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Menino que nasceu com o braço direito subdesenvolvido cresce montando LEGO, aos 18 anos transforma peças de helicóptero em sua própria prótese funcional e entra para o Guinness, até usar a invenção anos depois para ajudar Beknur, criança cuja família percorreu 1.300 km para que ele pudesse finalmente pegar objetos sozinho

Menino que nasceu com o braço direito subdesenvolvido cresce montando LEGO, aos 18 anos transforma peças de helicóptero em sua própria prótese funcional e entra para o Guinness, até usar a invenção anos depois para ajudar Beknur, criança cuja família percorreu 1.300 km para que ele pudesse finalmente pegar objetos sozinho

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Menino que nasceu com o braço direito subdesenvolvido cresce montando LEGO, aos 18 anos transforma peças de helicóptero em sua própria prótese funcional e entra para o Guinness, até usar a invenção anos depois para ajudar Beknur, criança cuja família percorreu 1.300 km para que ele pudesse finalmente pegar objetos sozinho

Escrito por Ana Alice

Publicado em 31/08/2026 às 14:00

Atualizado em 31/08/2026 às 14:01

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David Aguilar criou um braço funcional com peças de LEGO, entrou para o Guinness e passou a desenvolver próteses para outras pessoas. – Crédito: Montagem/Guinness World Records/Divulgação.

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Antes de aparecer no Guinness, David Aguilar passou anos transformando peças de LEGO em protótipos cada vez mais funcionais, até levar uma brincadeira de infância para a bioengenharia, a robótica e projetos criados para outras pessoas.

Muito antes de estudar bioengenharia ou aparecer no Guinness World Records, David Aguilar já passava horas diante de peças de LEGO tentando descobrir até onde aquelas pequenas estruturas poderiam chegar.

Nascido em Andorra com síndrome de Poland, condição congênita que, no caso dele, impediu o desenvolvimento completo do antebraço direito e do músculo peitoral do mesmo lado, David começou a brincar com LEGO ainda criança.

Aos nove anos, tentou construir o primeiro braço com as peças que tinha disponível.

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A estrutura não funcionou como ele desejava, mas a tentativa plantou uma ideia que voltaria anos depois de maneira muito mais sofisticada.

Em 2017, aos 18 anos, David conseguiu montar o primeiro braço protético funcional feito com peças de LEGO reconhecido pelo Guinness World Records.

Batizado de MK-I e construído principalmente com componentes de um helicóptero LEGO Technic, o dispositivo tinha cotovelo articulado e uma espécie de pinça capaz de segurar objetos.

A invenção que começou como um projeto pessoal não parou ali.

David continuou aperfeiçoando os modelos, acrescentou motores, sensores e dedos móveis e passou a construir dispositivos para outras pessoas.

Em 2024, sua trajetória ganhou outro reconhecimento: ele passou a integrar a seleção de “ICONS” do Guinness World Records, que reúne recordistas destacados pela organização.

Síndrome de Poland afetou o desenvolvimento do braço direito

David Aguilar nasceu em Andorra e cresceu com uma diferença física visível desde os primeiros anos.

Segundo o Guinness World Records, a síndrome de Poland fez com que ele nascesse sem o antebraço direito completamente desenvolvido e com desenvolvimento incompleto do músculo peitoral direito.

A condição é congênita e pode atingir de maneira diferente o tórax, os braços, os ombros e as mãos.

Durante a infância, David relatou ter enfrentado comentários ofensivos de outras crianças.

Ao mesmo tempo, encontrou nos brinquedos de montar um espaço onde conseguia criar estruturas sem depender de um modelo pronto.

“LEGO foi meu primeiro brinquedo quando eu era criança. Parecia que você podia construir uma quantidade infinita de coisas. A imaginação era o único limite”, afirmou em relato posteriormente reproduzido pelo Guinness.

O interesse foi aumentando à medida que ele montava carros, aviões e outras estruturas.

Até que decidiu tentar construir algo que pudesse usar no próprio corpo.

Primeiro braço de LEGO surgiu quando David tinha nove anos

A primeira experiência aconteceu por volta dos nove anos.

