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Menino boia-fria que capinava amendoim e cortava cana com a família inteira no eito, José Vicente estudou até virar advogado e sociólogo e hoje comanda como reitor a universidade Zumbi dos Palmares

Menino boia-fria que capinava amendoim e cortava cana com a família inteira no eito, José Vicente estudou até virar advogado e sociólogo e hoje comanda como reitor a universidade Zumbi dos Palmares

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Menino boia-fria que capinava amendoim e cortava cana com a família inteira no eito, José Vicente estudou até virar advogado e sociólogo e hoje comanda como reitor a universidade Zumbi dos Palmares

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 21/08/2026 às 14:06

Atualizado em 21/08/2026 às 14:07

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José Vicente trabalhou como boia-fria na infância, estudou, tornou-se advogado e sociólogo e chegou à reitoria da Universidade Zumbi dos Palmares

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José Vicente trabalhou na infância como boia-fria, capinando amendoim, batendo café e cortando cana ao lado da família. Incentivado pela mãe e pela leitura, estudou, conquistou dois diplomas de nível superior, tornou-se advogado e sociólogo e hoje é reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, voltada à inclusão de pessoas negras.

José Vicente cresceu trabalhando na zona rural como boia-fria ao lado da família, em uma rotina que envolvia capinar amendoim, bater café e cortar cana. Incomodado com as jornadas longas e o trabalho sob sol forte, passou a enxergar os estudos como uma possibilidade de construir uma trajetória diferente e acabou se tornando advogado, sociólogo e reitor da Universidade Zumbi dos Palmares.

As informações foram publicadas pelo Terra em 17 de agosto de 2023, após participação de José Vicente no programa Papo Que Rende, apresentado por Verônica Oliveira e Luciana Pioto. Na conversa, ele relatou a infância no campo, a influência da mãe, o contato com a leitura e o caminho até conquistar dois diplomas de nível superior e atuar na educação.

Família pobre levava os filhos para trabalhar junto na roça

José Vicente trabalhou como boia-fria na infância, estudou, tornou-se advogado e sociólogo e chegou à reitoria da Universidade Zumbi dos Palmares

José Vicente contou que, em sua infância, o trabalho disponível para muitas famílias pobres do interior estava concentrado nas atividades rurais.

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Pais e filhos seguiam juntos para o campo. Segundo ele, as crianças ajudavam a aumentar a produção e também permaneciam próximas dos adultos porque muitas famílias não tinham com quem deixá-las durante a jornada.

Capinar amendoim, bater café e cortar cana faziam parte da rotina

O trabalho de José Vicente incluía capinar amendoim, bater café e cortar cana. Essas atividades faziam parte do cotidiano da família e das oportunidades de trabalho existentes naquele contexto.

Meu sonho era sair da boia-fria”, contou ao recordar aquele período. A vontade de encontrar outro caminho começou justamente a partir da experiência diária no campo.

Jornada começava às 4h e só terminava por volta das 19h

José Vicente explicou também a origem do termo boia-fria a partir da própria rotina dos trabalhadores rurais.

As famílias saíam de casa aproximadamente às 4h. Por volta das 9h, já faziam a refeição, mas a comida levada de casa estava fria depois das horas de trabalho e deslocamento.

O dia ainda estava longe de terminar. José Vicente relatou que acordava cedo, enfrentava o sol e chegava de volta em casa por volta das 19h.

Trabalho pesado fez menino dizer que queria ser “doutor”

A rotina intensa provocou uma decisão ainda na juventude. José Vicente afirmou que não se conformava com o sol escaldante, com os horários e com as condições do trabalho.

Foi nesse período que passou a repetir para si mesmo: “Quero ser doutor”. Segundo ele, essa ideia permaneceu e passou a orientar os passos seguintes de sua formação.

Mãe teve papel decisivo para que ele continuasse estudando

José Vicente atribui à mãe uma influência importante na mudança de trajetória. O apoio recebido ajudou a manter sua relação com a educação mesmo enquanto a família enfrentava uma realidade de trabalho rural.

O futuro reitor também teve acesso, em determinados momentos, a gibis e fotonovelas. Esses materiais despertaram seu interesse pela leitura e contribuíram para que continuasse buscando conhecimento.

Leitura abriu caminho para dois diplomas de nível superior

O contato com os textos foi ganhando espaço enquanto José Vicente se preparava para deixar a rotina de boia-fria.

Anos depois, ele conseguiu concluir dois cursos de nível superior e tornou-se advogado e sociólogo. A trajetória acadêmica levou o antigo trabalhador rural a atuar diretamente na área educacional.

José Vicente passou de aluno a criador e gestor de universidade

A formação acadêmica foi acompanhada pela criação e administração da Universidade Zumbi dos Palmares.

A instituição foi estruturada com o objetivo de formar, acolher e ampliar a inserção de pessoas negras no mercado de trabalho. José Vicente passou a exercer o cargo de reitor e a defender políticas afirmativas dentro e fora do ensino superior.

Reitor defende ações afirmativas também dentro das empresas

José Vicente considera que as políticas de inclusão não devem ficar restritas às universidades.

Para ele, o avanço precisa alcançar também as empresas e outros espaços profissionais. O reitor avalia que houve progresso nessa agenda, mas afirma que o Brasil ainda está distante da participação que considera adequada.

José Vicente cita população negra de 56% ao discutir presença universitária

Ao analisar a desigualdade de acesso, José Vicente destacou que 56% da sociedade brasileira é formada por pessoas negras, segundo o dado citado por ele na entrevista.

O razoável é que esses 56% estivessem dentro das universidades. Não é isso que acontece ainda”, afirmou.

O reitor reconheceu que a Universidade Zumbi dos Palmares e o debate sobre inclusão avançaram, mas avaliou que o país ainda precisa ampliar os resultados relacionados à presença negra no ensino superior e em outros espaços.

Trajetória que começou na roça chegou à reitoria da Zumbi dos Palmares

José Vicente passou de uma infância marcada pelas jornadas como boia-fria para uma carreira construída por meio dos estudos. O menino que trabalhava com a família no amendoim, no café e na cana concluiu dois cursos superiores e tornou-se advogado e sociólogo.

Na época da entrevista, ele ocupava a reitoria da Universidade Zumbi dos Palmares e utilizava sua própria trajetória para discutir educação, inclusão e políticas afirmativas no Brasil.

Na sua opinião, ampliar o acesso à educação e às políticas afirmativas pode criar mais oportunidades para pessoas que começam a vida em condições semelhantes às enfrentadas por José Vicente? Deixe sua opinião nos comentários.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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