4 min de leitura
Mauricio, de 37 anos, largou a fábrica, mudou-se para as montanhas e construiu a própria casa com barro e madeira: “Não ter emprego fixo hoje me dá tranquilidade”
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 06/08/2026 às 16:54
Atualizado em 06/08/2026 às 16:55
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Após deixar uma fábrica automotiva, Mauricio decidiu recomeçar na região de Traslasierra, na Argentina, onde construiu uma casa com técnicas de bioconstrução, adotou um estilo de vida mais autossuficiente e afirma que trocar a estabilidade de um emprego fixo por mais tempo com a família foi a melhor decisão que tomou.
Abandonar um emprego estável para começar do zero costuma ser uma decisão cercada de incertezas. Foi exatamente esse caminho que Mauricio, de 37 anos, escolheu seguir ao deixar o trabalho em uma fábrica automotiva e se mudar para a região serrana de Traslasierra, na província de Córdoba, na Argentina. Hoje, ele vive em uma casa construída por ele mesmo com técnicas de bioconstrução e afirma que encontrou uma rotina mais tranquila, próxima da natureza e da família.
Segundo relato do próprio Mauricio em entrevista ao canal Crónicas del Cambio – De Música Rutera, a mudança representou muito mais do que uma troca de endereço. Ela marcou uma transformação completa na forma como encara trabalho, consumo e qualidade de vida.
Um acidente acelerou a decisão de deixar a cidade
A ideia de viver no campo não surgiu de forma repentina. Mauricio contou que passou anos amadurecendo esse objetivo enquanto ainda morava em Buenos Aires. O ritmo intenso da cidade e um acidente de motocicleta serviram como ponto de inflexão para repensar os rumos da própria vida.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Ele revelou que havia escrito, anos antes, uma meta bastante específica: chegar aos 40 anos vivendo no campo e sem depender de um emprego tradicional. Com o passar do tempo, esse plano deixou de ser apenas um desejo distante e começou a ganhar forma.
Esse tipo de mudança costuma aparecer após eventos que levam à reavaliação das prioridades pessoais. Não é raro que experiências marcantes façam muitas pessoas trocar a busca por estabilidade financeira por uma rotina considerada mais equilibrada.
Hoje, Mauricio diz que valoriza muito mais o tempo dedicado aos três filhos e à família do que a segurança que o antigo emprego lhe proporcionava.
Casa foi construída com barro, madeira e técnicas de bioconstrução
Sem experiência profissional na construção civil, Mauricio decidiu erguer a própria residência utilizando a técnica conhecida como quincha, um método tradicional de bioconstrução que combina madeira, barro e fibras vegetais para formar as paredes.
A escolha também levou em consideração a disponibilidade de materiais encontrados na própria região, reduzindo custos e tornando a obra mais integrada ao ambiente natural.
Além da estrutura principal da casa, ele desenvolveu soluções para viver longe da infraestrutura urbana. Instalou um sistema de captação e armazenamento de água da chuva e passou a utilizar um pequeno painel solar para gerar parte da energia elétrica consumida no imóvel.
Antes mesmo da conclusão da residência, construiu ainda um forno de barro, que se tornou peça central da rotina da família para o preparo das refeições diárias.
A bioconstrução, aliás, tem despertado interesse crescente entre pessoas que buscam reduzir custos, diminuir impactos ambientais e ampliar a autonomia em relação aos sistemas convencionais de moradia.
Como Mauricio passou a ganhar dinheiro depois de abandonar o emprego
Assista o vídeo
Deixar a fábrica não significou abandonar completamente o trabalho. Em vez de um vínculo empregatício tradicional, Mauricio passou a oferecer diferentes serviços de forma independente na comunidade onde vive.
Entre as atividades que realiza estão trabalhos de jardinagem, pequenos reparos e serviços ligados à culinária, que garantem sua fonte de renda atual.
Segundo ele, a principal diferença está na possibilidade de organizar os próprios horários. Essa flexibilidade permitiu dedicar mais tempo aos projetos pessoais e ao convívio com os filhos, algo que considera impossível durante a rotina na indústria automotiva.
Ao resumir essa transformação, Mauricio afirma que não ter um emprego fixo deixou de representar insegurança e passou a significar liberdade para administrar o próprio tempo.
O medo da mudança deu lugar a uma vida mais próxima da família
Durante a entrevista, Mauricio também falou sobre o receio que muitas pessoas têm de abandonar um emprego estável para seguir um projeto de vida diferente.
Ele explicou que decidiu usar esse medo como incentivo para agir, em vez de permitir que a incerteza impedisse qualquer mudança.
Ao olhar para trás, afirma que não se arrepende da escolha. Para ele, construir uma casa de barro foi apenas uma consequência de uma decisão maior: buscar uma rotina menos estressante, mais conectada à natureza e centrada na convivência familiar.
A experiência de Mauricio mostra uma tendência que vem ganhando espaço em diferentes países, com pessoas buscando alternativas ao modelo tradicional de trabalho e de moradia. No caso dele, a mudança já aconteceu. Os próximos passos envolvem continuar aperfeiçoando a propriedade, ampliar sua autonomia e manter o estilo de vida que, segundo afirma, sempre desejou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

