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Leão rejeitado pelo próprio pai e mantido sozinho em parque temático passa seis anos sozinho, anda em círculos até deixar rastros de sangue no chão, sofre com isolamento, medo e vive cercado pelo barulho de carrinhos de bate-bate, até ser levado para um santuário na África do Sul, onde ganha 1,5 hectare, recupera a confiança, volta a explorar e finalmente começa a rugir

Leão rejeitado pelo próprio pai e mantido sozinho em parque temático passa seis anos sozinho, anda em círculos até deixar rastros de sangue no chão, sofre com isolamento, medo e vive cercado pelo barulho de carrinhos de bate-bate, até ser levado para um santuário na África do Sul, onde ganha 1,5 hectare, recupera a confiança, volta a explorar e finalmente começa a rugir

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Leão rejeitado pelo próprio pai e mantido sozinho em parque temático passa seis anos sozinho, anda em círculos até deixar rastros de sangue no chão, sofre com isolamento, medo e vive cercado pelo barulho de carrinhos de bate-bate, até ser levado para um santuário na África do Sul, onde ganha 1,5 hectare, recupera a confiança, volta a explorar e finalmente começa a rugir

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 27/08/2026 às 00:27

Curiosidades

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Leão rejeitado pelo próprio pai sozinho anda em círculos até deixar rastros de sangue no chão

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Mannie viveu anos isolado em um parque temático, apresentou comportamento repetitivo e, após ser levado à África do Sul, voltou a explorar e rugir.

Em 2025, o leão-africano Mannie, nascido em julho de 2018 no parque temático Mondo Verde, em Landgraaf, nos Países Baixos, tornou-se protagonista de uma transformação documentada pela World Animal Protection, pela Stichting Leeuw e pela organização neerlandesa Bite Back. Depois de ser rejeitado pelo pai e separado dos pais, ele passou anos sozinho, com acesso principalmente a um pequeno recinto noturno e a uma passagem externa, sem convivência direta com outros leões.

A Bite Back afirmou, após uma investigação publicada em 2024, que o animal apresentava comportamento estereotipado e caminhava repetidamente pelo mesmo percurso.

Em 17 de abril de 2025, a história mudou de continente. Mannie foi transportado dos Países Baixos para a África do Sul e chegou ao The Lions Foundation, onde teria acesso a um recinto de aproximadamente 1,5 hectare de savana.

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A adaptação foi lenta: inicialmente ele se escondia ao ouvir veículos ou perceber cuidadores. Meses depois, porém, já explorava mais o espaço, observava os leões vizinhos e, em dezembro de 2025, seus cuidadores relataram algo especialmente simbólico: Mannie havia rugido.

Mannie nasceu dentro do próprio parque onde passaria anos isolado

Mannie nasceu em julho de 2018 no Mondo Verde, parque que combina jardins, animais e atrações de entretenimento em Landgraaf. Seus pais, Amir e Safi, também viviam no local. Conforme ele cresceu, entretanto, a convivência entre os três deixou de ser possível.

Foto: worldanimalprotection.org

As organizações envolvidas no resgate dizem que Mannie foi rejeitado pelo pai. Para evitar conflitos entre os animais, ele acabou separado, enquanto Amir e Safi permaneceram juntos em outro recinto. O que deveria exigir uma solução adequada de alojamento tornou-se uma situação prolongada de isolamento.

A World Animal Protection afirma que, durante a maior parte da vida anterior à transferência, Mannie não teve oportunidade de interagir diretamente com outros leões.

Para uma espécie na qual a vida social pode envolver grupos familiares complexos, a diferença era especialmente relevante.

Seu mundo ficou reduzido a um pequeno recinto e uma passagem para o exterior

A investigação realizada pela Stichting Bite Back em 2024 colocou as condições de Mannie no centro das discussões sobre o parque. Segundo a entidade, o leão permaneceu durante anos principalmente em um pequeno recinto noturno e, posteriormente, passou a ter acesso também à passagem que conectava essa área ao recinto externo dos pais.

A World Animal Protection também descreveu a situação como um confinamento predominantemente interno, com acesso limitado a uma estreita área externa. Em março de 2025, a organização afirmou que Mannie ainda passava grande parte do tempo no pequeno espaço noturno.

O contraste com seu destino posterior seria enorme. Na África do Sul, o recinto preparado para ele teria cerca de 1,5 hectare, ou aproximadamente 15 mil m², com vegetação, espaço aberto e áreas nas quais poderia escolher onde permanecer.

