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Merendeira da rede municipal do Rio desde 1985, fez o curso Normal, formou-se em Letras, prestou novos concursos, virou professora, coordenadora e diretora e, 35 anos depois, assumiu a Secretaria de Educação de uma rede com cerca de 650 mil alunos
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 02/08/2026 às 01:22
Curiosidades
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Trajetória construída dentro da educação pública mostra como estudo, concursos e experiência em diferentes funções podem transformar uma carreira iniciada nos bastidores da escola até alcançar uma posição de enorme responsabilidade em uma das maiores redes municipais de ensino da América Latina.
A trajetória de Sueli Pontes Gaspar dentro da educação pública começou na cozinha de uma escola e alcançou o comando da própria rede municipal em que ela havia ingressado como merendeira, após décadas de formação, concursos e experiência em diferentes funções.
Ao longo de 35 anos, a servidora retomou os estudos, concluiu a formação necessária para lecionar, passou por novos concursos e acumulou responsabilidades pedagógicas e administrativas até assumir a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.
Sem ocorrer de forma repentina, a mudança profissional foi construída por etapas que reuniram estudo, trabalho e novas aprovações no serviço público, sempre dentro da mesma estrutura educacional em que ela havia começado preparando a alimentação dos estudantes.
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Da cozinha escolar à formação docente
Primeiro, Sueli concluiu o curso Normal, formação de nível médio voltada à preparação de professores para os anos iniciais da educação básica, e depois se graduou em Letras pela Universidade Estácio de Sá, ampliando sua qualificação profissional.
Com essa formação, ela ampliou as possibilidades de atuação e passou a ocupar diferentes funções na rede, saindo da cozinha escolar para áreas ligadas diretamente ao ensino, à coordenação pedagógica e à administração de unidades.
Depois de prestar novos concursos e se tornar professora, também trabalhou como agente de administração, chefe de polo de educação pelo trabalho, coordenadora pedagógica, diretora adjunta, professora de sala de leitura e diretora de um Centro Integrado de Educação Pública.
Mais adiante, Sueli integrou a coordenação do projeto Escolas do Amanhã e atuou como assessora especial na Secretaria Municipal de Educação, reunindo experiências de rotina escolar, planejamento pedagógico, gestão de programas e administração de unidades.
Esse percurso profissional, construído em diferentes níveis da rede, antecedeu sua escolha para comandar toda a estrutura municipal de ensino, depois de anos acompanhando de perto as necessidades de alunos, professores, gestores e profissionais de apoio.
Rede municipal atendia cerca de 650 mil alunos
Segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, Sueli assumiu a secretaria após 35 anos de serviço público, quando a rede reunia cerca de 650 mil alunos distribuídos por 1.541 unidades escolares em diferentes regiões da cidade.
Naquele momento, o órgão municipal apresentava o sistema carioca como a maior rede municipal de ensino da América Latina, o que ampliava o peso administrativo e pedagógico do cargo ocupado por uma servidora que havia começado como merendeira.
A dimensão da função tornou ainda mais visível o contraste entre o início e o ponto mais alto de sua carreira, já que a profissional responsável por preparar refeições passou a participar de decisões capazes de alcançar centenas de milhares de estudantes.
O início da carreira como merendeira
Sua entrada no serviço municipal ocorreu em fevereiro de 1985, quando a merenda escolar era o principal vínculo diário de Sueli com alunos, professores e demais trabalhadores responsáveis por manter o funcionamento da escola pública carioca.
Com o tempo, o ambiente que inicialmente representava apenas seu local de trabalho tornou-se também o espaço onde ela reconstruiu a própria formação e iniciou uma trajetória mais ampla dentro da educação municipal do Rio de Janeiro.
Nesse caminho, o curso Normal teve papel decisivo por oferecer a habilitação voltada à docência, enquanto a graduação em Letras acrescentou formação superior e abriu novas possibilidades de atuação profissional em diferentes áreas da rede.
As aprovações em concursos públicos, por sua vez, permitiram que a mudança de função acontecesse de maneira formal, acompanhando o avanço acadêmico e a experiência acumulada em diferentes setores da administração educacional ao longo dos anos.
