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Mãe deixa o filho de 4 anos no Brasil, vai sozinha para Portugal e mergulha numa rotina de limpeza que chegava a 15 horas por dia para pagar a passagem e reconstruir a vida da família; exatamente um ano depois consegue trazê-lo, ganha milhares de seguidores mostrando a realidade de imigrante e abre uma agência de viagens
Escrito por Carla Teles
Publicado em 31/08/2026 às 16:58
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Samy Nunes saiu do Brasil em 2018, deixou o filho Enzo, então com 4 anos, com o pai e entrou na limpeza em Portugal, numa rotina entre 8h e 23h, com duas horas de intervalo. Um ano depois, conseguiu trazê-lo, ganhou 43 mil seguidores e abriu uma agência de viagens.
A limpeza não fazia parte da experiência profissional de Samires Silva Nunes, a Samy, antes de sua mudança para Portugal. Maranhense, ela vivia em Valparaíso de Goiás, trabalhava como subgerente de uma loja de tecidos e tinha um filho pequeno quando decidiu atravessar o Atlântico em 2018. Enzo, então com quatro anos, permaneceu no Brasil com o pai enquanto a mãe buscava estabelecer condições para levá-lo posteriormente.
Nos primeiros meses, a rotina de Samy passou a girar em torno do trabalho. Contratada como autônoma, ela ficava ocupada entre 8h e 23h, com uma pausa de duas horas, período que também aproveitava para fazer faxinas particulares. Nos finais de semana, continuava aceitando serviços extras. O objetivo declarado era acumular dinheiro para a passagem do filho e criar as condições necessárias para a reunificação familiar.
Mudança para Portugal começou em novembro de 2018
A decisão de migrar começou a tomar forma quando o companheiro de Samy, Vilhasmar de Jesus Dias, conhecido como Willian, foi para Portugal e encontrou emprego em uma empresa de limpeza. Samy fez a mudança definitiva em novembro de 2018, segundo reportagem publicada pelo DN Brasil em 7 de outubro de 2024.
No Brasil, ela já tinha sido casada e se divorciado, morava em um estúdio e trabalhava no comércio. Segundo seu relato, também pesquisava o sistema educacional português enquanto avaliava as perspectivas que queria construir para o filho.
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A mudança ocorreu quando Samy tinha 24 anos e ainda não existia em Portugal o atual visto de procura de trabalho, criado posteriormente. Ela entrou no país como turista, condição que a própria reportagem ressalta não ser recomendada como estratégia migratória.
Filho de 4 anos permaneceu no Brasil com o pai
Samy viajou sem Enzo. O menino ficou com o pai e ex-marido dela no Brasil enquanto a mãe iniciava o processo de instalação em Portugal. A separação deveria ser temporária, mas dependia de dinheiro para a passagem e das condições necessárias para reunir novamente a família.
Em seu relato ao DN Brasil, Samy afirmou que a distância do filho foi a parte mais difícil daquele primeiro período. O trabalho em limpeza passou a ter uma função financeira muito concreta: permitir que ela reunisse recursos para trazer Enzo.
O processo também dependia do reagrupamento familiar. Assim, trabalhar mais não significava apenas aumentar a renda mensal, mas sustentar uma etapa migratória que ainda estava incompleta.
Rotina começava às 8h e terminava às 23h
Na empresa prestadora de serviços de limpeza, Samy trabalhava pelo sistema de recibos verdes, modelo utilizado por trabalhadores independentes em Portugal. Sua rotina começava às 8h e se estendia até as 23h, com duas horas de intervalo.
É importante fazer a distinção: esse intervalo significa que não eram 15 horas líquidas de serviço. A janela entre início e fim da rotina chegava a 15 horas, mas duas delas correspondiam a uma pausa.
Mesmo esse período, porém, nem sempre era destinado ao descanso. Samy contou que utilizava parte do intervalo para fazer faxinas em residências particulares na região da Parede, próxima ao quartel de bombeiros onde mantinha um serviço fixo.
Nos finais de semana, continuava fazendo trabalhos extras de limpeza. O dinheiro adicional era direcionado ao objetivo de trazer o filho para Portugal.
Limpeza também aparece como porta de entrada para brasileiros em Portugal
A experiência de Samy se insere em um cenário mais amplo do mercado de trabalho imigrante. Reportagem de O Estado baseada nos Censos de Portugal de 2021 apontou que 8,4% dos cidadãos brasileiros no país declaravam trabalhar no setor de limpeza.
A atividade aparecia como a ocupação mais comum entre brasileiros naquele levantamento. Entre os fatores apresentados estavam oferta de vagas e facilidade comparativamente maior de entrada no setor para estrangeiros recém-chegados.
Samy também contou àquela reportagem que nunca havia trabalhado com faxina antes da mudança. A limpeza apareceu não como uma profissão planejada antes da migração, mas como uma das oportunidades de trabalho encontradas depois da chegada.
Além do serviço fixo, ela passou a limpar casas particulares para complementar os rendimentos.
Depois de um ano, Enzo conseguiu se juntar à mãe
Segundo Samy, exatamente um ano depois de sua ida para Portugal ela conseguiu reunir as condições para trazer o filho. O DN Brasil registra que Enzo chegou no início de 2020, pouco antes da pandemia de Covid-19.
A cronologia publicada traz, portanto, essas duas referências: a mudança definitiva de Samy ocorreu em novembro de 2018; ela relata ter conseguido trazer Enzo após exatamente um ano; e a reportagem situa a chegada do menino no início de 2020.
