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Leão obrigado a se apresentar em circos e dormir numa gaiola de apenas 2 por 5 metros na traseira de um caminhão passa anos sofrendo com fome, carne estragada, magreza extrema, salmonela e infecção de pele, vê dois companheiros morrerem sem comida e, após ser resgatado, é levado para um santuário na África do Sul, onde recupera a saúde e finalmente passa a viver ao lado de outros leões

Leão obrigado a se apresentar em circos e dormir numa gaiola de apenas 2 por 5 metros na traseira de um caminhão passa anos sofrendo com fome, carne estragada, magreza extrema, salmonela e infecção de pele, vê dois companheiros morrerem sem comida e, após ser resgatado, é levado para um santuário na África do Sul, onde recupera a saúde e finalmente passa a viver ao lado de outros leões

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Leão obrigado a se apresentar em circos e dormir numa gaiola de apenas 2 por 5 metros na traseira de um caminhão passa anos sofrendo com fome, carne estragada, magreza extrema, salmonela e infecção de pele, vê dois companheiros morrerem sem comida e, após ser resgatado, é levado para um santuário na África do Sul, onde recupera a saúde e finalmente passa a viver ao lado de outros leões

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 26/08/2026 às 23:39

Atualizado em 26/08/2026 às 23:40

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Leão obrigado a se apresentar em circos e dormir numa gaiola de apenas 2 por 5 metros

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Romeo viveu em gaiola de 2 por 5 metros, sofreu desnutrição e salmonela e viu dois leões morrerem de fome antes de ser resgatado para um santuário.

Em 2019, nasceu na França um leão branco chamado Romeo. Em vez de crescer num ambiente onde pudesse correr, explorar território e conviver adequadamente com outros indivíduos de sua espécie, ele foi inserido ainda jovem na indústria circense. Segundo a organização internacional FOUR PAWS, Romeo era obrigado a participar de apresentações e, quando o espetáculo terminava, retornava para aquilo que funcionava como sua casa: uma gaiola de apenas 2 metros por 5 metros instalada na traseira de um caminhão. Dois outros leões ligados ao mesmo grupo morreriam de fome antes que o resgate finalmente acontecesse.

Em agosto de 2023, organizações de proteção animal conseguiram retirar Romeo e outros dois leões das condições em que viviam. O estado do animal exigia intervenção rápida. Romeo estava magro, havia sido alimentado com carne vencida ou deteriorada e apresentava salmonelose e uma infecção de pele. Depois de meses de tratamento na Bélgica, sua história atravessaria outro continente: em maio de 2024, ele embarcou para o LIONSROCK Big Cat Sanctuary, na África do Sul.

Dois anos depois, em maio de 2026, a organização responsável pelo santuário informou que Romeo havia prosperado no novo ambiente e continuava recebendo acompanhamento especializado para mobilidade, pele e bem-estar.

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Romeo nasceu em julho de 2019 e praticamente cresceu dentro da indústria circense

O perfil oficial mantido pelo LIONSROCK informa que Romeo nasceu em julho de 2019 e foi inserido quase imediatamente no universo dos espetáculos circenses.

Era um leão branco, característica visual incomum que tende a aumentar o valor comercial de grandes felinos mantidos em cativeiro.

Foto: FOUR PAWS

A FOUR PAWS explica que a pelagem branca não significa albinismo. Ela decorre de uma mutação recessiva rara e, em cativeiro, pode ser reproduzida deliberadamente por cruzamentos entre animais geneticamente próximos.

A organização considera provável que Romeo tenha origem em consanguinidade, justamente por ser um leão branco.

Quando não estava se apresentando, voltava para uma gaiola de 10 m²

O dado que melhor ilustra as condições anteriores ao resgate é o tamanho de seu alojamento. A FOUR PAWS descreve a “casa” de Romeo como uma estrutura de 2 metros por 5 metros, localizada na traseira de um caminhão. Isso representa apenas 10 m² de área.

Era ali que o leão permanecia quando não estava sendo utilizado nas apresentações.

