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Lavadeira lavou roupa para sete famílias ao mesmo tempo para sustentar o filho e o viu se formar em três faculdades, Filosofia, Jornalismo e Direito, e chegar perto de virar oficial da PM no Acre

Lavadeira lavou roupa para sete famílias ao mesmo tempo para sustentar o filho e o viu se formar em três faculdades, Filosofia, Jornalismo e Direito, e chegar perto de virar oficial da PM no Acre

6 min de leitura

Lavadeira lavou roupa para sete famílias ao mesmo tempo para sustentar o filho e o viu se formar em três faculdades, Filosofia, Jornalismo e Direito, e chegar perto de virar oficial da PM no Acre

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 04/08/2026 às 07:38

Curiosidades

Lavadeira criou o filho sozinha lavando roupa para sete famílias no Acre e o viu concluir três faculdades e chegar ao curso de formação de oficiais da PM.

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Maria do Socorro Mota tem 63 anos, estudou até a quinta série e criou dois filhos sozinha em Rio Branco depois que o marido vendeu a casa da família e partiu em 2005. O mais velho, Wellington, é aluno-oficial e conclui a formação no próprio estado.

O filho mais velho de Maria do Socorro Mota, Wellington Mota, de 34 anos, concluiu três cursos superiores e está prestes a se tornar oficial da Polícia Militar do Acre, conforme reportagem publicada pelo portal ContilNet Notícias. A mãe dele tem 63 anos, cursou até a quinta série e sustentou a família lavando e passando roupas em Rio Branco.

O período mais duro chegou a envolver sete clientes simultâneos. De segunda a sábado, ela dividia o tempo entre tanques e ferros de passar, deslocando se de casa em casa para manter os dois filhos. Um deles tinha 13 anos e o outro, 6, quando a família ficou sem moradia.

O ano em que a família perdeu a casa

A virada aconteceu em 2005. O marido vendeu a casa em que a família morava e partiu, sem retornar.

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Sem ter para onde ir, ela se mudou para um imóvel alugado em outro bairro de Rio Branco e passou a vender móveis e utensílios para sobreviver. Em pouco tempo, já não conseguia arcar com o aluguel.

A solução foi recorrer a um parente. Os três passaram a morar de favor na casa de uma tia, dividindo um quarto e uma cama de casal. O bairro para onde foram era um dos mais violentos da cidade naquele período, e o filho mais velho relata ter visto amigos sendo aliciados, morrendo ou desaparecendo.

A rotina de lavar para sete famílias

Socorro Mota chegou a lavar roupas para sete famílias ao mesmo tempo. Foto: Joabes Guedes/PMAC

O trabalho que sustentou a casa não tinha jornada definida nem folga durante a semana. A lavagem e a passagem de roupa para sete famílias ao mesmo tempo significava atender múltiplas residências no mesmo período, com deslocamento entre elas.

É um serviço que combina esforço físico contínuo com imprevisibilidade de renda, já que o pagamento depende do volume entregue e da permanência de cada cliente.

Um dos contratantes acompanhou a rotina de perto. O capitão da reserva remunerada da corporação Waldir Mendonça descreve a trabalhadora como honesta, dedicada e afetuosa, e afirma que ela não criou apenas filhos, mas formou homens de caráter. Ele avalia que ela nunca mediu esforços no apoio e no incentivo aos dois.

A frase que virou regra dentro de casa

Em meio às dificuldades, ela repetia uma promessa que o filho registra como o eixo da criação dos dois: enquanto estivesse viva, daria estudo aos filhos.

O mais velho levou a afirmação a sério e passou a equilibrar estudo e trabalho para ajudar em casa. Foi estagiário, lavou carros e, em 2012, prestou concurso para a Polícia Militar, ingressando como soldado no ano seguinte.

O contraste entre a escolaridade dela e o percurso dos filhos é o que ele destaca no relato. Ela tinha apenas até a quinta série e, mesmo assim, apostou na educação como caminho de saída, tendo mostrado a ele que era possível deixar aquele lugar sem seguir o destino de quem estava ao redor.

