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Maria Clara, de só 9 anos, faz restos de couro que iria para o lixo virar pulseiras, cria a própria marca no sertão da Paraíba e ajuda a família a ganhar cerca de R$ 2 mil a mais por mês
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 29/08/2026 às 09:43
Atualizado em 29/08/2026 às 09:56
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Maria Clara começou aos 9 anos reaproveitando sobras do ateliê do pai, criou a Flor de Cactus e inspirou mudanças que elevaram em cerca de R$ 2 mil a renda mensal familiar com menos desperdício
Aos 9 anos, Maria Clara Cândido começou a transformar retalhos de couro descartados no ateliê do pai, em Cabaceiras, na Paraíba, em pulseiras. A iniciativa virou negócio, estimulou o reaproveitamento do material nas sandálias da família e contribuiu para elevar a renda mensal em cerca de R$ 2.000.
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Ideia com retalhos de couro surgiu após pulseira de plástico de R$ 25
Maria Clara, hoje com 16 anos, cresceu vendo as sobras de couro da produção de sandálias do pai terem dois destinos: serem queimadas ou enviadas ao lixão.
A mudança começou durante o ensino fundamental, quando ela participou de atividades de educação financeira na escola e passou a observar com mais atenção os gastos e os materiais disponíveis dentro de casa.
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A jovem conta que queria comprar uma pulseira, mas encontrou modelos de plástico por aproximadamente R$ 25. Ao considerar que o produto poderia durar pouco, decidiu procurar uma alternativa.
Foi então que percebeu as pequenas tiras de couro disponíveis no ateliê do pai e produziu a própria pulseira.
A peça chamou a atenção das colegas na escola, que começaram a perguntar onde poderiam comprar modelos semelhantes.
As primeiras vendas foram feitas para amigas. Depois, as pulseiras chegaram também a clientes do pai, visitantes de feiras de artesanato e seguidores das redes sociais.
Educação financeira ajudou adolescente a criar a Flor de Cactus
O contato de Maria Clara com educação financeira ocorreu por meio do jogo Piquenique, apresentado na escola dentro de uma iniciativa do IBS, Instituto Brasil Solidário.
Segundo a adolescente, a atividade incentivava reflexões sobre economia e sustentabilidade. Ela passou a avaliar melhor suas compras, comparar preços e reduzir gastos desnecessários, além de diminuir o consumo de água e energia em casa.
Posteriormente, a escola recebeu o JEPP, Jovens Empreendedores Primeiros Passos, do Sebrae. A proposta permitia aos estudantes aplicar recursos economizados em atividades capazes de gerar retorno financeiro.
Foi nesse período que Maria Clara avançou com a produção das pulseiras. O dinheiro obtido nas vendas passou a ser utilizado para comprar itens que desejava, entre eles tênis, bonecas e livros.
O pai, o artesão Saulo Ramos, também colaborou com a iniciativa. Como já vendia sandálias para clientes de outros estados, começou a apresentar os acessórios produzidos pela filha.
Maria Clara ainda participou da Festa do Bode Rei, onde conseguiu ampliar as vendas. Depois, criou um perfil no Instagram para divulgar a marca Flor de Cactus e passou a comercializar outros pequenos acessórios.
Reaproveitamento mudou também a produção das sandálias
O resultado ultrapassou o pequeno negócio da adolescente. Inspirado pela experiência da filha, Saulo começou a rever a maneira como utilizava os retalhos de couro deixados pela produção de diferentes modelos de sandálias.
Em vez de descartar ou queimar as sobras, passou a aproveitar partes restantes de um modelo para produzir outros tipos de calçados.
A mudança permitiu ampliar o aproveitamento da matéria-prima e, de acordo com o material fornecido, a estratégia contribuiu para aumentar a renda da família em aproximadamente R$ 2.000 mensais.
Maria Clara não está atualmente à frente da Flor de Cactus. Aos 16 anos, ela cursa o ensino médio em um instituto federal e afirma que decidiu concentrar sua rotina nos estudos.
Mesmo afastada da administração do negócio, considera a marca parte importante de sua trajetória e não descarta retomá-la. Para ela, a experiência mostrou como materiais simples do cotidiano podem ser observados de outra maneira.
Esta matéria foi elaborada com base no material-base fornecido, que reúne relatos de Maria Clara Cândido e informações sobre as iniciativas do Instituto Brasil Solidário e do Sebrae, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.
Fonte
https://www1.folha.uol.co
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