David utilizou peças de LEGO convencionais e componentes de um barco para tentar reproduzir um braço.

O protótipo, no entanto, não tinha resistência suficiente.

A estrutura ficava pesada e não suportava adequadamente os movimentos necessários para funcionar como prótese.

Ele abandonou aquela versão, mas não a ideia.

Nos anos seguintes, continuou brincando e aprendendo como diferentes peças se conectavam.

A mudança decisiva veio quando passou a utilizar elementos da linha LEGO Technic, criada com vigas, eixos, engrenagens e mecanismos capazes de formar estruturas muito mais resistentes e móveis do que as peças convencionais.

David Aguilar ainda criança durante suas primeiras experiências com estruturas de LEGO – Crédito: Guinness World Records/Divulgação.

MK-I transformou peças de helicóptero em uma prótese funcional

Em janeiro de 2017, aos 18 anos, David concluiu o projeto que mudaria sua história.

Para construir o MK-I, utilizou peças do conjunto LEGO Technic Rescue Helicopter, identificado pelo número 9396.

A escolha do nome fazia referência às armaduras de Tony Stark, personagem que se torna o Homem de Ferro nos quadrinhos e filmes da Marvel.

O aparelho era totalmente mecânico.

Não havia motores comandando os movimentos.

Uma articulação permitia dobrar o cotovelo, enquanto uma pinça localizada na extremidade podia abrir e fechar quando David flexionava o braço.

A estrutura tinha resistência suficiente para pegar objetos e realizar tarefas do cotidiano.

Segundo o próprio inventor, o MK-I conseguia inclusive sustentar seu peso durante flexões de braço.

Foi essa versão que entrou para o Guinness World Records como o primeiro braço protético funcional construído com LEGO.

Guinness reconheceu a criação quando ele tinha 18 anos

O registro oficial identifica David Aguilar como responsável pelo primeiro dispositivo funcional desse tipo.

O Guinness informa que o feito ocorreu em Andorra, em 2017.

O reconhecimento não foi concedido apenas porque o objeto tinha aparência semelhante à de um braço.

Era necessário que a estrutura funcionasse efetivamente como uma prótese, permitindo movimentos e a manipulação de objetos.

Depois do MK-I, David decidiu não tratar o recorde como o ponto final da experiência.

Cada nova versão passou a receber uma numeração inspirada novamente nas armaduras de Tony Stark.

Assim nasceram modelos como MK-II, MK-III, MK-IV e MK-V.

David Aguilar usa o MK-I, braço protético funcional construído com peças de LEGO Technic que levou o jovem de Andorra ao Guinness World Records. Crédito: Guinness World Records/Divulgação.

Braços robóticos ganharam motores, sensores e cinco dedos móveis

O MK-II utilizou componentes do conjunto LEGO Technic Air Race Jet.

Já o MK-III incorporou peças do Bucket Wheel Excavator, enquanto o MK-IV aproveitou elementos do Rough Terrain Crane.

A evolução mais importante ocorreu quando David começou a introduzir componentes eletrônicos.

O MK-V passou a utilizar motores, sensores e cinco dedos móveis, permitindo movimentos muito mais sofisticados do que os oferecidos pelo primeiro modelo puramente mecânico.

Segundo o Guinness, a versão utiliza um controlador programável capaz de receber informações dos sensores e enviar comandos aos motores.

David consegue controlar os movimentos por meio de pequenas ações realizadas com a parte desenvolvida do braço.

A mudança também reduziu o esforço físico necessário.

Enquanto o MK-I dependia diretamente da força muscular para movimentar o mecanismo, os motores assumiram parte desse trabalho nos modelos seguintes.

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“Hand Solo” virou o apelido do jovem inventor

A combinação entre LEGO, tecnologia e cultura pop também deu origem ao nome pelo qual David se tornou conhecido na internet.

Ele passou a utilizar o apelido “Hand Solo”, um trocadilho com Han Solo, personagem de Star Wars.

O nome acompanha seus projetos, aparições públicas e redes sociais.

A história também se aproximou de outro personagem fictício.

