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Mensagem em uma garrafa escrita por estudante de 12 anos em 1994 é encontrada 31 anos depois em ilha remota da Noruega por voluntária que limpava a praia, ainda preserva o bilhete original e faz a autora receber uma resposta mais de três décadas após o trabalho escolar
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 31/08/2026 às 15:11
Curiosidades
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Uma atividade escolar sobre a água levou Alaina Beresford a colocar uma carta dentro de uma garrafa de refrigerante e lançá-la ao mar em 1994. O que parecia ter desaparecido para sempre reapareceu 31 anos depois em uma pequena ilha norueguesa, onde uma voluntária alemã recolhia resíduos deixados pelo mar.
Em 1994, uma estudante de 12 anos da pequena comunidade costeira de Portknockie, no nordeste da Escócia, participou de um trabalho escolar que acabaria atravessando três décadas. Alaina Beresford, que na época usava o sobrenome Stephen, escreveu uma mensagem à mão, colocou o papel dentro de uma garrafa vazia de refrigerante Moray Cup e esperou que alguém, em algum lugar, a encontrasse.
A resposta só veio 31 anos depois.
A garrafa apareceu em Lisshelløya, uma pequena ilha próxima a Vega, na Noruega, onde a alemã Pia Brodtmann, então com 27 anos, trabalhava como voluntária em uma operação de limpeza de praias. Ao perceber que havia uma carta dentro do recipiente, Pia decidiu cumprir exatamente o pedido que Alaina havia feito quando ainda era criança: contar quem tinha encontrado a mensagem e onde ela havia aparecido.
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O reencontro improvável com aquele trabalho escolar foi divulgado em junho de 2025. Na época, Alaina tinha 42 anos e ficou especialmente surpresa ao descobrir que o papel ainda podia ser lido depois de tanto tempo.
Garrafa fazia parte de um trabalho escolar sobre a água
A mensagem surgiu durante um projeto desenvolvido quando Alaina estava no último ano da escola primária. O assunto estudado pela turma era a água, e uma das atividades consistia justamente em enviar mensagens dentro de garrafas e observar, caso algum recipiente fosse encontrado, até onde o mar poderia levá-lo.
Alaina escreveu seu nome, informou que tinha 12 anos e explicou que vivia em Portknockie. Depois, pediu ao futuro descobridor que respondesse contando seu nome, seus passatempos, a data e o lugar em que a garrafa tivesse sido encontrada.
As garrafas não foram lançadas diretamente pelas crianças. O marido da professora de Alaina, que trabalhava como pescador, levou os recipientes para o mar e os soltou durante uma saída de barco, segundo informações divulgadas pela BBC Scotland e reproduzidas pela imprensa britânica.
O recipiente usado pela estudante era de Moray Cup, um refrigerante associado ao nordeste da Escócia. A partir daquele momento, Alaina perdeu o contato com o objeto e seguiu a vida sem receber qualquer notícia sobre o trabalho.
Três décadas se passaram.
Voluntária encontrou a mensagem enquanto retirava lixo de ilha na Noruega
A história ganhou um novo capítulo em 2025 quando Pia Brodtmann encontrou a garrafa em Lisshelløya, nas proximidades do arquipélago de Vega.
Pia estava na Noruega como voluntária da organização ambiental In The Same Boat, que realiza operações de retirada de plástico e outros resíduos acumulados em praias e trechos isolados da costa. A jovem alemã participaria do trabalho por quatro meses e vivia, junto com outros integrantes da equipe, em uma embarcação durante as atividades.
Naquele dia, o grupo trabalhava justamente na limpeza de Lisshelløya. Em meio ao material levado pelas correntes para a costa apareceu a antiga garrafa escocesa.
O que normalmente poderia ter sido tratado simplesmente como mais um objeto plástico descartado tinha algo diferente dentro.
Era a carta de Alaina.
Pia retirou o papel, identificou os dados deixados pela estudante e resolveu responder. Em vez de recorrer apenas à internet, escolheu um meio semelhante ao usado três décadas antes e enviou um cartão-postal para a Escócia.
