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Medindo mais de 2 metros de altura, estátua “gigante” de mármore ficou enterrada sob uma rua romana por mais de 2 mil anos e preservou feições raras; veja fotos

Medindo mais de 2 metros de altura, estátua “gigante” de mármore ficou enterrada sob uma rua romana por mais de 2 mil anos e preservou feições raras; veja fotos

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Medindo mais de 2 metros de altura, estátua “gigante” de mármore ficou enterrada sob uma rua romana por mais de 2 mil anos e preservou feições raras; veja fotos

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 06/08/2026 às 21:36

Atualizado em 06/08/2026 às 21:37

Ciência e Tecnologia

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Estátua de 2,5 mil anos encontrada em Sardis foi reutilizada como pavimento romano e preserva pistas sobre arte e religião lídias. Foto: Ministério da Cultura e Turismo da Turquia.

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Estátua de 2,5 mil anos encontrada em Sardis foi reutilizada como pavimento romano e preserva pistas sobre arte e religião lídias.

Uma estátua monumental descoberta na antiga cidade de Sardis, no oeste da Turquia, está chamando a atenção dos arqueólogos menos por seus 2,21 metros de altura e mais por aquilo que o personagem veste.

Esculpida aproximadamente entre 470 e 450 a.C., a figura apresenta uma combinação de roupas que não encontra equivalente conhecido entre esculturas semelhantes da Grécia continental ou da Anatólia, oferecendo uma nova pista sobre a identidade cultural da antiga Lídia.

A peça representa um jovem e reúne características de tradições artísticas diferentes. Elementos tipicamente gregos aparecem ao lado de detalhes que podem ter sido próprios da sociedade lídia, justamente em um período em que Sardis já estava inserida no Império Persa Aquemênida.

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Estátua pode revelar como lídios incorporavam influências externas

O personagem usa um himation, espécie de manto associado ao mundo grego, sobre um quíton, uma túnica leve. O detalhe mais incomum aparece abaixo dessas duas peças: uma terceira vestimenta decorada com listras horizontais.

É essa combinação que torna o achado particularmente relevante. Os pesquisadores não identificaram outro exemplo igual em esculturas comparáveis, o que abre a possibilidade de a figura preservar uma maneira local de se vestir ou representar pessoas.

Sardis havia sido a capital do Reino da Lídia antes da conquista persa no século VI a.C. Sua localização favorecia contatos comerciais e culturais com diferentes regiões, tornando plausível que a arte local absorvesse influências externas sem simplesmente reproduzi-las.

Nesse sentido, a estátua pode ajudar a entender como identidades locais continuaram existindo mesmo depois de grandes mudanças políticas.

Cabelos e rosto ajudam a situar obra no tempo

A datação não depende apenas do local onde o objeto foi encontrado. O próprio estilo da escultura oferece pistas sobre o período em que ela foi produzida.

Os cabelos longos e a postura rígida lembram convenções utilizadas no século VI a.C. Já o tratamento do rosto e das mãos apresenta maior naturalismo, característica que se desenvolveu no início do período clássico.

Essa combinação levou os especialistas a posicionar a produção da obra aproximadamente entre 470 e 450 a.C.

A estátua, portanto, registra um momento de transição artística. Técnicas antigas ainda permaneciam em uso enquanto novas formas de representar o corpo humano começavam a ganhar espaço.

Isso permite estudar mudanças na escultura não como uma ruptura imediata, mas como um processo gradual no qual estilos diferentes conviveram.

Estátua de 2,5 mil anos encontrada em Sardis foi reutilizada como pavimento romano e preserva pistas sobre arte e religião lídias. Foto: Ministério da Cultura e Turismo da Turquia

Possível marmelo abre hipótese sobre práticas religiosas

Outro elemento importante está na mão direita do jovem. Ele segura um objeto que os arqueólogos acreditam poder ser um marmelo.

Caso a interpretação seja confirmada, o fruto talvez estivesse ligado a uma oferenda votiva destinada a alguma divindade. Essa possibilidade muda a maneira como a peça pode ser compreendida, porque a figura talvez tivesse originalmente uma função religiosa.