Para um grande felino social e fisicamente ativo, a diferença entre esse tipo de confinamento e um recinto amplo não é apenas visual. Ela influencia movimentação, escolha de distância, exploração, estímulos e interação com outros animais.

Dois dos outros leões morreram de fome antes que o resgate chegasse

A situação dos animais ao redor de Romeo também se deteriorou. Segundo a FOUR PAWS, Romeo fazia parte de um grupo mantido pelo proprietário do circo e dois de seus companheiros morreram de fome antes que as organizações de proteção conseguissem intervir.

Em agosto de 2023, Romeo e outros dois leões sobreviventes foram retirados.

Participaram da operação organizações como Action Protection Animale, Natuurhulpcentrum e Stichting AAP, segundo os relatos publicados pela FOUR PAWS.

O resgate encerrou a etapa circense, mas não significou que Romeo estivesse pronto para viajar imediatamente até um santuário africano. Seu estado físico precisava primeiro ser estabilizado.

Carne deteriorada deixou Romeo magro e doente

Quando chegou aos cuidados especializados do Natuurhulpcentrum, na Bélgica, a equipe encontrou um leão debilitado.

A FOUR PAWS afirma que Romeo havia recebido carne vencida ou deteriorada como alimento. A consequência, segundo a organização, foi uma combinação de perda de peso, infecção por Salmonella e infecção cutânea.

Foto: FOUR PAWS

A prioridade naquele momento não era simplesmente dar mais espaço ao animal. Era mantê-lo vivo e recuperar sua condição corporal.

Com alimentação adequada, tratamento veterinário e acompanhamento diário, o quadro começou a melhorar progressivamente.

Comportamento excessivamente amigável com humanos também chamou atenção

A avaliação de Romeo revelou outro elemento ligado à sua criação. Mesmo sendo um grande felino selvagem, ele apresentava uma aproximação incomum em relação às pessoas.

Para a FOUR PAWS, esse comportamento sugere que Romeo provavelmente tenha sido criado à mão por humanos, possivelmente depois de ser separado precocemente da mãe.

A proximidade com pessoas pode parecer positiva para quem observa o animal, mas não significa necessariamente bom bem-estar.

Grandes felinos criados dessa maneira podem apresentar dificuldades comportamentais e de socialização com indivíduos da própria espécie, exatamente uma das preocupações que surgiriam mais tarde na tentativa de aproximar Romeo de outra leoa.

O objetivo passou a ser encontrar um local onde ele pudesse viver pelo resto da vida

Após a estabilização na Bélgica, era necessário decidir qual seria o destino definitivo.

A solução apareceu no LIONSROCK Big Cat Sanctuary, perto de Bethlehem, na província de Free State, África do Sul.

Administrado pela FOUR PAWS, o santuário ocupa aproximadamente 1.250 hectares e abriga cerca de uma centena de grandes felinos resgatados de circos, zoológicos inadequados, criação privada e zonas de conflito.

Ali, Romeo não seria colocado em exibição para executar truques.

O objetivo declarado era oferecer recinto naturalizado, alimentação adequada, enriquecimento ambiental, acompanhamento veterinário e possibilidade de contato social controlado com outros leões.

Antes da viagem, Romeo precisou aprender a entrar voluntariamente na caixa de transporte

Mover um leão entre continentes exige preparação específica. A equipe do Natuurhulpcentrum iniciou um processo de treinamento de caixa de transporte, acostumando Romeo ao equipamento que seria utilizado na viagem.

O objetivo era reduzir o estresse e permitir que o animal entrasse no compartimento de maneira mais previsível e segura.

Em 13 de maio de 2024, depois de uma última avaliação veterinária, Romeo deixou o centro belga. A caixa foi levada ao aeroporto de Bruxelas e colocada num voo para a África do Sul.

Depois de dois dias de viagem, o leão finalmente chegou à África

A transferência durou aproximadamente dois dias. Romeo chegou ao LIONSROCK em 15 de maio de 2024, conforme comunicado oficial divulgado pela FOUR PAWS no dia seguinte.

Havia alguma tensão inicial provocada pela longa viagem, algo considerado esperado pela equipe.

