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Mãe de três filhos fugiu da violência doméstica, trabalhou em vários empregos, dividiu camas com as crianças em um abrigo e estudava enquanto elas dormiam, até se formar, conquistar dois mestrados e ficar entre 100 educadores homenageados pela Disney após uma seleção com mais de 7,9 mil candidatos
Escrito por Ana Alice
Publicado em 14/08/2026 às 07:54
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Da violência doméstica e da falta de moradia à formação universitária, a trajetória de Crystal Allenton reúne maternidade, trabalho, dois mestrados e uma homenagem pública que transformou anos de dificuldades em referência para outros estudantes.
Em 2014, Crystal Allenton fazia trabalhos da faculdade enquanto dividia com os três filhos o pouco espaço disponível em um abrigo para famílias sem moradia, em Olympia, no estado de Washington, nos Estados Unidos.
Ela havia deixado uma situação de violência doméstica, enfrentava períodos de moradia instável e trabalhava em diferentes atividades para sustentar as crianças.
Ainda assim, estava perto de completar uma formação universitária iniciada quando tinha cerca de 30 anos.
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A graduação veio depois.
Crystal tornou-se professora e, segundo a CBS News e a KING 5, acabou conquistando também dois mestrados.
Anos mais tarde, sua antiga universidade decidiu transformar aquela trajetória em uma imagem impossível de passar despercebida: um grande mural com seu rosto no centro de Olympia.
A homenagem foi encomendada pela WGU Washington, ligada à Western Governors University, e instalada na fachada do histórico Capitol Theater.
Em vez de enxergar o retrato apenas como uma celebração pessoal, Crystal disse esperar que a obra servisse como sinal de esperança para quem a encontrasse.
A história não terminou com o mural de 2021.
Em 2023, Crystal apareceu entre 100 educadores selecionados para uma homenagem do Disney Imagination Campus, enquanto atuava no sistema de escolas públicas de Seattle.
Atualmente, páginas de instituições da região de Washington também a apresentam como professora certificada de música e teatro, proprietária de uma empresa familiar ligada às artes e estudante de doutorado em Leadership Studies na Saint Martin’s University.
Violência doméstica levou Crystal Allenton a recomeçar com os filhos
Crystal contou à CBS News que a mudança em sua vida começou quando ela e os filhos precisaram sair de casa por causa da violência doméstica.
“Meus filhos e eu começamos essa nova vida, e foi porque havia violência doméstica em nossa casa”, relatou na entrevista publicada em abril de 2021.
A busca por segurança veio acompanhada de outra decisão.
Segundo Crystal, depois de encontrar um lugar seguro para ficar, um dos passos seguintes foi fazer o exame necessário para entrar na faculdade.
Ela enxergava a educação como parte da possibilidade de reconstruir a própria vida e oferecer outra perspectiva aos três filhos.
Uma reportagem posterior da Seattle Business Magazine acrescentou que Crystal havia crescido em Lacey, no estado de Washington, e chegou a viver nas Filipinas antes de retornar aos Estados Unidos com as crianças.
Faculdade começou enquanto Crystal criava três filhos
A CBS News informou que Crystal entrou na faculdade em 2010, quando tinha 30 anos.
A rotina acadêmica estava longe de acontecer em condições estáveis.
Enquanto estudava, ela trabalhava em diferentes empregos e passava períodos hospedada com os filhos na casa de amigos.
A Seattle Business Magazine registrou que, durante essa fase, Crystal passou pelo Centralia Community College antes de estudar na WGU Washington.
Para conseguir renda, ela conciliou atividades como professora em meio período, garçonete, babá e trabalho em um centro de apoio a gestantes.
Os estudos ficavam para os espaços disponíveis no meio dessa rotina.
Quando as crianças dormiam, Crystal aproveitava para fazer tarefas.
Em outros momentos, trabalhava enquanto os filhos descansavam.
A organização do tempo se tornaria ainda mais difícil quando a família perdeu novamente a estabilidade de moradia.
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Em 2014, Crystal e os filhos chegaram a um abrigo de Olympia
No último período da graduação, a situação ficou especialmente difícil.
Em 2014, Crystal e os três filhos foram para o Pear Blossom Place, um abrigo destinado a famílias em Olympia.
A CBS News relatou que mãe e crianças chegaram a compartilhar camas no local.
Crystal disse que aquele momento foi devastador justamente porque sentia estar muito perto de concluir a faculdade.
Até conseguir uma vaga no abrigo havia sido difícil.
“Havia momentos em que eu chorava, rezava e simplesmente me perguntava o que aconteceria conosco”, contou à CBS.
Outro relato publicado pela Seattle Business Magazine descreveu um período em que Crystal fazia trabalhos acadêmicos em um espaço de cerca de 100 pés quadrados, aproximadamente 9 metros quadrados, compartilhado com as crianças e outra família.
Mesmo naquele cenário, ela continuou estudando.
Crystal queria que os filhos vissem estudo e dificuldade coexistindo
A decisão de permanecer na faculdade não era apresentada por Crystal como tentativa de esconder dos filhos as dificuldades da família.
Era justamente o contrário.
“Eu queria que meus filhos vissem que você pode ser ambicioso e também pode enfrentar dificuldades”, afirmou.
Segundo ela, a rotina precisava equilibrar momentos dedicados às crianças e horas reservadas aos estudos.
