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Mãe de oito filhos nunca conseguiu terminar o ensino médio, viu o filho abandonar a escola durante a pandemia após não se adaptar às aulas virtuais e passou a viajar mais de uma hora com ele para estudar na mesma sala, até os dois cruzarem o palco lado a lado e receberem juntos o diploma que havia ficado para trás
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 01/08/2026 às 09:06
Atualizado em 01/08/2026 às 09:07
Curiosidades
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Aos 42 anos, Melody Carrizosa concluiu o ensino médio ao lado do filho Cecil em uma cerimônia no Arizona, depois de os dois dividirem sala, estudos e um longo trajeto diário para recuperar uma etapa interrompida da vida escolar
Melody Carrizosa passou anos sem o diploma do ensino médio. Mãe de oito filhos, ela precisou concentrar sua rotina na criação da família e não conseguiu concluir os estudos na idade habitual.
O filho Cecil também deixou a escola antes da formatura, mas por outro motivo. Ele estudava durante a pandemia de Covid-19, quando as aulas virtuais e as mudanças repentinas na rotina escolar dificultaram seu aprendizado até que decidiu abandonar o curso.
As duas trajetórias se encontraram no Excel Center, uma escola gratuita para adultos mantida pela Goodwill no Arizona, nos Estados Unidos. Mãe e filho começaram a frequentar as mesmas aulas, estudar o mesmo conteúdo e ajudar um ao outro nas disciplinas em que tinham mais dificuldade.
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Em 27 de junho de 2026, os dois vestiram becas verdes e atravessaram juntos o palco de uma cerimônia realizada na Haven Church, em Glendale. Segundo a AZFamily, o momento encerrou anos de espera e uma rotina que incluía deslocamentos superiores a uma hora em cada sentido para chegar às aulas.
A pandemia interrompeu os estudos do filho e abriu uma decisão para os dois
Cecil ainda estava no ensino médio quando a pandemia alterou o funcionamento das escolas. A passagem para o ensino remoto o deixou com dificuldades para acompanhar o conteúdo e manter o ritmo necessário para concluir o curso.
Melody carregava uma pendência escolar mais antiga. Ao perceber que o filho também estava sem diploma, decidiu que os dois poderiam retomar os estudos juntos, em vez de enfrentar separadamente o mesmo problema.
A 12News informou que Melody tinha 42 anos no dia da formatura e que mãe e filho estavam entre mais de 70 adultos diplomados naquela cerimônia. O grupo fazia parte da maior turma formada até então pelo Excel Center no Arizona.
Na sala de aula, um completava o que faltava ao outro
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A diferença de idade não impediu que Melody e Cecil formassem uma dupla de estudos. Quando a mãe encontrava dificuldade em matemática ou em outro conteúdo, o filho tentava explicar; quando ele não compreendia algum assunto, ela assumia a tarefa de ajudá-lo.
A parceria continuava fora da sala. O longo tempo dentro do carro, as tarefas e a preparação para as avaliações transformaram a volta à escola em uma parte central da convivência entre os dois.
A revista People detalhou que Melody continuou cuidando dos outros sete filhos enquanto estudava e enfrentava dificuldades financeiras. Como o programa não cobrava mensalidade, a família conseguiu manter a frequência sem assumir o custo de uma escola particular.
O diploma da mãe veio acompanhado de uma formação profissional
Melody não encerrou sua passagem pela escola apenas com o diploma do ensino médio. Ela também concluiu uma certificação em flebotomia, área relacionada à coleta de sangue para exames laboratoriais, e começou a enviar currículos para possíveis empregadores.
Cecil pretende seguir outro caminho. O jovem demonstrou interesse em trabalhar com animação e levou referências desse universo para a própria formatura, decorando o capelo com elementos da série japonesa JoJo’s Bizarre Adventure.
O capelo de Melody também carregava partes de sua história. Ela usou as bandeiras dos Estados Unidos e de Porto Rico, além de uma mensagem inspirada no anime Demon Slayer, escolhida para representar a persistência necessária durante o retorno à escola.
Ao receber o diploma, a mãe agradeceu aos filhos, ao companheiro, aos amigos e aos funcionários que ajudaram a manter sua rotina. Para ela, a conquista teve um peso adicional porque foi alcançada ao lado do filho que também havia interrompido os estudos.
Escola gratuita oferece diploma regular, creche e apoio para transporte
O Excel Center funciona como uma escola pública charter voltada a pessoas com 18 anos ou mais. Diferentemente de cursos preparatórios para exames de equivalência, os estudantes cumprem um currículo alinhado aos padrões educacionais do Arizona e recebem um diploma regular de ensino médio, não apenas um certificado equivalente ao GED.
De acordo com a própria instituição, o campus do Arizona foi aberto em setembro de 2022. O programa oferece horários flexíveis, cursos acelerados, orientação acadêmica, apoio para transporte, creche gratuita e preparação para carreiras profissionais.
O modelo procura atender obstáculos comuns entre estudantes adultos, como trabalho, filhos pequenos, falta de transporte e dificuldade para organizar os horários. Cada aluno pode contar com acompanhamento para identificar problemas que ameaçam sua permanência nas aulas.
O Departamento de Educação do Arizona inclui o Goodwill Excel Center entre os provedores reconhecidos de programas de conclusão do ensino médio para adultos. Desde a abertura, a unidade já concedeu mais de 450 diplomas e certificações profissionais, conforme os dados divulgados por ocasião da formatura de 2026.
Depois de anos separados da escola, mãe e filho começaram novos caminhos
Para Melody, a formatura abriu a possibilidade de disputar vagas ligadas à certificação obtida durante o curso. O diploma também retirou uma pendência que a acompanhava desde a juventude e limitava suas opções profissionais.
Cecil deixou para trás a interrupção causada pelo ensino remoto e agora pode planejar uma formação voltada à animação. A etapa concluída em junho não apagou as dificuldades enfrentadas durante a pandemia, mas devolveu ao jovem uma credencial necessária para buscar cursos e empregos.
Os dois também perderão uma rotina que acabou aproximando a família. Durante meses, as viagens, as aulas e os estudos fizeram com que mãe e filho dividissem uma experiência que nenhum deles havia imaginado viver em conjunto.
Você conhece alguém que precisou voltar à escola depois de adulto? Conte nos comentários quais obstáculos essa pessoa enfrentou e que tipo de apoio permitiu a conclusão dos estudos. Sua experiência pode ampliar o debate sobre escolas gratuitas para adultos e permanência estudantil.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