Foto: FOUR PAWS

Mas a adaptação começou rapidamente. Os cuidadores relataram que Romeo passou a investigar o novo ambiente, alimentar-se bem e identificar os lugares onde preferia descansar.

Para um animal acostumado à gaiola instalada num caminhão, a transformação física do cenário era radical.

De uma gaiola de 10 m² para um ambiente naturalizado na África do Sul

O santuário não significa liberdade na natureza. Romeo nasceu em cativeiro, foi criado por humanos e não pode simplesmente ser solto na savana para sobreviver sozinho.

A diferença está no tipo de confinamento.

No LIONSROCK, os animais resgatados vivem em recintos muito maiores e naturalizados, com condições destinadas a permitir comportamentos mais próximos daqueles próprios da espécie, além de receberem cuidados pelo resto da vida.

Romeo passou a ter espaço para caminhar, investigar cheiros, escolher onde descansar e observar outros grandes felinos.

A partir daí surgiu outra etapa importante: tentar reconstruir uma dimensão da vida que havia sido comprometida durante sua criação.

Tentativa de contato direto precisou ser interrompida

A história, porém, não terminou de maneira artificialmente perfeita. O LIONSROCK atualizou posteriormente o perfil de Romeo e informou que, durante as tentativas de contato direto, ele começou a apresentar sinais de desconforto.

A equipe decidiu interromper a socialização física. Isso não significa que a aproximação tenha fracassado completamente.

Romeo e Nala continuaram vivendo pacificamente em recintos vizinhos e passaram a encontrar-se regularmente na linha da cerca.

A decisão mostra um princípio importante do manejo em santuários: o objetivo não é produzir uma imagem emocionalmente satisfatória para o público, mas respeitar a resposta individual do animal.

Em 2026, Romeo já completava dois anos no santuário

Em 20 de maio de 2026, a FOUR PAWS publicou uma nova atualização sobre sua condição.

Dois anos depois da transferência, Romeo era descrito como um animal que havia prosperado no ambiente do LIONSROCK e se tornado um dos residentes mais reconhecíveis do local.

Foto: FOUR PAWS

O leão também cresceu fisicamente e passou a ser considerado um dos indivíduos mais altos do santuário.

Mas os cuidados médicos não foram abandonados apenas porque sua condição geral melhorou.

Hoje recebe suplementos para articulações e pele

A atualização de 2026 informa que Romeo continua recebendo suplementação para as articulações, visando preservar mobilidade e conforto.

Também recebe suporte específico para a pele. Esse acompanhamento é especialmente relevante no caso de um leão branco.

A equipe afirma que esses animais podem apresentar maior sensibilidade a determinados problemas cutâneos e que o histórico de Romeo exige prevenção contínua.

Assim, o santuário não representa apenas espaço.

Representa assistência veterinária permanente para um animal que carregou consequências da alimentação inadequada, do confinamento e possivelmente da própria criação seletiva.

Romeo não voltou à natureza, mas deixou de existir para entreter pessoas

A transformação mais importante talvez não seja medida simplesmente em metros quadrados. Durante seus primeiros anos, Romeo tinha uma função definida por humanos: participar de espetáculos.

Quando não estava no picadeiro, retornava à gaiola de 2 por 5 metros no caminhão. Dois dos leões de seu antigo grupo morreram de fome. Ele próprio chegou ao resgate magro, com salmonelose e problemas de pele após receber carne deteriorada.

Depois vieram meses de recuperação na Bélgica, treinamento para a viagem, voo intercontinental e finalmente a chegada à África do Sul.

No LIONSROCK, Romeo ganhou outra rotina. Não precisa executar truques. Não é utilizado para reprodução. Não é preparado para voltar aos espetáculos.

Em vez disso, explora um ambiente naturalizado, recebe alimentação e acompanhamento especializado e mantém contato visual e olfativo com outros leões.

Em maio de 2026, dois anos depois de chegar, o quadro descrito pela organização era completamente diferente daquele encontrado no resgate: Romeo estava estabelecido no santuário, com a saúde acompanhada, mobilidade protegida e espaço para viver sem que sua existência dependesse de entrar novamente num picadeiro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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