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Macaca passa 31 anos acorrentada pelo pescoço dentro de uma gaiola no Paraná desde 1994, até denúncia levar polícia ao local, encerrar o cativeiro e abrir caminho para reabilitação e uma nova vida em santuário
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 31/08/2026 às 21:22
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Chita foi encontrada em Colombo após denúncia à Polícia Civil; responsável disse que a mantinha presa porque ela já havia tentado fugir e “dava muito trabalho”
Por 31 anos, praticamente uma vida inteira, uma macaca-prego chamada Chita permaneceu presa dentro de uma gaiola e com uma corrente no pescoço em uma residência de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná. O cativeiro teria começado ainda em 1994 e só terminou após uma denúncia levar policiais até o imóvel.
O resgate aconteceu em 26 de fevereiro de 2025, quando agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil do Paraná chegaram ao endereço e encontraram o animal nas condições relatadas. Segundo a corporação, a história de Chita estava relacionada ao tráfico de animais silvestres, e a mulher responsável pelo primata acabou responsabilizada após a intervenção policial.
As imagens registradas durante a operação mostram a macaca dentro de uma estrutura cercada por telas, madeira e paredes, cenário no qual teria passado aproximadamente três décadas. Depois de tantos anos de confinamento, o plano anunciado não era simplesmente abrir a gaiola e soltá-la na mata: Chita precisaria iniciar um processo de reabilitação física e psicológica antes de seguir para um local especializado.
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Uma denúncia levou o delegado até a casa onde Chita permanecia presa
A situação chegou ao conhecimento da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente por meio de uma denúncia. A partir das informações recebidas, o delegado Guilherme Dias, da Polícia Civil do Paraná, foi ao imóvel para verificar pessoalmente o que estava acontecendo.
No local, os policiais encontraram Chita e constataram as condições em que o animal era mantido. A macaca estava presa em uma gaiola e acorrentada pelo pescoço, situação que chamou atenção tanto pelo tipo de confinamento quanto pelo período extraordinariamente longo em que teria permanecido ali.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, Chita estava sob responsabilidade da mesma mulher havia 31 anos. Isso significa que o início do cativeiro remontava a 1994, época em que o animal teria chegado às mãos da responsável em circunstâncias que ainda precisavam ser esclarecidas.
A Polícia Civil informou que o caso não terminaria simplesmente com a retirada da macaca do imóvel. Os investigadores também pretendiam descobrir como Chita havia sido capturada originalmente e quem teria participado de sua comercialização.
Responsável disse que macaca já havia tentado fugir e “dava muito trabalho”
Um dos detalhes mais marcantes surgiu durante a apuração sobre o motivo pelo qual Chita continuava mantida naquela situação mesmo depois de tantos anos.
De acordo com informações divulgadas a partir do caso, a responsável afirmou aos investigadores que a macaca já havia tentado fugir. Ela também teria explicado que mantinha Chita presa porque o animal, segundo sua própria versão, “dava muito trabalho”.
A declaração ajuda a revelar como o confinamento acabou se prolongando por décadas. Entretanto, ela não elimina a responsabilidade sobre as condições encontradas pela polícia, que classificou a situação como um caso envolvendo maus-tratos e tráfico de animais.
Após o resgate, a mulher assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e não permaneceu presa. A Polícia Civil informou que ela foi responsabilizada pelos fatos constatados e que as investigações continuariam para esclarecer a origem do animal.
Três décadas longe da vida natural mudaram o destino da macaca
O resgate físico foi apenas a primeira etapa de uma situação muito mais complexa. Um animal silvestre mantido por décadas em ambiente doméstico pode perder comportamentos essenciais para sobreviver sozinho, especialmente quando vive sem condições adequadas de socialização e de estímulo natural.
No caso de Chita, as informações divulgadas após a operação indicavam que ela deveria passar por tratamento e reabilitação física e psicológica. Depois dessa etapa, a intenção era encaminhá-la para um santuário especializado.
Na ocasião em que o caso foi tornado público, em 27 de fevereiro de 2025, a Polícia Civil informou que o local definitivo ainda estava sendo escolhido. Não havia, naquele momento, confirmação de qual instituição receberia a macaca.
Também não foi anunciada uma tentativa imediata de devolvê-la à natureza. Para animais submetidos a períodos tão longos de domesticação e isolamento, qualquer decisão desse tipo exige avaliação técnica, já que simplesmente retirar o animal do cativeiro não significa que ele esteja preparado para viver sozinho em ambiente selvagem.
Polícia ainda queria descobrir quem capturou e vendeu Chita
A investigação abriu uma questão que voltava 31 anos no tempo: de onde Chita realmente veio?
A Polícia Civil relacionou a situação ao tráfico de animais silvestres, mas as informações disponíveis inicialmente não esclareciam onde a macaca havia sido capturada, quem realizou a captura nem quem a vendeu ou entregou à responsável.
Por isso, os investigadores informaram que tentariam reconstruir a origem do animal. Esse ponto é relevante porque o tráfico de fauna normalmente envolve uma cadeia que começa com a retirada ilegal do animal de seu habitat e pode passar por intermediários antes de chegar ao comprador final.
No imóvel, policiais também constataram a presença de um papagaio, segundo informações publicadas pela imprensa paranaense. Entretanto, não foram divulgados inicialmente detalhes suficientes sobre a procedência ou o destino posterior dessa ave.
Caso lembra os efeitos de décadas de cativeiro sobre animais silvestres
O Paraná já registrou outros casos de macacos-prego que passaram décadas em cativeiro irregular. Um deles foi o de Tico, primata que teria vivido cerca de 30 anos em condições inadequadas antes de ser resgatado e encaminhado para um empreendimento de fauna silvestre licenciado em São José dos Pinhais.
Situações como essas mostram por que a retirada do cativeiro representa apenas o começo do trabalho. Animais que permanecem muitos anos afastados de outros indivíduos da própria espécie podem apresentar alterações comportamentais, dificuldades de socialização e perda de habilidades necessárias para uma vida independente na natureza.
O Instituto Água e Terra do Paraná estabelece ainda restrições para a destinação de primatas a particulares, reforçando que esses animais precisam ser encaminhados a estruturas autorizadas e capazes de oferecer condições adequadas.
Depois de 31 anos, a gaiola finalmente foi aberta
Entre 1994 e fevereiro de 2025, Chita teria passado praticamente toda a sua existência conhecida sob controle humano. Durante parte desse período, além das grades que limitavam seus movimentos, havia também uma corrente presa ao seu pescoço.
Foi somente depois que alguém decidiu denunciar a situação que a história começou a mudar. A Polícia Civil chegou ao imóvel, confirmou o confinamento e retirou a macaca do local onde havia permanecido por três décadas.
O resgate não significava que Chita estava pronta para voltar imediatamente à natureza. Significava, porém, que pela primeira vez em 31 anos ela teria a possibilidade de iniciar outra etapa da vida, agora acompanhada por profissionais e com a perspectiva anunciada de ser encaminhada para um santuário especializado.
A última informação pública disponível sobre o caso indicava justamente esse caminho: reabilitação primeiro, definição de uma instituição adequada depois. O paradeiro definitivo de Chita não havia sido divulgado nas informações iniciais sobre o resgate.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