Um ex-funcionário afirmou que Mannie passou os primeiros dois anos com pouco acesso à luz do dia

Algumas das alegações mais graves sobre seu período no Mondo Verde vieram de antigos funcionários ouvidos pela Bite Back, portanto precisam ser apresentadas com essa atribuição.

Segundo um ex-funcionário citado pela organização, Mannie teria passado os primeiros dois anos de vida sem ver ou praticamente sem ver a luz do dia. A World Animal Protection posteriormente reproduziu a informação dizendo que, de acordo com um ex-funcionário, ele teve pouco acesso à luz natural nesse período.

A investigação da Bite Back envolveu visitas ao local, depoimentos de ex-funcionários e documentos obtidos através de pedidos de informação dirigidos a órgãos neerlandeses. O relatório completo possuía 62 páginas e foi divulgado em maio de 2024.

Ao lado do recinto estavam atrações barulhentas do parque

O problema não se resumia ao tamanho do espaço. Os leões do Mondo Verde ficavam numa área cercada por atrações de entretenimento. A Bite Back citou a presença de montanha-russa, carrossel e carrinhos de bate-bate, argumentando que os animais eram submetidos repetidamente ao ruído e à movimentação associados ao parque.

A World Animal Protection foi ainda mais específica ao relatar a situação de Mannie: ele vivia próximo aos carrinhos de bate-bate e convivia com os sons das atrações enquanto permanecia isolado.

Essa característica ganharia importância depois da transferência. Na África do Sul, justamente os sons de veículos se tornariam um dos sinais mais claros de quanto tempo Mannie precisaria para se adaptar ao novo ambiente.

Mannie começou a caminhar repetidamente pelo mesmo trajeto

Durante a investigação, a Bite Back registrou comportamento estereotipado em Mannie. Quando não permanecia observando os pais através da passagem, o leão repetia continuamente o mesmo circuito dentro da área disponível, segundo a organização.

Esse tipo de movimento repetitivo é frequentemente observado em animais mantidos em ambientes que oferecem oportunidades limitadas de escolha e estimulação.

Foto: worldanimalprotection.org

A World Animal Protection descreveu posteriormente que Mannie caminhava em círculos repetidamente devido ao tédio e à frustração. A organização relacionou essa rotina às condições nas quais ele permanecia confinado.

Relatos apontaram até marcas de sangue no caminho repetido pelo leão

Em dezembro de 2025, a World Animal Protection informou que o leão havia caminhado pelo mesmo trajeto tantas vezes que rastros de sangue chegaram a ficar visíveis no chão.

Reportagem neerlandesa sobre a disputa envolvendo o destino do animal também registrou a alegação da Bite Back de que comportamento estereotipado e problemas nas unhas teriam contribuído para um rastro circular de sangue.

Era uma imagem particularmente contundente: um animal capaz de percorrer grandes espaços reduzido a repetir praticamente o mesmo caminho.

Encontrar outro lar para Mannie levou anos

O Mondo Verde procurou alternativas para transferir Mannie. Uma possibilidade envolvia um zoológico no Iraque, mas as negociações não avançaram. Posteriormente, surgiu um plano para enviá-lo ao Faunaland Ancol, em Jacarta, na Indonésia.

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A Bite Back se opôs à segunda opção e iniciou um procedimento contra a autorização de exportação. A entidade argumentava que o parque indonésio não representava uma melhoria adequada, citando espetáculos com animais e atividades de interação entre visitantes e espécies selvagens.

Depois de meses de negociações, Mondo Verde e as entidades envolvidas chegaram a um acordo para que Mannie fosse transferido ao The Lions Foundation, na África do Sul. O próprio santuário registra que todas as partes ficaram satisfeitas após a definição desse destino.

Em 17 de abril de 2025, Mannie finalmente deixou os Países Baixos

O transporte começou no aeroporto de Schiphol. Mannie saiu do Mondo Verde, foi levado à estrutura logística do aeroporto e embarcou em um voo da KLM com destino a Johannesburgo. Um funcionário da Stichting Leeuw acompanhou o deslocamento.

Depois da chegada à África do Sul, ainda havia uma viagem terrestre de aproximadamente duas horas e meia até seu novo lar.

Foto: worldanimalprotection.org

Na manhã seguinte, por volta das 7 horas, Mannie deixou a caixa de transporte e entrou na área inicial de adaptação do The Lions Foundation.

Era a conclusão de um processo que havia levado meses de negociações e anos de busca por um destino definitivo.