O câncer diagnosticado em 2019

Uma nova batalha começou em 2019, quando ela foi diagnosticada com câncer. O tipo da doença não é informado na apuração.

O filho relata ter ficado sem saber o que fazer. Pediu afastamento da corporação para acompanhá-la em Porto Velho, cidade onde ela faria o tratamento, e nesse período a faculdade esteve prestes a cancelar a matrícula dele.

O que impediu a interrupção foi um fator externo e inesperado. A pandemia suspendeu as aulas presenciais e permitiu que ele mantivesse o vínculo com o curso enquanto acompanhava o tratamento da mãe, coincidência que ele aponta como decisiva para a conclusão da graduação.

A convocação de 2024 e a distância

Em 2024 veio a convocação para o Curso de Formação de Oficiais, promovido pelo governo estadual e ministrado em Minas Gerais.

A notícia comoveu a mãe, mas ela não pôde acompanhar o filho na mudança. Estava em tratamento no Acre e precisou permanecer no estado.

O relato dela sobre esse período é de espera e de fé. Ela conta que pensava constantemente no filho e mantinha a esperança de que ele voltasse para concluir a formação na própria terra. Hoje ela se declara curada, e afirma não ter palavras diante do retorno dele para terminar o curso no Acre.

Os três diplomas

“Ela nos ensinou sobre dignidade, trabalho e fé”, atesta Wellington Mota sobre a mãe, Maria do Socorro. Foto: Joabes Guedes/PMAC

Wellington concluiu Filosofia, Jornalismo e Direito, sequência que ele obteve enquanto já atuava na corporação. A apuração não informa em quais instituições ele cursou cada uma nem os anos de conclusão.

Dona Socorro viu com orgulho o filho se formar em três faculdades. Foto: Joabes Guedes/PMAC

Somar três graduações exige convivência prolongada com carga horária dupla, entre serviço militar e sala de aula, situação que a própria história de afastamento por causa do tratamento ajuda a ilustrar.

O que ele destaca não é o número de diplomas, e sim quem sustentou a decisão de estudar. Segundo o relato dele, mesmo sem escolaridade, ela enxergou na educação o caminho da família, e é a esse esforço que atribui o resultado.

O que os dois filhos fazem hoje

O caçula, Antônio Correia, tem 27 anos e é pai de uma criança de 8 anos.

Wellington também é pai, de duas crianças, uma de 3 anos e outra de 10 meses. Ambos procuram repassar aos próprios filhos os valores recebidos em casa.

O contato com a mãe permanece diário. Ele conta que, quando não consegue visitá-la, liga, e que não passa um dia sem ouvir a voz dela, a quem se refere como seu norte. Ele afirma que, se os filhos dele têm uma referência hoje, é porque ela não deixou a história da família ser apagada.

Uma promessa cumprida em vinte anos

O intervalo entre o ponto mais baixo e o momento atual cobre cerca de duas décadas. Em 2005, a família dividia um quarto na casa de uma parente, depois de perder a própria moradia. Em 2026, o filho mais velho está prestes a receber a patente de oficial.

O que conecta os dois momentos não é um golpe de sorte, e sim uma sequência longa de decisões pequenas: aceitar mais um cliente de lavagem, insistir na matrícula, prestar o concurso em 2012, pedir afastamento em 2019 e voltar para concluir o curso no próprio estado.

Vale registrar que histórias assim tendem a ser lidas como prova de que basta esforço. A trajetória dela mostra o tamanho do esforço exigido, e não que ele seja suficiente por si só, considerando que a conclusão dos estudos dependeu também de fatores fora do controle da família, como a suspensão de aulas que preservou a matrícula.

E você, conhece alguém que sustentou uma família inteira com trabalho braçal e viu os filhos chegarem à faculdade? Acha que o esforço individual dá conta ou que faltam condições para que histórias assim deixem de ser exceção? Conta nos comentários o que a sua mãe ou o seu pai fizeram para você estudar.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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