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Mãe passou 48 anos trabalhando como vendedora, criou os filhos sem ter sido alfabetizada, viu a filha se tornar professora e agora voltou à escola pela EJA aos 74 anos, onde chegou a ser aluna da própria filha e aprendeu a escrever o próprio nome

Mãe passou 48 anos trabalhando como vendedora, criou os filhos sem ter sido alfabetizada, viu a filha se tornar professora e agora voltou à escola pela EJA aos 74 anos, onde chegou a ser aluna da própria filha e aprendeu a escrever o próprio nome

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Mãe passou 48 anos trabalhando como vendedora, criou os filhos sem ter sido alfabetizada, viu a filha se tornar professora e agora voltou à escola pela EJA aos 74 anos, onde chegou a ser aluna da própria filha e aprendeu a escrever o próprio nome

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 07/08/2026 às 17:12

Atualizado em 07/08/2026 às 17:13

Curiosidades

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Aos 74 anos, mulher volta à escola pela EJA, aprende a escrever o próprio nome e vive uma emocionante inversão de papéis com a filha professora.

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Trajetória marcada por décadas de trabalho e dedicação à família ganhou um novo capítulo dentro da sala de aula, onde o reencontro com os estudos aproximou duas gerações, inverteu papéis construídos ao longo da vida e transformou uma antiga dificuldade em aprendizado.

Depois de dedicar décadas ao trabalho e à criação dos filhos sem ter sido alfabetizada, Diomar da Silva Rodrigues voltou à sala de aula aos 74 anos e alcançou uma conquista que durante grande parte da vida permaneceu distante: escrever o próprio nome.

Por meio da Educação de Jovens e Adultos, em Boa Vista, a retomada ganhou um significado ainda mais particular, já que uma das filhas de Diomar se tornou professora e, décadas depois de ser criada pela mãe, chegou a ensiná-la dentro da escola.

Natural do interior do Maranhão, Diomar mudou-se para Roraima aos 21 anos em busca de oportunidades e construiu sua vida no estado, onde concentrou boa parte da rotina na criação da família e no trabalho que garantia sua sobrevivência.

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Viúva e mãe, ela permaneceu 48 anos trabalhando como vendedora, enquanto os filhos cresciam e seguiam caminhos próprios, deixando em segundo plano uma formação escolar que não havia recebido e que continuaria adiada durante grande parte da vida adulta.

Filha professora abriu o caminho para a volta à EJA

O reencontro com a escola começou quando Kátia Regina Rodrigues, uma das filhas de Diomar, passou a atuar no período noturno da Escola Municipal Francisco de Souza Bríglia, unidade da rede de ensino localizada na capital de Roraima.

Como professora e integrante do apoio pedagógico da instituição, Kátia percebeu que a modalidade oferecida naquele horário poderia abrir para a mãe uma oportunidade concreta de retomar um desejo antigo, sem abandonar completamente as atividades que ainda faziam parte de sua rotina.

Aos 74 anos, mulher volta à escola pela EJA, aprende a escrever o próprio nome e vive uma emocionante inversão de papéis com a filha professora.

Partiu da própria filha o convite para que Diomar acompanhasse seu deslocamento até a escola e passasse a frequentar as aulas, transformando um ambiente ligado ao trabalho de Kátia em um espaço de aprendizado para a mulher que a havia criado.

Mesmo com outras ocupações durante o dia, Diomar aceitou retornar aos estudos pela Educação de Jovens e Adultos, iniciando um processo de alfabetização numa fase da vida em que filhos, netos e outras gerações da família já haviam construído suas próprias trajetórias.

Segundo a Prefeitura de Boa Vista, fonte principal da história, Diomar havia contado à filha que uma de suas grandes tristezas era não saber ler, dificuldade que permaneceu presente mesmo depois de décadas de trabalho, responsabilidades familiares e vida adulta.

A entrada na escola passou, então, a substituir aquela limitação por uma sequência gradual de aprendizados, começando pelas etapas básicas da alfabetização e permitindo que habilidades antes inacessíveis passassem a integrar o cotidiano da estudante.

Aprender a escrever o próprio nome marcou a alfabetização

Entre os avanços obtidos durante as aulas, conseguir registrar o próprio nome no papel adquiriu um peso especial para Diomar, porque transformou uma tarefa aparentemente simples em uma conquista construída depois de décadas sem domínio formal da leitura e da escrita.

Ao desenvolver essa habilidade aos 74 anos, a estudante passou a realizar por conta própria um registro ligado à própria identidade, enquanto continuava avançando dentro de um processo educacional que havia sido interrompido antes mesmo de sua vida adulta começar.

Outra mudança importante aconteceu quando mãe e filha deixaram de apenas compartilhar o ambiente escolar e passaram, por determinado período, a ocupar posições que inverteram a relação tradicional construída entre elas desde a infância de Kátia.

