AM
6 min de leitura
Marinha do Brasil mobiliza navios, helicóptero e Fuzileiros em operação que atravessa três países na Amazônia
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 08/08/2026 às 14:33
Atualizado em 08/08/2026 às 14:36
Forças Armadas
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Operação BRACOLPER 2026 reúne forças navais do Brasil, da Colômbia e do Peru em exercícios contra ameaças transfronteiriças e ações humanitárias
A Marinha do Brasil mobilizou navios-patrulha, uma embarcação de assistência hospitalar, um helicóptero e um destacamento de Fuzileiros Navais para participar de uma grande operação multinacional na Amazônia.
Iniciada em 18 de julho de 2026, a 52ª edição da Operação BRACOLPER reúne militares brasileiros, colombianos e peruanos. Os exercícios ocorrem ao longo da tríplice fronteira e buscam preparar as três nações para atuarem conjuntamente em uma região marcada por rios extensos, comunidades isoladas e desafios de segurança transfronteiriça.
A operação envolve treinamentos de assalto fluvial, comunicação por sinais, inspeção de embarcações, resposta a desastres, assistência humanitária e enfrentamento de ameaças assimétricas.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Forças Armadas
Marinha do Brasil transforma maior navio de guerra da América Latina em vitrine de robôs, inteligência artificial e realidade virtual
Visitantes embarcaram no NAM Atlântico e conheceram simuladores militares, projetos nucleares, pesquisas marítimas e novas tecnologias empregadas pela Força Naval
A Marinha do Brasil transformou parte de sua estrutura naval em…
Paulo Nogueira
0
Além do treinamento militar, a missão pretende fortalecer a cooperação regional e ampliar a capacidade de levar atendimento às populações indígenas e ribeirinhas que vivem em áreas de difícil acesso.
Navios brasileiros empregados na Operação BRACOLPER
A participação da Marinha brasileira ocorre sob a coordenação do Comando do 9º Distrito Naval, responsável por uma extensa área da Amazônia Ocidental.
A Força Naval enviou os Navios-Patrulha Fluvial Raposo Tavares e Amapá, além do Navio de Assistência Hospitalar Soares de Meirelles. As três embarcações estão subordinadas ao Comando da Flotilha do Amazonas.
Também integram a missão uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste e militares do 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas, unidade especializada do Corpo de Fuzileiros Navais.
A presença de diferentes meios permite que a operação simule situações complexas. Navios, helicóptero e tropas precisam compartilhar informações e executar movimentos coordenados mesmo pertencendo a forças armadas de países diferentes.
Essa capacidade de trabalhar de forma integrada é conhecida como interoperabilidade. Na prática, significa permitir que as três Marinhas consigam atuar como uma única força diante de emergências ou ameaças que ultrapassem as fronteiras nacionais.
Operação combina segurança e assistência humanitária
Embora envolva exercícios militares, a BRACOLPER também possui uma importante dimensão humanitária.
O treinamento prepara as tripulações para responder a enchentes, acidentes, desastres naturais e emergências de saúde. Em muitas localidades da Amazônia, o acesso por estrada é inexistente ou bastante limitado, tornando os rios fundamentais para o deslocamento de pessoas, medicamentos e equipes especializadas.
O emprego do Navio de Assistência Hospitalar Soares de Meirelles reforça essa capacidade. Embarcações dessa categoria são utilizadas pela instituição naval para transportar equipes de saúde e oferecer atendimentos médicos e odontológicos às comunidades ribeirinhas.
A cooperação internacional também permite compartilhar experiências sobre navegação fluvial, logística, atendimento emergencial e operações em áreas de selva.
Primeira fase aconteceu na Colômbia
A Operação BRACOLPER 2026 foi dividida em três fases, realizadas ao longo da fronteira compartilhada por Brasil, Colômbia e Peru.
A primeira etapa ocorreu entre os dias 18 e 22 de julho, na cidade de Letícia, na Colômbia. Os militares participaram de treinamentos voltados à resposta imediata a desastres naturais e à assistência humanitária.