Depois da chegada, a família encontrou uma vaga em uma creche próxima de casa, em Cascais. Segundo Samy, o sistema de coparticipação deixava a mensalidade em 66 euros, com alimentação incluída naquele período.
A reunificação também alterou novamente a organização do trabalho de Samy, que passou a buscar uma rotina com mais disponibilidade para acompanhar o filho.
Faxinas particulares substituíram emprego na empresa de limpeza
Para conseguir mais tempo com Enzo, Samy deixou a empresa de limpeza e passou a trabalhar diretamente em residências particulares. Em uma dessas casas, chegou também a exercer temporariamente a função de cuidadora de idosos.
A mudança preservava sua fonte de renda dentro do mesmo setor, mas alterava a forma como os horários eram organizados. A limpeza continuava financiando a rotina familiar, porém com maior possibilidade de administrar os serviços de maneira independente.
Em outra entrevista, Samy explicou que cobrava, em alguns trabalhos, cerca de 10 euros por hora. Ela afirmou que, apesar do cansaço, a atividade podia proporcionar rendimentos considerados interessantes quando havia volume de serviços.
O trabalho doméstico, portanto, permaneceu central mesmo depois da reunificação familiar.
Vídeos começaram mostrando a rotina real de uma imigrante
Foi justamente essa experiência que acabou abrindo uma nova frente profissional. Amigas que continuavam no Brasil pediam que Samy mostrasse nas redes sociais como era viver em Portugal.
A expectativa inicial das amigas era acompanhar paisagens, atrações e outros aspectos turísticos do país. Samy decidiu seguir por outro caminho. Como sua realidade estava muito mais ligada ao trabalho, começou a produzir conteúdo sobre a rotina na área da limpeza.
Os vídeos também passaram a apresentar situações da vida de uma imigrante brasileira e informações para pessoas interessadas em Portugal.
Pouco a pouco, o público cresceu. Em vez de esconder a profissão que exercia, Samy transformou o cotidiano dos serviços domésticos em parte central do conteúdo publicado na internet.
Perfil ultrapassou 43 mil seguidores
Quando o DN Brasil publicou a história, em outubro de 2024, Samy já acumulava mais de 43 mil seguidores. O público vinha tanto do Brasil quanto de Portugal.
A maior parte do conteúdo era publicada em vídeos curtos, com episódios da vida de imigrante, experiências do trabalho e orientações relacionadas à mudança para o país europeu.
A mesma rotina de limpeza que havia começado como fonte de renda depois da migração passou a fornecer o assunto que ampliou sua presença digital.
Esse crescimento criou uma segunda mudança profissional. A rede social não trouxe apenas audiência: por meio dela, Samy conheceu a pessoa que se tornaria sua sócia em um novo negócio.
Seguidores ajudaram a abrir caminho para uma agência de viagens
Segundo a reportagem, a conexão feita pelas redes sociais resultou na abertura de uma agência de viagens especializada principalmente na venda de passagens aéreas entre Brasil e Portugal.
O novo negócio estava diretamente conectado ao público que já acompanhava Samy. Parte buscava viajar a turismo, enquanto outra parcela avaliava a possibilidade de estabelecer uma nova vida em Portugal.
Assim, a sequência profissional deixou de ser apenas comércio no Brasil seguido de limpeza no exterior. Samy passou por trabalho em empresa terceirizada, faxinas particulares, produção de conteúdo digital e, posteriormente, atuação no mercado de viagens.
Em entrevista anterior citada por O Estado, ela já relatava ter deixado de viver exclusivamente das faxinas e passado a se dedicar ao trabalho na internet e à venda de passagens aéreas.
Trabalho na limpeza permaneceu como parte central do conteúdo
Mesmo depois da mudança profissional, Samy não apagou das redes o período em que trabalhava com limpeza. Ao contrário, a experiência continuou sendo parte da identidade de seu conteúdo.
Ela afirmou em entrevista que nunca teve vergonha de mostrar o trabalho que realizava porque era daquela atividade que vinha sua renda. A profissão também permitiu que sua audiência acompanhasse um lado da imigração menos centrado em turismo e mais próximo do cotidiano de quem chega ao país buscando inserção no mercado.
A realidade retratada incluía serviços domésticos, jornadas extensas, adaptação, documentação, renda e organização familiar.
Isso ajuda a explicar por que o perfil encontrou público entre brasileiros interessados em saber como funciona a vida de imigrante para além dos aspectos turísticos de Portugal.
Caso de Samy reúne trabalho, migração e mudança profissional
A trajetória documentada pelas reportagens começa no comércio brasileiro e passa por uma mudança internacional em 2018. Em Portugal, Samy encontrou espaço no setor de limpeza, primeiro como trabalhadora ligada a uma empresa e depois atendendo casas particulares.
Durante o primeiro ano, concentrou esforços financeiros em trazer Enzo, que havia permanecido com o pai no Brasil. Depois da reunificação, ajustou novamente a rotina profissional para acompanhar o filho.
Anos depois, o próprio trabalho de limpeza se tornou matéria-prima para vídeos que atraíram dezenas de milhares de seguidores, e a audiência acabou conectando Samy a uma sócia para criar uma agência de viagens voltada principalmente ao fluxo entre Brasil e Portugal.
O caso também expõe uma questão mais ampla sobre trabalhadores brasileiros que chegam ao exterior e passam por setores diferentes daqueles em que atuavam no Brasil. Na sua opinião, o que pesa mais para um imigrante conseguir mudar de área profissional: oportunidade de trabalho, regularização, rede de contatos ou capacidade de transformar a experiência inicial em outro negócio? Conte nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

