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Mãe na adolescência e primeira da família a cursar faculdade, ela vestiu a beca de mestrado e posou no morangal onde os pais vindos de Oaxaca trabalhavam de sol a sol, na foto que correu o mundo

Mãe na adolescência e primeira da família a cursar faculdade, ela vestiu a beca de mestrado e posou no morangal onde os pais vindos de Oaxaca trabalhavam de sol a sol, na foto que correu o mundo

6 min de leitura

Mãe na adolescência e primeira da família a cursar faculdade, ela vestiu a beca de mestrado e posou no morangal onde os pais vindos de Oaxaca trabalhavam de sol a sol, na foto que correu o mundo

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 06/08/2026 às 21:21

Atualizado em 06/08/2026 às 21:27

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Ela vestiu a beca de mestrado e levou os pais ao morangal onde trabalhavam, na Califórnia. A foto correu o mundo e virou livro.

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Erica Alfaro pediu que Claudio Alfaro e Teresa Herrera posassem com ela, de roupa de trabalho, nos campos de morango de Carlsbad, na Califórnia. A imagem é de maio de 2019. Cinco anos depois, ela transformou a história em livro, disponível em bibliotecas de Los Angeles.

Os pais apareceram na foto com a roupa de trabalho. Ela, com beca e capelo. O cenário não foi escolhido por acaso: era o morangal de Carlsbad, na Califórnia, um dos campos onde Claudio Alfaro e Teresa Herrera passaram anos trabalhando dez horas por dia, sete dias por semana, depois de deixarem Oaxaca, no México.

A imagem viralizou em maio de 2019, quando Erica Alfaro concluiu o mestrado em Educação pela Universidade Estadual de San Diego. Ela foi a primeira da família a cursar faculdade, e em 2024 transformou a história em um livro chamado Colhendo Sonhos, conforme reportagem de Sandra Bonilla publicada pela NBC Los Angeles em maio daquele ano.

Quem são as pessoas na fotografia

Ela vestiu a beca de mestrado e levou os pais ao morangal onde trabalhavam, na Califórnia. A foto correu o mundo e virou livro.

Teresa Herrera e Claudio Alfaro vieram de Oaxaca, no sul do México, e falam mixteco, uma língua indígena. Migraram separadamente para os Estados Unidos e se conheceram depois.

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Nenhum dos dois teve oportunidade de estudar, e ambos não sabem ler nem escrever. Ela trabalhou por anos em campos de tomate, morango, framboesa e mirtilo. Ele passou depois a atuar com paisagismo. À época da foto, tinham 51 e 50 anos, respectivamente.

A infância dividida entre dois países

Erica nasceu em Fresno, na Califórnia, mas foi criada em Tijuana, no México, para onde a família voltou enquanto a mãe providenciava a residência americana.

Durante aquele período, ela atravessava a fronteira todos os dias para ir à escola. Aos 13 anos, a família se mudou para Oceanside, na Califórnia. Lá, dividiram apartamento com outra família, somando 11 pessoas no mesmo espaço. As publicações divergem sobre o tamanho do imóvel: a CNN e a CBS informam um quarto, enquanto o registro feito no Congresso americano fala em dois.

A frase que ela nunca esqueceu

A origem de tudo cabe em uma conversa nos campos de tomate. Ela tinha 13 anos quando a mãe a levou para trabalhar junto.

Ela reclamou do cansaço. A resposta da mãe foi curta e definiu o resto da vida dela: aquela era a vida deles, e as únicas pessoas com boa vida eram as que tinham boa educação. Erica repetiu essa frase em praticamente todas as entrevistas que deu depois da foto viral, sempre creditando à mãe a origem da decisão de voltar a estudar.

A interrupção que quase encerrou a história

Ela vestiu a beca de mestrado e levou os pais ao morangal onde trabalhavam, na Califórnia. A foto correu o mundo e virou livro.

