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Luciano Hang, dono da Havan, não pensou duas vezes e transformou o crediário dos seus próprios clientes num fundo de investimento de mais de R$ 3 bilhões

Luciano Hang, dono da Havan, não pensou duas vezes e transformou o crediário dos seus próprios clientes num fundo de investimento de mais de R$ 3 bilhões

5 min de leitura

Luciano Hang, dono da Havan, não pensou duas vezes e transformou o crediário dos seus próprios clientes num fundo de investimento de mais de R$ 3 bilhões

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 04/08/2026 às 12:51

Atualizado em 04/08/2026 às 13:03

Economia

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Crediário da Havan abastece um fundo de investimento com R$ 3,5 bilhões de patrimônio e um único cotista.

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A estrutura do empresário Luciano Hang se chama Havan Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Segmento Econômico, Financeiro e Comercial. Foi constituída em outubro de 2010, emitiu a primeira cota em julho de 2015 e é destinada exclusivamente a investidores qualificados e profissionais. A gestão é da Petra Capital.

Cada carnê e cada parcela financiada nas lojas vira ativo dentro de um fundo. É assim que funciona a engrenagem financeira montada por Luciano Hang em torno do crédito ao consumidor da rede, por meio do Havan Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Segmento Econômico, Financeiro e Comercial, registrado sob o CNPJ 12.817.329/0001-29.

O patrimônio líquido informado é de R$ 3,51 bilhões, com média de R$ 3,71 bilhões nos últimos doze meses, segundo dados de mercado consolidados pela plataforma Mais Retorno. A estrutura registra um único cotista e está classificada como em funcionamento normal.

O que é um FIDC, em português

Crediário da Havan abastece um fundo de investimento com R$ 3,5 bilhões de patrimônio e um único cotista.

A sigla assusta mais do que o mecanismo. Fundo de Investimento em Direitos Creditórios é um veículo que compra o direito de receber de uma empresa e antecipa esse dinheiro com desconto.

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Na prática, funciona assim: a varejista vende parcelado e passa a ter milhares de parcelas a receber ao longo dos meses seguintes. Em vez de esperar cada vencimento, ela cede esses créditos ao fundo e recebe o valor à vista, com abatimento. O fundo passa a ser o titular do direito de receber dos consumidores nas datas previstas. A empresa troca prazo por dinheiro na mão, e o investidor que compra cotas do fundo fica com o retorno e com o risco daquele crédito.

Como o fundo da varejista está montado

Segundo o regulamento e as demonstrações financeiras disponíveis nos sistemas da Comissão de Valores Mobiliários e da B3, o fundo adquire direitos creditórios ligados à Havan que são representados por cédulas de crédito bancário emitidas pela cedente.

Além dos recebíveis, a carteira comporta ativos financeiros conforme a política de investimento prevista no regulamento. Um dos balanços registra que o fundo mantinha 19,97% do patrimônio líquido aplicado em cotas de um fundo soberano de renda fixa, contra 4,06% no exercício anterior. A administração está em Curitiba e a gestão da carteira é da Petra Capital Gestão de Investimentos.

Não é novidade recente

Crediário da Havan abastece um fundo de investimento com R$ 3,5 bilhões de patrimônio e um único cotista.

Um ponto importante para dimensionar a história: a estrutura não foi criada agora pelo Luciano Hang. O fundo foi constituído em 18 de outubro de 2010, e a primeira cota foi emitida em 10 de julho de 2015.

Ou seja, são mais de quinze anos de existência e mais de dez de operação efetiva. Há ainda um segundo veículo com o nome da rede, o Havan Fornecedores Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Multicarteira, registrado sob outro CNPJ e também gerido pela Petra Capital. Esse segundo fundo trabalha com recebíveis de fornecedores, e não com o crédito ao consumidor final.

O detalhe do cotista único

O dado que mais chama atenção nos registros públicos é o número de cotistas: um. O fundo é destinado a investidores qualificados e profissionais, categorias definidas pela regulação para quem tem patrimônio ou certificação que comprove capacidade de avaliar risco.

Isso significa que não se trata de produto oferecido no aplicativo do banco para o público em geral. É estrutura fechada, desenhada para uma finalidade específica de funding. Fundos com poucos cotistas ou cotista único são comuns quando o objetivo não é captar poupança de terceiros, e sim organizar o financiamento da própria operação dentro de um veículo regulado.

Os riscos que o próprio fundo declara

Documentos de um FIDC são obrigados a listar os riscos, e vale ler o que está escrito. Um deles é o risco de descontinuidade: se a cedente decidir encerrar o contrato de cessão e a assembleia de cotistas não deliberar pela continuidade, o fundo terá de ser liquidado antecipadamente.

Nesse cenário, o cotista teria o horizonte de investimento reduzido e poderia não conseguir reinvestir o dinheiro com a mesma remuneração, sem que caiba multa ou penalidade a ninguém. Outro risco declarado é a ausência de registro em cartório: o fundo adota como política não registrar o contrato de cessão nem os termos de cessão em cartório de títulos e documentos, por causa do custo, o que é apontado no próprio documento como fator de risco.

Por que varejo e crédito andam juntos

A lógica não é exclusiva dessa rede. Grandes varejistas brasileiras operam há décadas com braço financeiro próprio, porque vender parcelado amplia o tíquete médio e o crédito próprio gera receita adicional por juros e tarifas.

O custo dessa estratégia é a inadimplência. Em entrevista concedida em fevereiro de 2026, Luciano Hang relatou que o percentual de financiamentos com problemas chegou a 10% e encerrou 2025 em torno de 2,5%. Segundo ele, o ajuste envolveu cortar 2 milhões de clientes da base de crédito desde o pico do problema, o que dá a dimensão de quantas pessoas passavam por esse sistema.

O tamanho da operação por trás disso

Os números da varejista ajudam a entender o volume de recebíveis gerado. A rede encerrou 2025 com 184 megalojas em operação, além do comércio eletrônico, e registrou o melhor resultado da história.

Os valores divulgados variam conforme o critério: a Exame informou faturamento de R$ 18,5 bilhões em 2025, alta de 16% sobre 2024, enquanto a Forbes registrou faturamento líquido de R$ 13,7 bilhões, alta de 16,4%. O lucro líquido ficou em torno de R$ 3,4 bilhões, crescimento de 28% no ano.

O que isso significa na prática

Nada do que está descrito aqui é irregular ou incomum. FIDCs são instrumentos regulados pela Comissão de Valores Mobiliários e passaram por atualização normativa com a Resolução CVM 175, que detalhou as responsabilidades de gestor e administrador.

O que a estrutura mostra é uma escolha de modelo de negócio. A rede não depende apenas de vender produto: ela financia a própria venda, transforma o direito de receber em ativo e usa esse ativo para antecipar caixa. É a mesma parcela que o cliente paga no carnê que sustenta o funding da operação, e é isso que os documentos públicos permitem enxergar.

E você, costuma comprar parcelado no crediário da loja ou prefere cartão e à vista? Conta aqui nos comentários como você decide isso, e diga se já tinha parado para pensar que a sua parcela pode estar dentro de um fundo de investimento.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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