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Luis Pascoal comprou duas fazendas em péssimas condições no Cerrado Mineiro, levou 10 anos para recuperar solo, fauna, flora e nascentes e construiu um projeto de mais de 6 mil hectares que mantém metade da área preservada e produz café especial certificado

Luis Pascoal comprou duas fazendas em péssimas condições no Cerrado Mineiro, levou 10 anos para recuperar solo, fauna, flora e nascentes e construiu um projeto de mais de 6 mil hectares que mantém metade da área preservada e produz café especial certificado

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Luis Pascoal comprou duas fazendas em péssimas condições no Cerrado Mineiro, levou 10 anos para recuperar solo, fauna, flora e nascentes e construiu um projeto de mais de 6 mil hectares que mantém metade da área preservada e produz café especial certificado

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 15/08/2026 às 18:34

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Propriedades em condições ambientais e agronômicas muito ruins passaram por uma transformação prolongada no Cerrado Mineiro, envolvendo recuperação de recursos naturais, preservação de grandes áreas e produção de café especial dentro de um modelo que combina atividade econômica, manejo ambiental e certificações reconhecidas.

Luis Pascoal encontrou no Cerrado Mineiro duas propriedades em condições agronômicas e ambientais consideradas muito ruins e decidiu reconstruir a capacidade produtiva das terras antes de consolidar, naquele território, uma operação direcionada à produção de café especial.

Nas fazendas Boa Vista e Taboões, em Patrocínio, o processo envolveu recuperação de solo, fauna, flora e nascentes, enquanto a produção agrícola foi reorganizada para funcionar ao lado da conservação de extensas áreas cobertas por vegetação natural.

Longe de produzir resultados imediatos, a recuperação exigiu uma década de trabalho até que as terras alcançassem condições consideradas adequadas para produzir café com a qualidade desejada e permitir o início das exportações, segundo informações divulgadas pela Daterra.

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Ao estruturar o projeto, a empresa combinou atividade econômica, preservação ambiental e desenvolvimento social, incorporando a recuperação do ecossistema à própria lógica produtiva, em vez de tratar a conservação como uma iniciativa separada do funcionamento agrícola das propriedades.

Com mais de 6 mil hectares no Cerrado Mineiro, a operação passou a manter aproximadamente metade de sua extensão sob vegetação natural, enquanto os cafezais permaneceram concentrados nas áreas destinadas à produção e submetidos ao modelo de manejo adotado.

Essa configuração evitou que o crescimento agrícola dependesse exclusivamente da abertura de novas áreas, permitindo que uma parcela expressiva do território permanecesse preservada enquanto a cafeicultura era desenvolvida dentro da estrutura planejada para as duas fazendas.

Recuperação do solo, das nascentes, da fauna e da flora

Quando Boa Vista e Taboões foram adquiridas, as condições encontradas exigiram intervenções que iam além do cultivo agrícola, já que a própria Daterra descreve as duas propriedades como áreas em situação muito ruim sob os aspectos agronômico e ambiental.

Entre os principais desafios estavam a recuperação do solo, das fontes de água, da fauna e da flora presentes no Cerrado, elementos tratados de forma conjunta durante a reorganização das áreas destinadas tanto à conservação quanto à atividade produtiva.

Para orientar esse processo, o projeto buscou apoio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq, vinculada à Universidade de São Paulo, aproximando conhecimento acadêmico e manejo rural durante a recuperação das propriedades mineiras.

Dessa cooperação surgiu um conjunto de padrões ambientais chamado Programa de Adequação Ambiental, utilizado para direcionar a recuperação das áreas e organizar a produção segundo critérios definidos para o uso e o manejo das terras.

A partir dessa estrutura, a conservação deixou de ocupar uma posição isolada dentro das fazendas e passou a integrar o funcionamento agrícola, aproximando qualidade do solo, disponibilidade de água e proteção dos ambientes naturais da capacidade de produzir café.

Em vez de separar integralmente lavoura e recuperação ambiental, o modelo passou a considerar recursos naturais e produção como componentes relacionados, sobretudo em uma atividade cuja qualidade depende das condições encontradas ao longo de diferentes etapas do cultivo.

Experiência anterior aproximou Luis Pascoal da cafeicultura

Antes da expansão para o Cerrado Mineiro, Luis Pascoal já havia iniciado uma experiência com café em uma propriedade localizada na região de Franca, no interior paulista, onde a atividade rural anteriormente estava ligada à produção de leite de alta qualidade.

Nesse período, o contato com a cafeicultura também aproximou o empresário de Ernesto Illy, nome ligado à indústria internacional de café, enquanto o interesse pela produção de grãos passou a ocupar espaço crescente dentro de seus projetos agrícolas.

