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Leão mantido em jaula de concreto na Albânia passa nove anos sem alimentação e cuidados adequados, sofre com inflamação no olho e graves problemas de saúde, até ser levado para um santuário na Holanda, onde volta a brincar, fica mais ativo e finalmente passa a rugir junto com outros leões

Leão mantido em jaula de concreto na Albânia passa nove anos sem alimentação e cuidados adequados, sofre com inflamação no olho e graves problemas de saúde, até ser levado para um santuário na Holanda, onde volta a brincar, fica mais ativo e finalmente passa a rugir junto com outros leões

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Leão mantido em jaula de concreto na Albânia passa nove anos sem alimentação e cuidados adequados, sofre com inflamação no olho e graves problemas de saúde, até ser levado para um santuário na Holanda, onde volta a brincar, fica mais ativo e finalmente passa a rugir junto com outros leões

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 29/08/2026 às 20:09

Atualizado em 29/08/2026 às 20:10

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Resgatado de um zoológico em Fier, Lenci recebeu tratamento veterinário e enriquecimento ambiental no FELIDA Big Cat Sanctuary, onde passou a explorar novos espaços e demonstrar comportamentos naturais, embora as sequelas acumuladas durante o confinamento tenham exigido acompanhamento médico contínuo.

Depois de passar nove anos em uma jaula de concreto, sem nutrição e cuidados adequados, o leão Lenci encontrou no FELIDA Big Cat Sanctuary, na Holanda, condições para se movimentar, brincar e vocalizar com outros animais. A mudança de ambiente, porém, não eliminou os problemas de saúde deixados pelo confinamento.

Lenci nasceu em 2010 e viveu no Safari Park Zoo, em Fier, na Albânia. A organização internacional de proteção animal FOUR PAWS registra que o animal permaneceu em um recinto pequeno, úmido e sem condições satisfatórias de higiene e assistência durante grande parte da vida.

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Quando foi retirado do zoológico, uma das alterações mais visíveis era uma inflamação grave no olho esquerdo. O tratamento permitiu preservar o olho, que permaneceu menor, enquanto danos nos nervos da face deixaram o focinho e a boca assimétricos.

Leão Lenci deixa jaula de concreto na Albânia, recebe cuidados em santuário na Holanda e volta a brincar e rugir com outros leões.

A retirada dos animais ocorreu após o Ministério do Turismo e Meio Ambiente da Albânia determinar o confisco dos animais selvagens mantidos no local. Em outubro de 2018, uma operação com participação da FOUR PAWS retirou 11 animais negligenciados, entre eles os leões Lenci, Bobby e Zhaku.

Os três foram levados temporariamente ao zoológico de Tirana, juntamente com outros animais resgatados, enquanto a equipe buscava uma solução permanente. A transferência para instalações especializadas dependeria da recuperação física e das condições necessárias para uma viagem internacional.

Da jaula de concreto ao santuário na Holanda

Meses depois, Lenci, Bobby e Zhaku deixaram Tirana em direção a Nijeberkoop, onde funciona o FELIDA Big Cat Sanctuary. A viagem por terra durou 52 horas e percorreu quase 3 mil quilômetros, e os três chegaram ao centro em maio de 2019.

Nos primeiros registros após a chegada, Lenci explorava o novo espaço de maneira curiosa, embora ainda cautelosa. O ambiente oferecia superfícies e estímulos ausentes de sua rotina anterior, incluindo grama, areia, exposição ao sol e áreas mais adequadas para a movimentação de um grande felino.

A inflamação no olho apresentava melhora, mas os efeitos dos anos anteriores continuavam exigindo acompanhamento. A equipe passou a combinar assistência veterinária com atividades de enriquecimento ambiental destinadas a estimular movimentos, exploração e comportamentos característicos da espécie.

Leão Lenci deixa jaula de concreto na Albânia, recebe cuidados em santuário na Holanda e volta a brincar e rugir com outros leões.

Poucos meses depois, uma emergência mostrou que a condição física ainda era frágil. Lenci subitamente deixou de conseguir permanecer em pé, e suas patas traseiras não respondiam normalmente quando ele tentava se levantar.

Exames de imagem identificaram uma hérnia, mas não permitiram estabelecer uma causa definitiva para a perda repentina do controle dos membros posteriores. O leão recebeu medicamentos e monitoramento intensivo e, posteriormente, apresentou melhora, embora a região das costas permanecesse considerada vulnerável.

Enquanto a equipe acompanhava essas limitações, a mudança no comportamento tornou-se cada vez mais perceptível. Lenci passou a ser descrito pelos cuidadores como um animal bem-humorado, ativo e brincalhão, com interesse pelos diferentes objetos e atividades oferecidos no recinto.

Um comportamento específico chamou a atenção no santuário: Lenci começou a acompanhar as vocalizações de outros grandes felinos. Ele passou a rugir junto com Bobby, Ivan-Asen, Masoud e Terez no que os cuidadores chamavam de “coro de leões”, além de vocalizar pela manhã.

O interesse por brincadeiras e pelo ambiente permaneceu mesmo diante das limitações físicas. A rotina no FELIDA passou a oferecer oportunidades de exploração que não existiam no piso de concreto onde ele havia vivido anteriormente, enquanto sua saúde continuava sendo observada de perto.

Problemas médicos continuaram após o resgate

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Em outra fase do acompanhamento, Lenci apresentou dificuldade para comer e sinais claros de dor. Os veterinários descobriram um cisto que se originava na região da mandíbula e havia avançado até a cavidade nasal, exigindo um novo procedimento.

A lesão foi removida, a área afetada foi limpa e o leão recebeu antibióticos durante a recuperação. Depois do tratamento, os registros do santuário continuaram a descrevê-lo como ativo e interessado nas atividades de enriquecimento, mas a necessidade de acompanhamento médico não desapareceu.

Novos exames realizados posteriormente encontraram alterações justamente na região da mandíbula e da cavidade nasal onde o cisto havia sido tratado. Durante a recuperação da anestesia utilizada na avaliação, Lenci ainda mordeu a própria cauda e sofreu uma lesão que precisou de atendimento imediato.

A situação se agravou quando os veterinários identificaram uma inflamação crônica e muito dolorosa na região nasal. A condição avançaria e provocaria mais dor, enquanto um tratamento prolongado não seria capaz de resolver o problema, segundo o registro mantido pela FOUR PAWS.

Diante da piora e da perspectiva de sofrimento contínuo, a equipe veterinária optou pela eutanásia de Lenci em fevereiro de 2021. A decisão ocorreu menos de dois anos após sua chegada ao FELIDA, período em que o leão havia recuperado atividades como explorar o ambiente, brincar e rugir ao lado de outros animais.

A organização relata que, nos últimos exames, a inflamação nasal já apresentava caráter progressivo e não tinha perspectiva de solução duradoura por tratamento de longo prazo, condição que levou os profissionais responsáveis por seus cuidados a interromper o avanço da dor.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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