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Mãe de seis filhos ficou 18 anos longe da escola, trabalhou como auxiliar de serviços gerais e hoje vai de bicicleta para a EJA após o filho de 17 anos incentivá-la a voltar a estudar, enquanto alimenta o sonho de chegar à faculdade de Medicina

Mãe de seis filhos ficou 18 anos longe da escola, trabalhou como auxiliar de serviços gerais e hoje vai de bicicleta para a EJA após o filho de 17 anos incentivá-la a voltar a estudar, enquanto alimenta o sonho de chegar à faculdade de Medicina

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Mãe de seis filhos ficou 18 anos longe da escola, trabalhou como auxiliar de serviços gerais e hoje vai de bicicleta para a EJA após o filho de 17 anos incentivá-la a voltar a estudar, enquanto alimenta o sonho de chegar à faculdade de Medicina

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 09/08/2026 às 23:57

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Mãe de seis filhos retoma os estudos pela EJA após 18 anos, com apoio do filho, e passa a sonhar com uma futura graduação em Medicina.

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Depois de quase duas décadas distante da sala de aula, uma mãe de seis filhos reorganizou a rotina, retomou conteúdos básicos e passou a enxergar novas possibilidades para o futuro após receber incentivo dentro de casa e encontrar na educação um caminho para reconstruir sua trajetória.

Após 18 anos longe da sala de aula, Edlene Miguel Silva decidiu retomar os estudos em Boa Vista, Roraima, conciliando a rotina de mãe de seis filhos com um novo projeto para a própria formação.

Aos 34 anos, encontrou na Educação de Jovens e Adultos uma oportunidade de continuar a escolarização e passou a ir de bicicleta até a escola, incentivada principalmente pelo filho mais velho, de 17 anos.

O retorno às aulas também ampliou os planos de Edlene.

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Além de perceber avanços em disciplinas que antes representavam dificuldades, ela afirma que sonha em cursar Medicina, transformando a retomada da educação básica em ponto de partida para um objetivo acadêmico mais distante.

A trajetória foi divulgada pela Prefeitura de Boa Vista, responsável por acompanhar estudantes atendidos pela EJA na rede municipal.

Segundo o relato publicado pelo município, Edlene havia trabalhado como auxiliar de serviços gerais e decidiu voltar à escola porque desejava mudar sua realidade por meio dos estudos.

Embora o incentivo familiar tenha ocupado papel importante nesse processo, a própria estudante também atribuiu o recomeço à vontade de transformar a vida.

Assim, depois de quase duas décadas afastada da rotina escolar, estudar voltou a ocupar espaço entre suas responsabilidades diárias.

Retorno à EJA após 18 anos longe da escola

Recomeçar exigiu uma reorganização da rotina.

Moradora do bairro Caranã, Edlene utiliza uma bicicleta para chegar às aulas e passou a recuperar conhecimentos interrompidos ao longo dos anos, retomando gradualmente o contato com conteúdos escolares.

Entre as disciplinas, matemática e português estão nas áreas em que ela relata ter percebido evolução desde que voltou a estudar.

Esse progresso ajudou a ampliar seus planos, que passaram a ultrapassar a conclusão da etapa escolar em andamento e alcançar novas possibilidades de formação.

Dentro de casa, parte importante do estímulo veio justamente de uma geração mais nova.

O filho mais velho, de 17 anos, foi apontado por Edlene como quem mais a incentivou a retornar aos estudos, assumindo papel decisivo em uma escolha que poderia ter continuado adiada.

A dinâmica familiar ganhou, assim, um novo sentido.

Enquanto pais costumam acompanhar a vida escolar dos filhos, nesse caso foi o adolescente quem ajudou a mãe a recuperar uma trajetória educacional interrompida muitos anos antes.

Filho de 17 anos incentivou a mãe a voltar a estudar

Mãe de seis filhos retoma os estudos pela EJA após 18 anos, com apoio do filho, e passa a sonhar com uma futura graduação em Medicina.

É na rede municipal de Boa Vista que Edlene frequenta a Educação de Jovens e Adultos.

De acordo com a Prefeitura, a modalidade é oferecida em 11 escolas municipais para pessoas a partir dos 15 anos que precisam concluir os anos iniciais do Ensino Fundamental.

Na organização adotada pelo município, o primeiro segmento abrange da 1ª à 4ª série, enquanto cada etapa corresponde a um semestre.