Um endereço escrito em 1994 ainda levou a resposta até Alaina
Havia outro obstáculo que poderia ter encerrado a história naquele momento. O endereço anotado no trabalho escolar tinha mais de 30 anos.
Mesmo assim, funcionou.
Alaina contou que havia morado durante algum tempo em Buckie e também em outra residência de Portknockie, mas posteriormente voltou para a casa dos pais. Por coincidência, era justamente o endereço registrado na antiga carta, o que permitiu que o cartão enviado da Noruega chegasse à destinatária.
Ao verificar a correspondência, ela encontrou um cartão que não esperava receber. Pia explicava que havia localizado sua mensagem em uma pequena ilha perto de Vega e queria saber mais sobre o ponto exato em que o marido da professora havia lançado a garrafa tantos anos antes.
O cartão mostrava ainda as embarcações utilizadas pela equipe. Entre elas estavam o barco de trabalho Nemo e o veleiro Fonn, onde parte dos voluntários permanecia durante a operação.
Para Alaina, aquelas poucas linhas ligavam diretamente sua vida adulta a uma atividade escolar que quase já não fazia parte de suas lembranças.
Papel surpreendeu pelo estado mesmo depois de três décadas
Depois de receber o cartão, Alaina procurou Pia pelas redes sociais e pediu uma fotografia da mensagem original.
A imagem trouxe outra surpresa. O texto escrito quando ela tinha 12 anos continuava legível, apesar de todo o período transcorrido entre 1994 e 2025.
Em entrevista divulgada pela BBC Scotland, Alaina disse que não conseguia mais se lembrar do momento exato em que escreveu o texto, embora ainda se recordasse da garrafa de Moray Cup e de que o marido de sua professora havia levado os recipientes para o mar.
Não é possível determinar quanto desses 31 anos a garrafa passou efetivamente flutuando. Objetos transportados pelo mar podem ficar presos em praias, enseadas, rochas ou vegetação e voltar a se movimentar posteriormente. Por isso, o local do encontro demonstra onde o recipiente terminou sua trajetória conhecida, e não necessariamente o caminho completo percorrido durante as três décadas.
O fato comprovado é que a mensagem saiu da região de Moray, na Escócia, e acabou do outro lado do Mar do Norte, na costa norueguesa.
Local da descoberta faz parte de um arquipélago reconhecido pela UNESCO
A região onde a carta reapareceu também ajuda a explicar por que havia voluntários trabalhando em uma ilha tão pequena.
Vega fica pouco ao sul do Círculo Polar Ártico e é cercada por milhares de ilhas, ilhotas e formações rochosas. Segundo a UNESCO, o conjunto conhecido como Vegaøyan, ou Arquipélago de Vega, reúne cerca de 6.500 ilhas, ilhotas e recifes e foi incluído na Lista do Patrimônio Mundial em 2004 como paisagem cultural.
A organização In The Same Boat atua desde 2017 na retirada de resíduos da costa norueguesa e de outras regiões do Atlântico Norte. O trabalho envolve justamente locais de difícil acesso, onde redes de pesca, cordas, embalagens e objetos plásticos podem permanecer acumulados por anos.
Foi durante uma dessas operações que um objeto lançado como parte de uma experiência escolar deixou de ser apenas mais um item recolhido na praia.
Alaina e Pia passaram a conversar depois do encontro improvável
A correspondência não terminou com o cartão-postal.
Depois de localizar Pia nas redes sociais, Alaina iniciou uma troca de mensagens com a voluntária alemã, e as duas disseram que pretendiam continuar em contato.
O encontro também respondeu, com três décadas de atraso, à pergunta que estava no centro daquele trabalho escolar de 1994. Alguém realmente encontrou a garrafa, contou quem era e explicou onde ela havia chegado.
Só que quando a resposta finalmente apareceu, a estudante de 12 anos já tinha 42.
E a pessoa que respondeu ao antigo pedido sequer havia nascido quando a mensagem foi enviada.
Você imaginaria receber uma resposta de um trabalho escolar feito há mais de 30 anos?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