Kátia chegou a lecionar para a própria mãe na EJA, colocando diante da estudante conhecimentos adquiridos ao longo de sua formação profissional e assumindo, dentro da sala de aula, uma função diferente daquela exercida na relação familiar.

Durante anos, Diomar acompanhou o crescimento e a formação da filha até vê-la construir uma carreira ligada à educação; décadas mais tarde, passou a ocupar uma carteira como estudante e a receber orientações profissionais justamente daquela filha que havia ajudado a criar.

Ainda que o vínculo familiar permanecesse fora da escola, Diomar fazia questão de reconhecer a função exercida por Kátia durante as aulas e se dirigia a ela como professora, respeitando naquele ambiente a posição profissional conquistada pela filha.

Mãe virou aluna da filha que se tornou professora

Essa inversão aproximou duas trajetórias educacionais que aconteceram em momentos diferentes da mesma família, pois enquanto Kátia conseguiu concluir sua formação e construir uma carreira no ensino, Diomar iniciou na terceira idade um processo de alfabetização que não havia realizado antes.

Aos 74 anos, mulher volta à escola pela EJA, aprende a escrever o próprio nome e vive uma emocionante inversão de papéis com a filha professora.

Para Kátia, acompanhar a mãe nesse percurso significou participar diretamente da aprendizagem de uma mulher que havia sido responsável por sua criação, fazendo com que o cuidado presente na relação familiar passasse também a aparecer dentro do processo educacional.

Ao lado da filha, outros profissionais da Educação de Jovens e Adultos também acompanham o desenvolvimento de Diomar, dentro de uma modalidade voltada a pessoas que não conseguiram concluir etapas da educação básica no período considerado regular.

A professora Eliezina Freitas relatou à Prefeitura de Boa Vista que adultos e idosos podem chegar às aulas inseguros sobre a capacidade de aprender, enquanto conquistas cotidianas, entre elas reconhecer palavras ou escrever o nome, ganham relevância durante a alfabetização.

Rotina aos 74 anos passou a incluir a escola

Longe de ficar restrita às aulas, a rotina de Diomar permanece ocupada por diferentes atividades, pois ela participa de iniciativas voltadas à população idosa, dança, frequenta oficinas de pintura e produção artesanal e também pratica capoeira.

Dentro desse cotidiano ativo, a continuidade dos estudos passou a ocupar um novo espaço, acrescentando à rotina uma experiência escolar iniciada depois de décadas dedicadas principalmente ao trabalho, à família e às responsabilidades assumidas ao longo da vida.

A própria composição familiar ajuda a dimensionar esse intervalo, já que Diomar tem filhos, netos, bisnetos e tataraneto enquanto volta a assumir a condição de aluna, agora cercada por gerações que cresceram durante o período em que sua escolarização permaneceu interrompida.

Mesmo aos 74 anos, sua presença na escola integra formalmente uma modalidade da educação básica destinada justamente a estudantes que não concluíram o ensino fundamental durante a idade regular e encontram, posteriormente, uma oportunidade de retomar esse percurso.

Educação de Jovens e Adultos atende quem interrompeu os estudos

Na rede municipal de Boa Vista, a Educação de Jovens e Adultos é oferecida a pessoas a partir dos 15 anos que não concluíram o ensino fundamental na idade regular, segundo informações divulgadas pela administração municipal.

Distribuída por unidades localizadas em áreas urbanas, rurais e indígenas do município, a modalidade reúne pessoas que interromperam a escolarização em diferentes momentos, permitindo que estudantes com trajetórias e idades distintas retornem formalmente ao processo de educação básica.

Para Diomar, esse retorno ocorreu depois de quase cinco décadas de trabalho como vendedora e numa fase em que os filhos já haviam construído caminhos próprios, incluindo a filha que escolheu justamente a educação como área profissional.

Ao longo dessa mudança, a direção do aprendizado entre mãe e filha também se transformou, porque a mulher que durante a infância de Kátia ocupava o papel de cuidar e ensinar passou, muitos anos depois, a receber dela orientação dentro da escola.

Educação inverteu os papéis entre mãe e filha

Formada como professora, Kátia encontrou uma oportunidade para conduzir a mãe novamente à sala de aula e, em determinado momento, assumir diante dela a função de educadora, criando uma inversão construída pela própria trajetória educacional das duas.

Já para Diomar, aprender a escrever o próprio nome representou uma etapa concreta de um processo que continua em andamento, enquanto sua presença regular na EJA mantém aberto um percurso iniciado depois de décadas sem acesso à alfabetização formal.

Hoje estudante, ela segue frequentando a escola enquanto a filha acompanha de perto uma experiência educacional iniciada quando a mãe já acumulava muitos anos de trabalho, filhos adultos e diferentes gerações da família ao seu redor.

Quantas pessoas que passaram décadas trabalhando, criando os filhos e adiando a própria formação ainda poderiam reencontrar a sala de aula e transformar sua relação com a educação caso tivessem acesso a uma oportunidade semelhante e incentivo para recomeçar?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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