Dessa maneira, esse ciclo pode ser concluído em até dois anos pelos estudantes atendidos na modalidade.

Foi nesse ambiente que Edlene começou a estabelecer objetivos que vão além da retomada da educação básica.

À medida que percebeu avanços no aprendizado, passou a considerar a continuidade dos estudos e declarou que seu sonho é fazer Medicina.

A faculdade permanece como um objetivo futuro, mas já integra os planos relatados pela estudante depois de sua volta à escola.

Após 18 anos distante dos conteúdos formais, a experiência na EJA abriu espaço para que ela voltasse a projetar etapas acadêmicas que antes não faziam parte de sua rotina.

Sonho de cursar Medicina surgiu após retomada dos estudos

Entre a antiga ocupação e o objetivo acadêmico existe um contraste que ajuda a dimensionar a mudança descrita por Edlene.

Ela contou à Prefeitura que já trabalhou como auxiliar de serviços gerais e decidiu buscar nos estudos uma possibilidade de alterar sua realidade.

Nesse processo, a entrada na EJA não representou apenas a retomada de conteúdos escolares, mas também o momento em que passou a considerar caminhos educacionais que anteriormente não faziam parte de sua rotina.

O retorno transformou uma escolarização interrompida em um projeto novamente presente no cotidiano.

Também faz parte desse recomeço o deslocamento de bicicleta até a escola.

Mais do que uma intenção, voltar a estudar passou a exigir presença nas aulas, adaptação aos horários e dedicação aos conteúdos depois de um longo período distante desse ambiente.

No início, segundo relatou Edlene, a experiência trouxe dificuldades.

Com o avanço das aulas, porém, ela passou a perceber melhora no desempenho e recuperou a confiança necessária para continuar aprendendo.

Educação de Jovens e Adultos atende diferentes trajetórias

Nas turmas da EJA, professores da rede municipal acompanham estudantes de diferentes idades e com trajetórias marcadas pela interrupção escolar.

A Prefeitura de Boa Vista informa que o trabalho procura combinar o ensino dos conteúdos com estímulos à permanência dos alunos, muitos deles adultos que retornam à sala de aula depois de anos dedicados ao trabalho, à família ou a outras responsabilidades.

No caso de Edlene, a retomada ocorreu enquanto ela continuava inserida em uma família numerosa e assumia novamente o papel de estudante.

As responsabilidades já existentes permaneceram, mas passaram a dividir espaço com aulas, deslocamentos e atividades escolares.

O apoio do filho aproximou ainda mais duas experiências educacionais dentro da mesma casa.

Aos 17 anos, ele tornou-se uma referência importante para que a mãe enfrentasse a volta às aulas, enquanto Edlene começou a reconstruir uma trajetória interrompida havia 18 anos.

Mesmo com esse incentivo, a estudante atribuiu a si própria grande parte da motivação para continuar.

O apoio familiar, porém, acrescentou à rotina um estímulo para permanecer na escola e imaginar etapas posteriores de formação.

Da educação básica ao projeto de chegar à universidade

O tamanho do caminho pretendido por Edlene também chama atenção.

Seu ponto de partida está na retomada da educação básica pela EJA, enquanto o objetivo declarado está no ensino superior, em uma graduação de Medicina.

Entre uma etapa e outra existem diferentes fases escolares a serem cumpridas.

Ainda assim, o plano apresentado pela própria estudante já revela uma mudança importante: depois de quase duas décadas afastada da escola, ela voltou a considerar uma formação universitária como parte do futuro.

Os primeiros efeitos desse retorno aparecem nos conhecimentos recuperados em sala de aula.

A evolução relatada em português e matemática acompanha uma rotina na qual o deslocamento de bicicleta e a presença nas aulas passaram a coexistir com as responsabilidades familiares.

Nesse novo cotidiano, a escolarização interrompida deixou de permanecer apenas no passado e voltou a fazer parte da vida de Edlene.

O que antes era uma etapa abandonada passou novamente a exigir horários, dedicação e continuidade.

Enquanto frequenta a EJA, ela mantém o objetivo de avançar nos estudos e alcançar níveis mais altos de formação acadêmica.

Ao mesmo tempo, o filho adolescente que a incentivou a retornar acompanha de perto uma mãe que, depois de 18 anos fora da sala de aula, voltou a construir planos ligados à educação.

Quantas outras pessoas que deixaram a escola há anos poderiam reconstruir seus planos ao encontrar apoio para voltar a estudar?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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