Crystal fazia atividades acadêmicas depois que os filhos iam dormir ou enquanto eles cochilavam.
A mensagem que queria transmitir era que poderia cuidar deles e, ao mesmo tempo, valorizar a própria educação.
Os três filhos também se transformaram, nas palavras dela, em seus maiores apoiadores.
Escola dos filhos ajudou a família a encontrar moradia
Uma mudança prática ocorreu por meio da escola frequentada pelas crianças.
O local contava com um profissional responsável por acompanhar estudantes em situação de falta de moradia.
Esse contato aproximou Crystal de organizações capazes de ajudá-la a buscar uma solução mais permanente.
A Seattle Business Magazine informou que ela também conseguiu um auxílio emergencial de algumas centenas de dólares.
Com essa rede de apoio, Crystal e os filhos deixaram o abrigo e conseguiram se mudar para um apartamento.
A mudança não eliminava os anos de instabilidade enfrentados pela família, mas significava que os quatro voltavam a ter uma casa enquanto Crystal avançava na formação acadêmica.
Assista o vídeo
Graduação abriu caminho para carreira de professora e dois mestrados
A CBS News registra que Crystal concluiu a graduação em 2015 e passou a trabalhar como professora de música.
Uma reportagem da Seattle Business Magazine publicada no mesmo período geral traz uma pequena divergência temporal e situa a conclusão do bacharelado em Educação Especial em 2016.
Apesar da diferença entre as fontes sobre o ano exato, ambas confirmam o ponto central: Crystal terminou a faculdade depois do período em que viveu com os filhos em situação de falta de moradia e seguiu profissionalmente para a educação.
A Seattle Business informou ainda que ela completou posteriormente um mestrado em ensino de língua inglesa.
Já a CBS News e uma reportagem patrocinada pela WGU na KING 5 registraram que Crystal conquistou dois mestrados ao longo da trajetória acadêmica.
Em 2021, a CBS relatava que ela também considerava buscar uma certificação para trabalhar como diretora escolar.
De professora de música ao ensino de inglês
Depois da graduação, Crystal construiu uma carreira em áreas diferentes da educação.
A CBS informou que ela começou como professora de música e posteriormente passou a ensinar estudantes de língua inglesa em uma escola de ensino médio na Pensilvânia.
A experiência profissional também envolveu educação especial.
A WGU destacou posteriormente que Crystal havia atuado com música, aprendizagem de inglês e estudantes que precisavam de atendimento educacional específico.
Anos depois, novos registros colocariam a professora novamente no estado de Washington.
Western Governors University transformou trajetória em mural
Em abril de 2021, Crystal retornou a Olympia para encontrar uma versão de sua história ocupando uma parede inteira.
A WGU Washington havia encomendado um mural no exterior do Capitol Theater, no centro da cidade, como parte das comemorações pelos dez anos de atuação da instituição no estado.
O retrato foi criado pelo artista de Seattle Jeff “Weirdo” Jacobson.
A escolha de Crystal estava relacionada justamente à combinação entre maternidade, falta de moradia e perseverança na universidade.
Para ela, porém, a imagem não deveria ser entendida apenas como um retrato individual.
“Isso não é apenas o meu rosto em uma parede”, disse Crystal.
Ela afirmou esperar que o mural fosse um “farol de esperança e encorajamento” para as pessoas que passassem pelo local ou conhecessem a história por outros meios.
Filha acompanhou homenagem anos depois do abrigo
A homenagem também permitiu que os filhos enxergassem de outra forma uma trajetória que viveram desde dentro.
Em reportagem da FOX 13 Seattle, uma das filhas de Crystal afirmou que o mural funcionava como um lembrete para continuar avançando mesmo quando a vida se torna difícil.
As crianças que haviam dividido camas com a mãe no abrigo já estavam mais velhas quando aquela parede passou a contar parte da história da família.
Em reportagem de 2021, Crystal disse que os filhos eram seus maiores incentivadores e que sabia que eles se orgulhavam dela.
Crystal Allenton voltou a ser reconhecida como professora em 2023
Dois anos depois do mural, outro reconhecimento colocou o nome de Crystal em evidência.
Em 2023, ela foi incluída entre os 100 educadores selecionados para uma celebração do Disney Imagination Campus, realizada na Califórnia.
Os organizadores informaram que os cem professores foram escolhidos entre mais de 7,9 mil candidaturas de diferentes partes dos Estados Unidos.
Crystal apareceu na relação representando o estado de Washington.
As escolas públicas de Seattle a identificaram naquele momento como professora da Hazel Wolf K-8.
A atualização mostrava que a carreira na educação continuava anos depois da reportagem que havia tornado sua história conhecida nacionalmente.
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Ana Alice
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Arte e doutorado aparecem na fase mais recente da trajetória
Registros atualmente disponíveis acrescentam outro capítulo à vida profissional de Crystal.
A Fuzi Dance Etc., empresa localizada em Lacey, no estado de Washington, apresenta Crystal Allenton como proprietária do negócio ao lado de uma história familiar ligada à dança e às artes cênicas.
A página cita nominalmente os três filhos, Natalie, Isabelle e Judah, e descreve experiências da família com dança, direção e apresentações.
Já a Olympia Dance Center apresenta Crystal em seu corpo docente na área de atuação.
Segundo a instituição, ela é professora certificada de música e teatro, possui experiência em direção e performance e cursa um PhD em Leadership Studies na Saint Martin’s University.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