Por causa dos modelos MK e da inspiração nas armaduras do Homem de Ferro, David passou a ser chamado em algumas ocasiões de uma espécie de “Tony Stark da vida real”.

O próprio Guinness adotou essa comparação ao incluí-lo entre seus recordistas de destaque.

Ainda assim, os projetos tinham uma preocupação prática que ia além das referências aos filmes.

David queria entender como tornar os braços mais leves, confortáveis e acessíveis.

Interesse pelas próteses levou David à bioengenharia

A experiência acumulada com os braços também influenciou a formação acadêmica.

David ingressou no curso de Bioengenharia da Universitat Internacional de Catalunya, em Barcelona.

Antes mesmo de começar formalmente a graduação, recebeu em março de 2018 um reconhecimento de inovação concedido pela universidade pelo trabalho desenvolvido com os braços articulados.

A área aproximava duas partes que já faziam parte de sua vida: engenharia e saúde.

Seu objetivo declarado passou a ser utilizar tecnologia para desenvolver soluções acessíveis para pessoas que não conseguem pagar por próteses convencionais ou enfrentam dificuldades para utilizá-las.

Os braços feitos com LEGO não pretendiam simplesmente substituir todos os dispositivos médicos profissionais disponíveis no mercado.

Eles funcionavam também como demonstração de como materiais relativamente simples poderiam ser adaptados para necessidades específicas.

Projeto de David Aguilar chegou até Beknur

A história ganhou uma nova dimensão em 2021.

A mãe de Beknur Zhanibekuly, um menino do Cazaquistão que nasceu com os braços subdesenvolvidos e vivia com a família na França, conheceu o trabalho de David e entrou em contato com ele.

A família percorreu aproximadamente 1.300 quilômetros até Andorra.

David e seu pai, Ferran Aguilar, começaram então a desenvolver soluções especialmente adaptadas para Beknur.

David Aguilar e Beknur em registros divulgados pelo Guinness; após criar próteses para si, o inventor passou a desenvolver braços de LEGO para outras pessoas. Crédito: Guinness World Records/Divulgação.

Uma delas possuía uma pinça controlada por um cabo conectado ao pé, permitindo que o menino movimentasse o mecanismo usando a perna.

Segundo o Guinness, as peças de LEGO utilizadas nessa prótese custaram aproximadamente 15 euros, cerca de US$ 18 na época.

A criação estabeleceu outro recorde: o primeiro braço protético funcional de LEGO controlado pelo pé.

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Segundo braço permitia usar telas sensíveis ao toque

David e Ferran desenvolveram ainda outro dispositivo para Beknur.

Chamado de eMK-Beknur, o braço incorporava uma caneta eletrônica capaz de transferir a eletricidade natural do corpo até a ponta do acessório.

Isso permitia ao menino utilizar telas capacitivas, como as encontradas em tablets e smartphones.

O projeto também foi reconhecido pelo Guinness como o primeiro braço protético funcional de LEGO com uma caneta para telas sensíveis ao toque.

Nesse caso, Ferran trabalhou principalmente nos componentes eletrônicos personalizados, enquanto David se concentrou na construção da prótese.

Com os dois dispositivos, a trajetória que havia começado como uma tentativa de David para construir um braço para si mesmo passou a produzir soluções desenvolvidas para outra criança.

“Agora posso pegar coisas que antes não podia”

A reação de Beknur tornou-se uma das partes mais conhecidas dessa etapa do projeto.

Depois de experimentar os dispositivos, o menino passou a conseguir manipular pequenos objetos e utilizar equipamentos que anteriormente eram mais difíceis de operar.

O Guinness registrou a satisfação de David ao assistir ao momento em que Beknur movimentou uma das próteses pela primeira vez.

Para o inventor, aquela experiência demonstrou que suas construções poderiam ir além da necessidade pessoal que havia dado origem ao MK-I.

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Uma…

Ana Alice

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Ele passou a manifestar publicamente o desejo de ajudar outras crianças e adultos.

O objetivo também influenciou seus projetos seguintes, nos quais conforto e funcionalidade passaram a receber cada vez mais atenção.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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