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Marinha do Brasil coloca lado a lado a nova fragata Tamandaré, a veterana União, o submarino Humaitá e helicópteros AH-11B em grande exercício na Argentina
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 13/08/2026 às 11:48
Atualizado em 13/08/2026 às 11:49
Forças Armadas
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Marinha do Brasil leva fragatas Tamandaré e União, submarino Humaitá, Guillobel e helicópteros AH-11B para exercício naval na Argentina.
A Marinha do Brasil iniciou nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, uma participação de peso no exercício combinado FRATERNO XXXIX, na Argentina, colocando lado a lado alguns dos meios que representam momentos bastante diferentes da Esquadra brasileira. O destacamento reúne as fragatas Tamandaré (F200) e União (F45), o submarino Humaitá (S41), o Navio de Socorro Submarino Guillobel (K120) e dois helicópteros AH-11B.
As atividades estão programadas até 24 de agosto e utilizam como pontos de apoio Puerto Belgrano e Mar del Plata, além das áreas marítimas entre as duas bases. O Decreto 717/2026, publicado pelo governo argentino em 6 de agosto, autorizou a entrada de pessoal e meios brasileiros e confirmou que o FRATERNO tem como objetivos ampliar a interoperabilidade e o adestramento conjunto em operações navais, aeronavais e anfíbias.
Marinha do Brasil coloca renovação da Esquadra em cenário internacional
A composição brasileira chama atenção porque reúne, no mesmo treinamento, uma fragata classe Niterói e o primeiro navio da nova classe Tamandaré.
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A União (F45) pertence a uma geração de escoltas construída a partir da década de 1970 e posteriormente submetida a modernizações. A própria Marinha do Brasil ainda relaciona oficialmente a União entre os meios da classe Niterói em serviço.
No outro extremo está a Tamandaré (F200), incorporada à Esquadra em 24 de abril de 2026. A entrada do navio no setor operativo marcou uma nova etapa do programa destinado a renovar os meios de superfície da Força Naval.
O exercício argentino permite, portanto, que a Marinha empregue simultaneamente uma escolta veterana e o primeiro exemplar da geração que deverá assumir progressivamente parcela importante das missões atualmente cumpridas pelas fragatas mais antigas.
Tamandaré leva novos sensores e armamentos para o treinamento
A Fragata Tamandaré foi projetada para cumprir missões de guerra de superfície, defesa antiaérea, guerra antissubmarino e interdição marítima. A Marinha classifica a classe como parte central do processo de modernização do Poder Naval brasileiro.
No conjunto apresentado para o FRATERNO XXXIX, alguns dos principais meios brasileiros são:
- dois helicópteros AH-11B Super Lynx, formando o componente aeronaval;
- Fragata Tamandaré (F200), representante da nova geração de escoltas;
- Fragata União (F45), integrante da classe Niterói;
- Navio de Socorro Submarino Guillobel (K120), dedicado ao apoio das operações submarinas;
- Submarino Humaitá (S41), segundo submarino convencional entregue pelo PROSUB.
A diversidade importa porque permite desenvolver cenários em que navios de superfície, aeronaves e submarinos precisam trocar informações e executar procedimentos coordenados, um dos principais objetivos de exercícios combinados desse tipo.
Submarino Humaitá coloca guerra antissubmarino no centro do FRATERNO
Um dos aspectos mais relevantes da edição de 2026 é a presença do Humaitá. O submarino foi entregue ao setor operativo da Marinha em janeiro de 2024 como a segunda unidade convencional do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e utiliza propulsão diesel-elétrica.
Sua presença atende diretamente a uma necessidade de treinamento da Armada Argentina. No decreto que autorizou o exercício, o governo argentino destacou o adestramento de unidades de sua Flota de Mar em guerra antissubmarino e classificou as atividades previstas como operações de elevada complexidade tática e operacional.
Nesse tipo de exercício, o submarino pode assumir o papel de ameaça simulada enquanto unidades de superfície e meios aeronavais realizam procedimentos de localização e acompanhamento.
Para a tripulação do Humaitá, o desafio funciona no sentido inverso: utilizar as características do submarino e o ambiente subaquático para evitar a detecção enquanto uma força estrangeira pratica procedimentos destinados justamente a encontrá-lo.
Guillobel adiciona capacidade de resposta a emergências submarinas
A presença do Humaitá vem acompanhada pelo Navio de Socorro Submarino Guillobel, ampliando o exercício para além do emprego puramente tático dos submarinos.
O Guillobel foi incorporado à Marinha em 2020 e possui equipamentos destinados a operações de mergulho e salvamento de submarinos e suas tripulações. A Força também emprega o navio em apoio a exercícios e atividades relacionadas à segurança submarina.
A combinação cria uma estrutura particularmente relevante para o adestramento brasileiro: enquanto o Humaitá representa a capacidade de combate abaixo da superfície, o Guillobel está ligado à sustentação e à resposta em situações de emergência.
Isso amplia o valor operacional da participação da Marinha do Brasil, pois permite desenvolver conhecimentos relacionados tanto ao emprego do submarino quanto à segurança necessária para manter esse tipo de meio em operação.
Helicópteros AH-11B ampliam alcance das fragatas
O destacamento ganha ainda um componente aéreo com dois AH-11B do 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque.
As aeronaves passaram por um processo de modernização que incluiu motores CTS-800-4N, cockpit digital compatível com óculos de visão noturna e atualização dos sistemas táticos, de navegação e de guerra eletrônica. A Marinha já descreveu o AH-11B como parte integrante do sistema de armas de seus navios de superfície.
Em um cenário naval, helicópteros embarcados permitem estender a capacidade de observação dos navios e participar de missões relacionadas à guerra de superfície e à guerra antissubmarino.
A presença dessas aeronaves no FRATERNO XXXIX acrescenta, portanto, outro nível de integração entre os diferentes componentes enviados pelo Brasil.
Exercício entre Brasil e Argentina começou em 1978
Apesar da chegada de equipamentos novos, a cooperação que sustenta o FRATERNO é antiga. Segundo o Decreto 717/2026, Brasil e Argentina realizam o exercício anualmente desde 1978. A proposta é aumentar a capacidade de as duas Marinhas atuarem juntas e aproximar procedimentos de planejamento e condução de operações.
Nesta edição, as manobras ocorrem dentro da Zona Econômica Exclusiva argentina e nas áreas relacionadas às bases de Puerto Belgrano e Mar del Plata. O documento argentino estabelece o período operacional entre 13 e 24 de agosto, embora a autorização para a entrada dos meios brasileiros no território e nas águas do país tenha começado em 10 de agosto.
Mais do que reunir navios para manobras no Atlântico Sul, o exercício oferece uma fotografia particular da atual Marinha do Brasil.
A União representa uma classe que sustentou durante décadas parte importante da capacidade de escolta da Força. A Tamandaré inaugura a geração criada para modernizar esse núcleo. O Humaitá mostra os resultados já incorporados do PROSUB, enquanto o Guillobel acrescenta a infraestrutura necessária à segurança de operações submarinas.
Os AH-11B completam esse quadro com a dimensão aeronaval. Por isso, o FRATERNO XXXIX ganha importância especial em 2026.
Ao mesmo tempo em que mantém uma cooperação iniciada há quase cinco décadas com a Argentina, a Marinha do Brasil utiliza o exercício para colocar sua nova geração de meios em um ambiente internacional de adestramento, ao lado de unidades veteranas que ainda permanecem fundamentais para a capacidade operacional da Esquadra.
Fonte
Poder Naval
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