As atividades consideraram especialmente as necessidades de populações indígenas e ribeirinhas. Essas comunidades vivem em regiões nas quais uma emergência pode exigir grandes deslocamentos por rios antes da chegada de ajuda.
Durante a passagem por Letícia, os militares brasileiros também participaram do desfile cívico-militar realizado em comemoração ao Dia da Independência da Colômbia, celebrado em 20 de julho.
Navios navegaram juntos até o Peru
Depois das atividades na Colômbia, os navios seguiram em direção a Iquitos, no Peru.
Durante o deslocamento, as embarcações brasileiras navegaram em formação com o navio colombiano ARC Reyes, o peruano BAP Castilla e o navio-hospital Río Yavari.
As tripulações realizaram exercícios de comunicação por sinais, resposta a ameaças assimétricas e procedimentos conduzidos por Grupos de Visita e Inspeção.
Esses grupos são treinados para abordar e verificar embarcações em situações de fiscalização ou suspeita. A atividade pode ser importante no combate a crimes transfronteiriços praticados pelos rios da região.
Os treinamentos também testaram a capacidade das embarcações de trocar informações rapidamente e manter uma formação organizada durante a navegação.
Fuzileiros Navais realizaram assalto fluvial em Iquitos
A segunda fase da BRACOLPER ocorreu em Iquitos, no Peru. A cidade encontra-se no coração da Amazônia peruana e não possui ligação rodoviária convencional com o restante do país.
Um dos principais treinamentos foi o Exercício de Assalto Fluvial, que simulou o emprego de tropas do Corpo de Fuzileiros Navais em um ambiente ribeirinho.
Esse tipo de missão exige conhecimento de navegação, desembarque de tropas, ocupação de áreas estratégicas e movimentação em regiões cercadas por rios e florestas.
Os militares precisam adaptar seus equipamentos e procedimentos às condições amazônicas. Calor, umidade, correnteza, vegetação fechada e longas distâncias tornam as operações mais complexas.
A preparação pode ser utilizada tanto em missões de defesa quanto em ações de segurança, resgate, proteção de comunidades e resposta a emergências.
Militar brasileiro desceu de helicóptero em navio peruano
Um dos momentos mais importantes da edição de 2026 foi a realização de um Exercício Avançado de Interdição Fluvial.
Pela primeira vez na operação, um militar da MB realizou uma descida por guincho a partir de uma aeronave brasileira até uma embarcação pertencente à Marinha de Guerra do Peru.
A manobra demonstrou o nível de coordenação alcançado pelas forças participantes. O procedimento exigiu comunicação entre a tripulação do helicóptero, o militar suspenso e os responsáveis pelo navio peruano.
Operações desse tipo podem ser necessárias quando uma equipe precisa acessar rapidamente uma embarcação sem depender de atracação ou aproximação convencional.
O treinamento também ajuda a preparar as tropas para inspeções, resgates, evacuações e intervenções realizadas em áreas fluviais.
Desfile naval reuniu os três países no Rio Nanay
As atividades no Peru incluíram a participação dos militares brasileiros nas comemorações do Dia da Independência do Peru, em 28 de julho.
Na mesma data, moradores de Iquitos acompanharam um desfile naval realizado no Rio Nanay. A apresentação reuniu navios do Brasil, da Colômbia e do Peru.
A presença conjunta das embarcações simbolizou a cooperação mantida pelas três nações amazônicas. A BRACOLPER é realizada há mais de cinco décadas e tornou-se um dos principais exercícios fluviais multinacionais da região.
A missão reforça a necessidade de ações coordenadas em uma área onde rios atravessam fronteiras e conectam comunidades de diferentes países.
Para a Força Naval brasileira, os treinamentos permitem aperfeiçoar procedimentos, conhecer os equipamentos utilizados pelas nações vizinhas e ampliar a capacidade de resposta conjunta.
A operação também demonstra que a proteção da Amazônia depende não apenas da presença militar, mas da cooperação entre governos, instituições e populações que vivem ao longo da fronteira.
Fonte: Agência Marinha de Notícias.
Tags
Marinha do Brasil
Fonte
Marinha
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