Experiência em sala de aula e gestão escolar
Ao assumir responsabilidades pedagógicas, Sueli passou a acompanhar diretamente a organização do ensino, o trabalho desenvolvido com os estudantes e as necessidades das equipes responsáveis pela rotina diária das unidades escolares da rede municipal carioca.
Já nas funções de gestão, ela se envolveu com o funcionamento administrativo das escolas, a coordenação de profissionais e a execução de projetos educacionais que exigiam planejamento, acompanhamento constante e tomada de decisões em diferentes frentes.
Entre os momentos de destaque está sua atuação no Ciep 1º de Maio, localizado na comunidade do Rolas, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, onde exerceu funções de liderança e gestão escolar municipal.
Inserida em uma região marcada pela violência, a unidade passou a ser associada ao trabalho realizado por Sueli e pela equipe, que contribuiu para transformar a escola em referência educacional dentro da rede pública municipal carioca.
Prêmios reconheceram a trajetória na educação
O reconhecimento profissional também apareceu em premiações e homenagens ligadas à educação e à gestão pública, recebidas após anos de atuação em escolas, projetos e setores administrativos vinculados ao município do Rio de Janeiro carioca.
Entre essas distinções estão o prêmio Faz Diferença, o Prêmio Claudia de 2014 na categoria Políticas Públicas e uma moção concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro em reconhecimento à sua trajetória profissional pública.
Secretaria de Educação durante a pandemia
A chegada à Secretaria Municipal de Educação ocorreu em abril de 2020, período em que as atividades presenciais estavam suspensas e crianças e adolescentes permaneciam afastados do convívio escolar por causa da pandemia de coronavírus.
Além de administrar uma rede de grande porte, Sueli precisou assumir responsabilidades relacionadas à comunicação com as famílias, à organização das unidades, à continuidade das atividades pedagógicas e aos efeitos sociais provocados pelo fechamento das escolas.
A nomeação colocou no centro dessas decisões uma profissional que conhecia a estrutura educacional por diferentes perspectivas, desde a alimentação escolar até a administração de programas, equipes e unidades distribuídas por diversas regiões da cidade.
Profissionais de apoio também constroem carreiras
Esse histórico também evidencia o papel dos profissionais de apoio no funcionamento cotidiano das escolas, já que merendeiras, agentes administrativos e outros servidores mantêm contato direto com estudantes, professores, gestores e equipes pedagógicas todos os dias.
Embora essas funções nem sempre recebam a mesma visibilidade atribuída a professores e dirigentes, elas integram a rotina escolar e podem representar o ponto de partida para trajetórias profissionais mais amplas dentro da educação pública.
No caso de Sueli, a permanência na rede foi acompanhada por formação contínua, mudanças formais de cargo e experiências acumuladas em posições com níveis crescentes de responsabilidade pedagógica e administrativa ao longo da carreira profissional.
Seu avanço profissional envolveu conclusão de cursos, graduação superior, aprovação em concursos e atuação em setores que permitiram conhecer a escola tanto pelo cotidiano dos alunos quanto pelas exigências próprias da gestão pública municipal brasileira.
Da preparação da merenda ao comando da rede
Mesmo depois da chegada à secretaria, a passagem pela merenda permaneceu como parte central de sua história, porque ajuda a dimensionar a distância percorrida dentro da mesma estrutura municipal de ensino ao longo de décadas.
A servidora que começou preparando a alimentação dos estudantes chegou a administrar uma rede formada por mais de mil unidades escolares, depois de reunir experiência em sala de aula, coordenação pedagógica, direção e gestão de projetos.
Entre uma função e outra, cada cargo acrescentou uma perspectiva diferente sobre o funcionamento da educação pública, das necessidades imediatas dos alunos ao planejamento de ações capazes de alcançar escolas e comunidades de toda a cidade.
Ao ser nomeada secretária, Sueli afirmou que o próprio esforço para estudar influenciava a forma como enxergava os estudantes que passaram por sua trajetória profissional e o papel exercido pela escola na transformação das pessoas.
Quantas outras profissionais que hoje trabalham nos bastidores das escolas podem estar construindo, em silêncio, uma trajetória capaz de levá-las à sala de aula, à direção de uma unidade ou ao comando de uma rede pública?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

