unifesp registrava 125 candidatos por vaga, segundo a reportagem publicada em janeiro de 2015.
Karina terminou em primeiro lugar.
Depois veio outra primeira colocação: Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
As opções não pararam por aí.
Ela também conseguiu vagas em Medicina na Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Cinco universidades públicas estavam, portanto, disponíveis no mesmo ciclo de ingresso.
Duas delas tinham Karina no topo da classificação.
Ainda assim, o primeiro lugar não decidiu sozinho qual instituição ela escolheria.
Karina chegou a se matricular na Unifesp antes de escolher a USP
A dúvida principal ficou entre Unifesp e USP.
Karina não queria deixar São Paulo e começou a conversar com estudantes e veteranos para tentar identificar diferenças que pudessem ajudá-la na decisão.
A escolha não ocorreu imediatamente.
Como o resultado da Unifesp saiu antes, ela chegou a realizar a matrícula na instituição.
Nesse intervalo, criou vínculo com a possibilidade de estudar ali e admitiu que abandonar a vaga não seria tão simples.
Quando a aprovação na USP se confirmou, porém, o desejo antigo falou mais alto.
“Mas a USP era meu sonho”, explicou.
Em 11 de fevereiro de 2015, Karina foi acompanhada dos pais para realizar a matrícula na Faculdade de Medicina da USP, na região de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.
Mesmo depois das aprovações, ainda havia ansiedade.
Ela contou que chegou ao local imaginando se poderia ter visto seu nome errado na lista ou se algum equívoco poderia ter ocorrido no processo.
Não havia.
Depois de anos tentando a vaga, ela era oficialmente aluna de Medicina da USP.
Aprovação mudou também a rotina da família
Enquanto Karina reagia às conquistas com relativa tranquilidade, a mãe demonstrava a euforia que a filha parecia conter.
Lourdes contou na época que relatava a aprovação às vizinhas até durante encontros no elevador do prédio.
Para os pais, havia também o alívio de ver a filha chegar a uma universidade pública depois de anos organizando praticamente toda a vida ao redor dos vestibulares.
Terminada a fase de provas, Karina planejava recuperar atividades que havia deixado de lado.
Queria reencontrar os amigos, voltar ao piano e assistir às séries que não conseguira acompanhar durante o ano anterior.
A pausa, no entanto, seria curta.
A graduação em Medicina começaria naquele mesmo semestre.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

