Mais de 1,2 mil militares de 14 países chegam a Campo Grande para enfrentar incêndios florestais que não existem, mas o treinamento brasileiro simula resgates, transporte de suprimentos e retirada aeromédica de vítimas exigidos quando grandes desastres se tornam reais
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 17/08/2026 às 02:30
Atualizado em 17/08/2026 às 02:35
Forças Armadas
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Força Aérea Brasileira treina com representantes de outros 13 países em um cenário fictício de incêndios florestais e comunidades isoladas. Os militares precisam integrar comando, logística, busca e salvamento, transporte de suprimentos e evacuação aeromédica, fortalecendo procedimentos compartilhados para responder a grandes desastres naturais nas Américas.
Mais de 1,2 mil militares participaram de uma grande operação contra incêndios florestais em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
As chamas, entretanto, não estavam consumindo a vegetação da região.
O incêndio fazia parte do cenário criado para o Exercício Cooperación XI, treinamento internacional realizado na Base Aérea de Campo Grande entre 16 e 27 de março de 2026.
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A atividade reuniu forças aéreas de 14 países e marcou a primeira edição do exercício realizada em território brasileiro.
Durante 12 dias, aeronaves, tripulações e equipes terrestres enfrentaram situações fictícias envolvendo fogo, pessoas isoladas, feridos e comunidades sem acesso a suprimentos.
Segundo o balanço da Força Aérea Brasileira, mais de 70 voos foram executados durante o treinamento.
Desastre fictício exigiu respostas reais
O roteiro colocava os participantes diante de uma nação imaginária atingida por um desastre de grandes proporções.
Nesse cenário, as autoridades locais já não possuíam recursos suficientes para atender sozinhas toda a população afetada.
Os países participantes precisavam organizar uma resposta internacional, compartilhar informações e distribuir as missões entre diferentes forças aéreas.
Embora a emergência fosse fictícia, os procedimentos, as aeronaves e os profissionais empregados eram reais.
As equipes treinaram transporte aéreo, busca e salvamento, lançamento de suprimentos, combate a incêndios e retirada de vítimas.
O exercício também avaliou a capacidade de montar uma estrutura conjunta de comando para controlar aeronaves, horários, rotas e prioridades.
Uma falha de comunicação poderia atrasar um resgate ou fazer dois aviões seguirem para a mesma área enquanto outra região permanecia sem atendimento.
Vítimas precisaram ser retiradas pelo ar
A evacuação aeromédica apareceu entre as atividades mais importantes do Cooperación XI.
O treinamento simulou o atendimento de pessoas feridas ou isoladas em locais onde ambulâncias e equipes terrestres teriam dificuldade para chegar.
Após o resgate, os pacientes fictícios precisavam receber cuidados iniciais e seguir de aeronave até uma estrutura de saúde preparada para continuar o atendimento.
A operação exigia integração entre pilotos, profissionais de saúde, controladores de voo e equipes posicionadas em solo.
A Argentina, por exemplo, enviou um C-130 Hércules, um helicóptero Bell 412 EP e aproximadamente 50 militares. As aeronaves apoiaram missões de transporte e logística.
O governo argentino informou que o cenário permitiu treinar evacuações aeromédicas, entrega de cargas, deslocamento de pessoas e coordenação internacional.
Incêndio testou combate aéreo e perícia
Parte das operações reproduziu as condições encontradas durante grandes incêndios florestais.
As equipes precisavam identificar áreas atingidas, acompanhar o avanço das chamas e planejar o emprego das aeronaves disponíveis.
A simulação também envolveu perícias ambientais no Pantanal.
Profissionais da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul participaram da atividade para reproduzir a investigação de danos e possíveis causas do incêndio.
O trabalho permitiu integrar conhecimentos militares, ambientais e policiais dentro de uma mesma resposta de emergência.
Essa preparação ganha importância em regiões onde o fogo pode avançar rapidamente, interromper estradas, cercar propriedades e obrigar moradores a deixar suas casas.
Planejamento reuniu 15 delegações
A fase de planejamento do Cooperación XI contou com 15 delegações ligadas ao Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas, o SICOFAA.
O balanço operacional divulgado após o encerramento, contudo, registrou forças aéreas de 14 países no treinamento realizado em Campo Grande.
A diferença ocorre porque a presença em reuniões de planejamento não significa necessariamente o envio de militares e aeronaves para as operações de campo.
Criado para ampliar a cooperação diante de catástrofes, o exercício é realizado desde 2010 e alterna atividades presenciais com treinamentos de gabinete.
A proposta não consiste em preparar um combate entre países. O objetivo está na construção de procedimentos compartilhados para situações em que uma emergência ultrapasse a capacidade de resposta de uma única nação.
Treinamento prepara resposta para crises verdadeiras
O incêndio florestal apresentado em Campo Grande terminou quando o exercício foi encerrado.
Nenhuma cidade precisou ser evacuada e nenhuma comunidade ficou realmente cercada pelas chamas.
Os aprendizados, entretanto, podem ser utilizados diante de enchentes, terremotos, furacões, incêndios e outras crises verdadeiras.
A principal dificuldade aparece quando aeronaves, militares e equipes de diferentes países precisam trabalhar juntos sem perder tempo com incompatibilidades operacionais.
O Cooperación XI permitiu testar essa integração antes que uma emergência real colocasse vidas em risco.
Você acredita que treinamentos internacionais como esse podem acelerar o socorro quando um grande desastre ultrapassa a capacidade de resposta de um país? Deixe nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