Pela primeira vez, ele teria acesso a cerca de 1,5 hectare

O The Lions Foundation está instalado na reserva privada Schrikkloof, na província de Limpopo. Os grandes felinos transferidos para o local vivem em recintos externos de aproximadamente 1,5 hectare, com vegetação natural, árvores e espaços separados para alimentação e manejo.

Os animais continuam sob monitoramento e recebem carne, enriquecimento ambiental e cuidados veterinários.

Para Mannie, a diferença espacial era enorme.

Em vez de um recinto noturno e uma passagem estreita, ele poderia se deslocar por milhares de metros quadrados de terreno com vegetação.

Mesmo depois de chegar à África, Mannie continuava assustado

A mudança física foi imediata. A recuperação comportamental não. Em julho de 2025, meses após a chegada, a World Animal Protection contou que Mannie continuava muito inseguro e tímido. Quando escutava um carro se aproximar, voltava rapidamente para o abrigo interno.

Leão rejeitado pelo próprio pai sozinho anda em círculos até deixar rastros de sangue no chão

Ele também se escondia atrás da vegetação quando percebia sons ou movimentos desconhecidos.

Os cuidadores não tentaram acelerar artificialmente o processo. Mannie permaneceu numa área de adaptação antes de receber acesso completo ao recinto maior.

O objetivo era permitir que começasse a explorar no próprio ritmo.

Aos poucos, o leão que se escondia começou a ocupar o novo território

Com o passar dos meses, a reação de Mannie mudou. Em dezembro de 2025, o cuidador identificado como Moses pela World Animal Protection disse que o animal estava gradualmente se tornando mais confiante. Já não se escondia continuamente diante da presença humana e passou a utilizar mais o recinto.

Sua condição física também era descrita como boa, e o leão passou a se movimentar bastante pela área.

O contraste com os círculos repetitivos observados no antigo recinto era significativo. Agora havia espaço para decidir onde andar, descansar ou observar o ambiente.

Pela primeira vez em anos, outros leões estavam novamente ao seu redor

Mannie ainda não foi simplesmente colocado dentro de um grupo de leões. A socialização exige cautela, especialmente para um animal que passou grande parte da vida sem convivência normal com indivíduos da própria espécie.

Em dezembro de 2025, havia três leões vivendo próximos a ele: Simba, Stella e Aslan. Segundo seu cuidador, Mannie observava os vizinhos através da cerca e reagia à presença deles.

O santuário procura formar pares ou grupos quando isso é compatível com o comportamento dos animais, mas qualquer aproximação precisa ocorrer gradualmente.

Então aconteceu algo que os cuidadores ainda não tinham ouvido: Mannie rugiu

Meses depois de sua chegada, o comportamento do leão produziu uma cena que se tornou símbolo de toda a transformação.

A atualização publicada pela World Animal Protection em 4 de dezembro de 2025 informou que, poucos dias antes, Mannie havia sido ouvido rugindo pela primeira vez desde que estava sob aqueles cuidados.

O relato não permite concluir que aquele tenha sido literalmente o primeiro rugido de toda a vida de Mannie. O que pode ser confirmado é que os cuidadores descreveram o episódio como sua primeira vocalização desse tipo observada após o resgate.

Depois de anos de isolamento e meses inicialmente marcados por medo no novo ambiente, o rugido ganhou um peso inevitavelmente simbólico.

De um pequeno recinto ao lado dos carrinhos de bate-bate para 15 mil m² de savana

A história de Mannie chama atenção justamente pela dimensão do contraste.

Ele nasceu em 2018 dentro de um parque temático, foi separado dos pais depois que a convivência deixou de funcionar e passou anos sem contato direto com outros leões.

Em abril de 2025, aos seis anos, atravessou milhares de quilômetros até chegar à África do Sul.

Lá, ganhou acesso progressivo a um recinto de aproximadamente 1,5 hectare, começou a explorar vegetação, deixou gradualmente de se esconder diante de cada ruído e passou a observar outros leões vivendo próximos.

Meses depois, o leão que durante anos repetia o mesmo caminho em isolamento finalmente começou a apresentar outra rotina.

E então veio o rugido.

Não é possível saber o que Mannie compreende de toda essa mudança. O que os registros permitem afirmar é mais concreto: o leão que vivia sozinho num pequeno espaço ao lado das atrações de um parque agora caminha por um recinto milhares de vezes maior, tem outros leões ao redor e, pela primeira vez desde a transferência, seus cuidadores finalmente o ouviram rugir.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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