O percurso escolar dela foi interrompido na adolescência. Ela engravidou aos 15 anos e abandonou o ensino médio.

O relato dela sobre o período que veio depois é breve e ela nunca entrou em detalhes. Contou apenas que estava presa em um relacionamento abusivo e que a virada aconteceu em uma noite específica, quando foi obrigada a dormir do lado de fora com o bebê. Foi naquela madrugada que decidiu voltar para a escola. Deixou Fresno e retornou a Oceanside.

A escada que ela subiu degrau por degrau

O retorno aos estudos não foi direto para a universidade. Ela concluiu o ensino médio por meio de um programa de ensino domiciliar, o que permitiu recuperar a etapa perdida sem voltar à sala de aula convencional.

Depois disso, matriculou-se em um curso de nível técnico superior no MiraCosta College. Em seguida veio o bacharelado pela Universidade Estadual da Califórnia em San Marcos, concluído em 2017. E, dois anos mais tarde, o mestrado em Educação pela Universidade Estadual de San Diego, com concentração em orientação e aconselhamento.

O dia da foto

A sessão de fotos aconteceu poucos dias antes da colação de grau, no morangal de Carlsbad. Ela pediu aos pais que posassem exatamente como estavam ao trabalhar.

Ao publicar as imagens nas redes sociais, escreveu que dedicava o mestrado aos pais com muito carinho, e que o sacrifício deles ao vir para aquele país para dar um futuro melhor aos filhos tinha valido a pena. A cerimônia de formatura aparece como 19 de maio em algumas coberturas e 20 de maio em outras. O material publicado pelo site dela descreve o registro como a primeira foto de formatura a viralizar e ganhar manchetes no mundo inteiro.

O que os pais disseram

Ela vestiu a beca de mestrado e levou os pais ao morangal onde trabalhavam, na Califórnia. A foto correu o mundo e virou livro.

A reação deles ficou registrada nas entrevistas concedidas anos depois, quando o livro foi lançado. O pai afirmou que a família estava orgulhosa por ela ter realizado os próprios sonhos.

A mãe foi mais específica sobre o próprio percurso. Disse que tudo valeu a pena, incluindo os sacrifícios que fez e o trabalho no campo, e que se sentia muito orgulhosa da filha. Erica acrescentou que, apesar de vir de uma família em que os pais não tiveram a chance de aprender a ler e escrever, se considera afortunada, porque eles lhe ensinaram o mais importante: lutar pelos próprios sonhos, independentemente da origem, e fazer diferença na vida dos outros.

O que ela fez depois

A foto virou porta de entrada para outra carreira. Ela passou a atuar como palestrante motivacional, falando sobre a própria trajetória e sobre o valor da educação superior.

Também trabalhou no departamento de recursos humanos de uma empresa produtora de tomates em Oceanside, informando trabalhadores rurais sobre os direitos deles. Em setembro de 2021, foi reconhecida pelo deputado federal Mike Levin como constituinte do mês, com registro no diário oficial do Congresso americano. O objetivo profissional declarado por ela em 2019 era tornar-se orientadora escolar.

O livro e para quem ele foi escrito

O livro Colhendo Sonhos chegou às bibliotecas da cidade de Los Angeles em 2024, em espanhol e em inglês. Ele conta justamente a história por trás da fotografia.

O público que ela mira é específico. Segundo o relato dela, quer alcançar estudantes sub-representados, sobreviventes de violência doméstica e mães adolescentes. A mensagem que ela repete é direta: que estudem, porque existe a capacidade de mudar a própria vida e o poder está na educação. Para ela, disse, foi a saída de uma vida de pobreza. À época da foto, o filho dela tinha 13 anos, a mesma idade que ela tinha quando ouviu a frase da mãe no campo de tomate.

E você, conhece alguém que voltou a estudar depois de interromper por causa da vida? Conta aqui nos comentários como foi essa história, e diga o que na sua opinião mais pesa para alguém retomar os estudos depois de anos fora da escola.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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