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Mais de 2 mil barracos sem ligação regular de energia receberam painéis solares, baterias e iluminação na África do Sul, enquanto moradores aprendiam a instalar, cobrar e manter os sistemas
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 14/08/2026 às 22:12
Atualizado em 14/08/2026 às 22:17
Energia Renovável, Energia Solar
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Energia solar fora da rede chegou a mais de 2 mil barracos de Enkanini, na África do Sul, com painéis, baterias e iluminação. O projeto atendeu famílias que aguardavam a rede pública, formou moradores para instalar e manter os equipamentos e revelou o alcance e os limites de uma solução provisória.
Mais de 2 mil barracos sem ligação regular de energia receberam painéis solares, baterias e pontos de iluminação em Enkanini, assentamento informal localizado em Stellenbosch, na África do Sul. As instalações ocorreram entre 2013 e 2022, sem depender da conclusão das obras da rede elétrica convencional.
O iShack Project, empreendimento social sul africano voltado à eletrificação solar, coordenou o atendimento. Os pequenos sistemas permitiam iluminar a casa, carregar celulares e ligar uma televisão, enquanto moradores aprendiam a instalar, cobrar pelo serviço e cuidar dos equipamentos.
Famílias aguardavam uma ligação regular de energia
Levar eletricidade a um assentamento informal envolve mais do que colocar fios nas residências. A rede convencional exige planejamento, postes, cabos, medidores, equipamentos de proteção e condições adequadas para realizar as ligações.
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Enquanto essa infraestrutura não chegava, famílias permaneciam sem eletricidade regular dentro de casa. Atividades simples, como estudar durante a noite, carregar um telefone ou acompanhar informações pela televisão, dependiam de alternativas limitadas.
O projeto foi criado para atuar durante essa espera. Cada residência atendida recebeu uma pequena estrutura própria de geração e armazenamento, instalada sem a necessidade de conectar o barraco à rede pública.
O kit solar instalado em cada barraco
O sistema reunia um painel solar colocado sobre o telhado, uma bateria e uma caixa responsável por distribuir a eletricidade. Os equipamentos trabalhavam com aproximadamente 50 a 75 watts pico, medida que representa a maior potência produzida em boas condições de sol.
Durante o dia, o painel convertia a luz solar em eletricidade. A bateria armazenava parte dessa energia para permitir o uso das lâmpadas e de outros aparelhos quando o sol já não estava disponível.
A capacidade era suficiente para iluminação, carregadores de celulares, televisão e pequenos equipamentos de baixo consumo. Isso tornava a casa mais funcional durante a noite e facilitava a comunicação dos moradores.
A potência tinha limites dentro das residências
Os sistemas não ofereciam a mesma quantidade de energia encontrada em uma ligação convencional. Fogões elétricos e aparelhos de alto consumo ficavam fora da proposta porque exigiam muito mais potência do que o pequeno painel poderia produzir.
A quantidade disponível também dependia da energia armazenada na bateria. Se o consumo fosse elevado ou houvesse pouca geração solar, a família precisava controlar o uso dos aparelhos para preservar a iluminação.
Por isso, o equipamento foi pensado para garantir serviços básicos de eletricidade, e não para alimentar todos os aparelhos de uma casa. A solução reduzia uma necessidade urgente, mas não encerrava a espera pela rede pública.
Como funcionava a cobrança pelo serviço
O projeto utilizou diferentes formas de financiamento durante sua operação. Em Enkanini, o período entre 2013 e 2022 aparece registrado como fornecimento gratuito de eletricidade solar para mais de 2 mil residências.
Esse atendimento precisava de recursos para pagar equipamentos, deslocamentos, manutenção e trabalho das equipes locais. Em outros formatos testados pela iniciativa, as famílias participavam do financiamento por meio de pagamentos mensais.
O iShack Project, empreendimento social sul africano voltado à eletrificação solar, apresenta um modelo no qual os moradores pagam o custo do sistema em parcelas mensais mantidas no menor nível operacional possível.
Não existe um valor único publicado para todas as comunidades e etapas do projeto. Portanto, não seria correto atribuir a mesma mensalidade a todas as famílias atendidas ou afirmar que todas receberam o serviço sob uma regra idêntica.
Moradores assumiram instalação, cobrança e manutenção
O trabalho não terminava quando o painel era colocado sobre o barraco. Moradores foram treinados como agentes locais, responsáveis por instalar os sistemas, cadastrar famílias, acompanhar pagamentos e identificar problemas nos equipamentos.
Essa formação reduzia a dependência de equipes externas. Quando uma bateria apresentava defeito, uma lâmpada deixava de funcionar ou um painel precisava de avaliação, havia trabalhadores da própria comunidade preparados para iniciar o atendimento.
As atividades também criaram oportunidades locais de trabalho e renda. A página institucional não reúne uma quantidade total de empregos gerados durante todo o período, o que impede apresentar um número único sem misturar diferentes fases.
O resultado foi uma estrutura que combinava tecnologia e participação comunitária. Os moradores deixavam de ser apenas usuários e passavam a integrar a operação diária do serviço.
Energia solar era uma ponte, não a solução definitiva
O projeto tratava a energia solar como uma melhoria incremental. Isso significa resolver uma necessidade imediata enquanto a infraestrutura completa ainda não está disponível.
O painel instalado no telhado levava iluminação e comunicação para dentro da casa, mas não resolvia saneamento, drenagem, regularização do terreno ou segurança da construção. Também não oferecia potência suficiente para todos os usos domésticos.
A eletrificação fora da rede não deveria servir como justificativa para interromper investimentos públicos. Seu papel era funcionar como ponte durante a espera, sem retirar das autoridades a responsabilidade de ampliar a infraestrutura convencional.
Essa diferença é essencial porque uma solução rápida pode melhorar a rotina das famílias e, ao mesmo tempo, permanecer insuficiente diante das necessidades completas de um assentamento.
O que aconteceu depois de 2022
O ano de 2022 marca o encerramento do período gratuito documentado em Enkanini. A informação disponível não permite afirmar que todos os painéis foram retirados, que os equipamentos pararam de funcionar ou que a iniciativa inteira terminou naquele momento.
A continuidade exata do atendimento gratuito depois desse marco não foi detalhada na página institucional indicada. O projeto também apresenta pagamentos mensais como parte de seu modelo financeiro, mas não publica um balanço completo sobre o destino de cada sistema instalado em Enkanini.
Entre 2013 e 2022, mais de 2 mil residências receberam eletricidade solar básica sem esperar pela conclusão da rede. Moradores também adquiriram conhecimento para instalar, cobrar e manter um serviço energético dentro da própria comunidade.
A experiência mostrou que pequenos sistemas solares podem levar luz com rapidez e gerar trabalho local. Ao mesmo tempo, deixou claro que energia provisória não substitui moradia segura, saneamento e eletrificação pública adequada.
Se a energia solar pode iluminar uma casa antes da chegada da rede, como impedir que essa solução provisória vire uma desculpa para adiar a infraestrutura definitiva? Deixe sua opinião.
Fonte
iShack Project
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