Foi nesse contexto que a região de Patrocínio entrou no planejamento, impulsionada por características relacionadas ao cultivo, entre elas altitude, condições climáticas e uma estação seca capaz de favorecer maior controle em determinadas etapas da produção cafeeira.

Além dessas características, as diferenças de terreno presentes na região permitiam trabalhar perfis distintos de café, fator que ampliou o interesse pelo Cerrado Mineiro sem eliminar, porém, a necessidade de recuperar profundamente as propriedades adquiridas.

A escolha das terras não resultou em produção imediata, porque Boa Vista e Taboões precisaram passar por uma recuperação extensa antes que o negócio alcançasse o padrão agrícola e ambiental estabelecido para o projeto.

Os cerca de dez anos exigidos até a produção de café com a qualidade desejada mostram a distância entre as condições iniciais das fazendas e o sistema produtivo que passou a operar posteriormente dentro das propriedades.

Café especial passou a orientar a produção

Paralelamente à recuperação ambiental, a Daterra direcionou sua produção ao segmento de cafés especiais, adotando uma estratégia que não se limitava ao volume colhido e colocava maior atenção sobre processos agrícolas e características finais dos grãos.

Dentro dessa proposta, qualidade, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental passaram a ocupar espaço relevante na relação com compradores, especialmente em mercados que observam a origem do produto e as condições utilizadas durante diferentes etapas da produção.

O modelo também levou a fazenda a buscar certificações voltadas à sustentabilidade, e a Daterra se tornou a primeira fazenda brasileira de café certificada pela Rainforest Alliance, além de obter a ISO 14001 para gestão ambiental.

Posteriormente, outras certificações foram incorporadas à operação, enquanto uma parcela da produção recebeu certificação orgânica, ampliando os mecanismos utilizados pela empresa para demonstrar práticas associadas ao manejo ambiental e à produção sustentável.

A preocupação com esses critérios também chegou à política comercial, pois a Daterra informa ter estabelecido como princípio vender café para importadores certificados em sustentabilidade, buscando estender exigências ambientais para outras etapas da cadeia.

Ao lado dessa estratégia, o projeto passou ainda a compartilhar conhecimento com produtores menores ligados à cafeicultura, mantendo a experiência acumulada nas propriedades conectada a outras atividades desenvolvidas dentro do setor.

Preservação passou a fazer parte da lógica econômica

Na estrutura formada ao longo da recuperação, o valor econômico das fazendas deixou de depender apenas da quantidade de hectares ocupados diretamente por cafeeiros e passou a conviver com áreas destinadas à conservação de recursos naturais.

Solo recuperado, recursos hídricos protegidos e vegetação preservada foram incorporados à lógica operacional de uma propriedade voltada ao café especial, segmento em que origem, rastreabilidade e método de produção podem influenciar a posição comercial do produto.

Pesquisa e desenvolvimento também foram incorporados ao funcionamento da operação, aproximando conhecimento agronômico e inovação tecnológica das práticas utilizadas para manter a qualidade dos grãos e reduzir impactos sobre os ambientes presentes no Cerrado.

Esse princípio acompanhou a transformação das duas propriedades desde a fase de recuperação inicial até a consolidação da produção, mantendo o manejo ambiental associado às decisões adotadas para a atividade agrícola.

Milhares de hectares permanecem preservados

Nos números divulgados pela operação, a dimensão ambiental aparece especialmente na quantidade de terras mantidas fora da produção direta, já que milhares de hectares permanecem destinados à preservação dentro da área ocupada pelas fazendas.

Além de conservar grandes extensões, a Daterra informa desenvolver programas de recomposição da vegetação nativa, mantendo a recuperação ambiental entre as frentes permanentes de uma propriedade que também produz café para mercados especializados.

Dessa maneira, as áreas produtivas funcionam ao lado de extensões voltadas à manutenção dos ecossistemas do Cerrado, sem que a atividade agrícola elimine a presença de porções relevantes destinadas à conservação ambiental.

Mais do que uma simples substituição de atividade rural, a transformação envolveu recuperar terras inicialmente descritas como agronomicamente e ambientalmente degradadas antes de consolidar nelas uma produção orientada para padrões específicos de qualidade e controle de origem.

Somente depois de aproximadamente uma década de recuperação, as propriedades alcançaram as condições buscadas para produzir café especial, associando a atividade econômica à preservação de parte expressiva das terras e ao manejo de solo, água e vegetação.

Se uma área rural degradada pode recuperar solo, água e vegetação enquanto sustenta uma produção agrícola de alto valor, quantas outras propriedades brasileiras poderiam adotar uma transformação semelhante?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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