O significado exato, porém, ainda não está determinado. Pesquisadores precisarão comparar o objeto com representações semelhantes e estudar as práticas religiosas conhecidas em Sardis durante o domínio persa.

Se realmente estiver segurando uma oferenda, a estátua poderá revelar como rituais locais continuaram ou se transformaram em uma cidade administrada pelo Império Aquemênida.

Sardis reunia diferentes culturas e períodos históricos

A importância do achado também está diretamente relacionada ao local.

Sardis destacou-se na Antiguidade como um importante polo de poder político e desenvolvimento econômico da Ásia Menor. Depois de servir como capital lídia, tornou-se a sede de uma importante divisão administrativa persa.

A ocupação continuou durante diferentes períodos, deixando uma concentração excepcional de estruturas e objetos arqueológicos.

Entre os monumentos preservados estão o Templo de Ártemis e uma das maiores sinagogas já identificadas do mundo antigo.

Essa sucessão de sociedades ajuda a explicar por que objetos de uma época puderam receber funções completamente diferentes séculos depois.

Foi justamente o que aconteceu com a nova escultura.

Romanos transformaram estátua em parte de uma rua

Muito tempo depois de sua criação, o monumento já não era tratado como obra destinada à contemplação. Durante o período romano, foi reaproveitado como material para o pavimento de uma rua com colunatas situada na entrada da cidade.

A peça foi colocada com o rosto voltado para baixo.

Paradoxalmente, essa situação contribuiu para que detalhes importantes sobrevivessem. A superfície facial ficou protegida de parte da exposição e do desgaste que poderiam ter eliminado traços necessários às análises atuais.

Quando os arqueólogos localizaram a estátua, ela estava dividida em duas grandes partes. Os pés não foram encontrados e pequenos fragmentos também permanecem desaparecidos.

Mesmo incompleta, a conservação das áreas principais permitiu reconhecer cabelos, rosto, mãos, roupas e o objeto carregado pelo jovem.

Reutilização revela como monumentos perdiam significado

O reaproveitamento também é uma informação arqueológica importante.

Uma escultura monumental exigia trabalho especializado e uma quantidade considerável de mármore. Transformá-la posteriormente em material de construção indica que sua função original havia deixado de ser relevante para a população responsável pela remodelação urbana.

Esse processo ocorreu com diversos objetos da Antiguidade. Mudanças políticas, religiosas e culturais faziam com que monumentos antigos fossem desmontados, enterrados ou reutilizados em novas estruturas.

No caso de Sardis, aquilo que significou o fim da função original da peça acabou criando as condições para sua sobrevivência.

Por isso, a estátua conta duas histórias ao mesmo tempo: a sociedade que decidiu produzi-la e outra, muito posterior, que já não enxergava nela o mesmo valor.

Restauração poderá revelar novos detalhes

Considerada uma das descobertas arqueológicas mais relevantes feitas recentemente em Sardis, a escultura monumental em mármore chamou a atenção pelo elevado estado de conservação.

A peça foi localizada durante as pesquisas conduzidas pela Direção-Geral do Patrimônio Cultural e Museus da Turquia. Para o ministro da Cultura e Turismo, Mehmet Nuri Ersoy, trata-se de um dos poucos exemplares de estatuária monumental produzidos no início do período clássico que permaneceram preservados até os dias atuais.

Agora, a peça passará por procedimentos de conservação e restauração. Os trabalhos poderão ajudar a reunir suas duas partes, estabilizar o mármore e permitir observações mais detalhadas sobre técnicas de produção, marcas de ferramentas e possíveis vestígios superficiais.

Depois dessa etapa, a estátua será incorporada ao acervo do Museu de Manisa. Mais do que acrescentar uma grande escultura a uma coleção arqueológica, o achado fornece uma combinação rara de informações sobre vestuário, arte, religião e identidade.

Em uma cidade que passou pelas mãos de lídios, persas e romanos, a figura recuperada sob uma antiga rua pode ajudar os pesquisadores a distinguir quais tradições foram importadas e quais continuaram profundamente ligadas à própria Sardis.

Fonte: Revista Galileu

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Revista Galileu


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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