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Marcelo Urtado comprou uma fazenda convencional no interior de Minas, recuperou o equilíbrio do solo, plantou árvores entre os cafeeiros e transformou 40 hectares em um cafezal orgânico sem insumos químicos, onde passou a colher até 54 sacas por hectare ao lado da esposa
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/08/2026 às 16:27
Atualizado em 22/08/2026 às 16:28
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Produtor transforma propriedade convencional ao integrar árvores, cobertura vegetal e manejo orgânico ao cafezal, reduzindo custos de adubação e ampliando a produtividade por hectare em uma experiência do Cerrado Mineiro que combina conservação ambiental, certificação e desempenho econômico dentro da mesma área produtiva.
Marcelo Urtado e a esposa, Paula Curiacos, transformaram uma propriedade de 54 hectares em Monte Carmelo, no Cerrado Mineiro, ao substituir o modelo convencional por uma cafeicultura orgânica baseada em cobertura permanente do solo, diversidade vegetal e manejo integrado.
Dentro da fazenda, 40 hectares ficaram destinados ao café, com árvores distribuídas entre os cultivos, enquanto o sistema passou a funcionar sem a utilização de insumos químicos e manteve a atividade cafeeira como eixo central da propriedade.
Cafezal orgânico elevou a produtividade por hectare
Sem abandonar a produtividade para priorizar apenas a conservação, o novo manejo levou a produção, que antes das práticas adotadas não ultrapassava 30 sacas por hectare, a alcançar 54 sacas por hectare, segundo a Agência Sebrae de Notícias.
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Além do avanço produtivo, a reorganização do manejo permitiu reduzir em cerca de 47% os custos com adubação, resultado associado às mudanças realizadas no solo e à integração de espécies com diferentes funções dentro do mesmo sistema agrícola.
Na Fazenda Três Meninas, o cafezal passou a dividir espaço com espécies arbóreas e plantas de cobertura, entre elas jequitibá-rosa, fedegoso, guapuruvu, cedrinho, ingá, crotalária, nabo-forrageiro e feijão-guandu, usados para ampliar biodiversidade e favorecer a fertilidade.
Árvores ganharam espaço entre os pés de café
Para abrir espaço às linhas de árvores, aproximadamente 9% dos pés de café foram retirados, reduzindo a lavoura para cerca de 40 hectares e permitindo a criação de corredores vegetados no ambiente produtivo, inclusive nas divisas laterais.
Nessas áreas, hibisco, cedrinho, casuarina e árvores nativas do Cerrado passaram a compor o terreno, reforçando uma configuração em que a vegetação deixa de ocupar papel periférico e passa a integrar diretamente a organização do cultivo.
Mais do que criar sombra ou aumentar a presença de vegetação, essa configuração atribui funções específicas às plantas de cobertura, que ajudam na proteção e fertilidade do solo, enquanto o manejo integrado favorece organismos considerados inimigos naturais de pragas e doenças.
Transição mudou o modelo produtivo da Fazenda Três Meninas
À frente da operação, Marcelo, que é agrônomo, administra a propriedade de maneira compartilhada com Paula, zootecnista e coproprietária, em um modelo que começou a ser reorganizado depois que o casal adquiriu a fazenda em outubro de 2016.
Desde então, a transição do sistema convencional avançou com práticas conservativas, substituição de insumos químicos e maior participação de processos biológicos presentes no solo e na vegetação, sem retirar da cafeicultura seu papel como principal atividade produtiva da área.
Localizada na cabeceira do rio Bagagem, na divisa entre Monte Carmelo e Patrocínio, no Alto Paranaíba, a propriedade está inserida na Região do Cerrado Mineiro, tradicional polo cafeeiro onde produção agrícola e manejo do terreno permanecem diretamente relacionados.
Menos cafeeiros não impediram avanço da produtividade
Mesmo com a retirada deliberada de aproximadamente 9% dos cafeeiros para inserir árvores, os dados apresentados pelo produtor ao Sebrae indicaram aumento da produtividade por hectare, que saiu de até 30 sacas e chegou a 54 após as novas técnicas.
Outro efeito econômico apareceu nos custos de adubação, reduzidos em aproximadamente 47% segundo os números divulgados pela Agência Sebrae de Notícias, em uma estratégia que passou a combinar fertilidade, biodiversidade e controle biológico dentro da mesma lógica produtiva.
No funcionamento desse sistema, a cobertura do solo ocupa papel relevante, porque diferentes espécies deixaram de ser tratadas como elementos estranhos à lavoura e passaram a cumprir funções específicas, mantendo o terreno protegido e ampliando a variedade biológica entre as linhas.
Manejo também reduziu a necessidade de água na irrigação
Também houve diminuição da necessidade de água na irrigação, conforme relatado pelo produtor, enquanto o manejo do solo e da cobertura vegetal passou a integrar a estratégia de uso dos recursos hídricos e as decisões agronômicas adotadas na propriedade.
Após avançar na condução da lavoura sem defensivos e sem os insumos químicos usados anteriormente, a Fazenda Três Meninas obteve certificação do Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural, o IBD, para comercializar seu café como orgânico no Brasil.
Antes do reconhecimento formal, porém, Marcelo e Paula implantaram práticas conservativas, reorganizaram a lavoura e alcançaram condições para conduzir o café sem defensivos, fazendo da certificação uma etapa posterior dentro do desenvolvimento produtivo construído na fazenda.
Biodiversidade passou a integrar o manejo do cafezal
Essa lógica também modificou a maneira de observar elementos que normalmente aparecem separados na agricultura, pois árvores, plantas de cobertura, água, insetos, fungos e cafeeiros passaram a integrar uma estratégia única de manejo dentro da mesma área.
Na prática, a presença de organismos considerados inimigos naturais de determinadas pragas ajuda a compor o controle biológico, enquanto as plantas cultivadas entre as linhas ampliam a cobertura e a fertilidade do solo, reduzindo a dependência de intervenções externas.
Mesmo com a mudança de modelo, a busca por produtividade permaneceu central, e o projeto foi estruturado para combinar café diferenciado e rendimento agrícola, mantendo atenção simultânea aos indicadores ambientais e aos resultados econômicos obtidos nos 40 hectares de lavoura.
Pesquisa acompanha práticas conservativas no Cerrado Mineiro
Além da produção, a Fazenda Três Meninas passou a manter parcerias com instituições de pesquisa e centros acadêmicos para levantamentos, estudos técnicos e compartilhamento de experiências entre pesquisadores, estudantes e produtores interessados em práticas conservativas aplicadas à cafeicultura.
Entre as instituições mencionadas está a Universidade Federal de Uberlândia, que participa de atividades relacionadas à geração e análise de conhecimento no ambiente rural, ampliando a conexão entre manejo produtivo, pesquisa acadêmica e acompanhamento técnico dentro da propriedade.
Na região, o sistema implantado despertou a atenção de outros agricultores por reunir elementos diretamente ligados à operação de uma fazenda cafeeira, como área efetivamente plantada, produtividade por hectare, custo de adubação, disponibilidade de água e controle de pragas.
Se retirar parte dos cafeeiros para plantar árvores pode coexistir com maior produtividade por hectare, menor custo de adubação e produção orgânica certificada, esse modelo de manejo deveria ganhar mais espaço entre produtores de café de outras regiões brasileiras?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

