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Mergulhadores vasculhavam o fundo do mar para uma obra em Copenhague quando acharam, enterrado na areia e lodo, um “supernavio” medieval de 28 metros, com cozinha feita de 200 tijolos, objetos da tripulação e casco preservado após mais de 600 anos
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 10/08/2026 às 17:03
Atualizado em 10/08/2026 às 17:22
Ciência e Tecnologia
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Construído por volta de 1410, o Svælget 2 mede 28 metros, preserva cozinha de tijolos, cordame e castelo de popa, e oferece novas pistas sobre o comércio e a construção naval medieval no norte europeu
Mergulhadores arqueológicos do Museu do Navio Viking da Dinamarca encontraram perto de Copenhague o Svælget 2, descrito como a maior coca conhecida. Construído por volta de 1410, o navio mede 28 metros e poderia transportar mais de 300 toneladas, além de preservar estruturas medievais nunca documentadas arqueologicamente dessa forma.
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Svælget 2 foi encontrado a 13 metros de profundidade por mergulhadores
O naufrágio estava parcialmente enterrado em areia e lodo a cerca de 13 metros de profundidade no Öresund, estreito entre Dinamarca e Suécia que liga o Mar Báltico ao Kattegat e dá acesso ao Mar do Norte.
A descoberta ocorreu durante levantamentos do fundo do mar por mergulhadores relacionados ao aterro e à criação do novo bairro de Lynetteholm. A embarcação recebeu o nome Svælget 2 em referência ao canal onde foi localizada.
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O tamanho ajuda a dimensionar a descoberta. O navio tinha aproximadamente 28 metros de comprimento, 9 metros de largura e 6 metros de altura, com capacidade estimada superior a 300 toneladas.
Nenhuma carga ou lastro permaneceu no interior. Como o porão estava descoberto, os arqueólogos consideram provável que cargas transportadas em barris ou fardos tenham flutuado durante o naufrágio.
Casco preservado do navio revela estruturas nunca encontradas em uma coca
Os sedimentos protegeram o lado estibordo desde a quilha até a borda em uma extensão considerada inédita entre naufrágios desse tipo. Os pesquisadores também recuperaram partes do cordame, material raramente preservado.
Outro elemento importante é o castelo de popa. A estrutura fornece a primeira evidência arqueológica desse tipo de plataforma de madeira em uma coca, embora construções semelhantes já fossem conhecidas por meio de ilustrações medievais.
Segundo o líder da escavação, Otto Uldum, o volume preservado amplia de maneira significativa o material disponível para compreender como essas grandes embarcações mercantes eram construídas e equipadas para navegar.
Cozinha tinha cerca de 200 tijolos e 15 telhas
Uma das descobertas mais incomuns foi uma cozinha construída com aproximadamente 200 tijolos e 15 telhas, estrutura que permitia preparar alimentos utilizando fogo aberto durante as viagens.
Na mesma área, os arqueólogos encontraram panelas de bronze, tigelas de cerâmica, restos de peixe e carne, utensílios de mesa, tigelas de madeira pintadas, sapatos, pentes e contas de rosário.
Também foram recuperadas aduelas de barril e espetos utilizados para cozinhar peixe. Uldum destacou que uma cozinha de tijolos nunca havia sido identificada anteriormente em um navio medieval encontrado em águas dinamarquesas.
A estrutura mostra uma organização da vida a bordo que permitia aos marinheiros consumir refeições quentes durante viagens longas, em contraste com as condições mais expostas dos navios da Era Viking citadas pelo arqueólogo.
Madeira indica construção nos Países Baixos
Análises da madeira apontam diferentes origens para os materiais empregados. Carvalho da Pomerânia foi utilizado nas tábuas, enquanto madeira proveniente dos atuais Países Baixos apareceu nas estruturas.
Segundo Uldum, o Svælget 2 foi construído nos Países Baixos, região que concentrava o conhecimento necessário para produzir cocas dessas dimensões.
Essas embarcações permitiam transportar grandes volumes de mercadorias com tripulações relativamente pequenas. Um navio do porte do Svælget 2 poderia realizar viagens entre a região dos atuais Países Baixos, o Estreito de Øresund e cidades comerciais do Mar Báltico.
Os componentes e artefatos recuperados pelos mergulhadores estão sendo conservados no Museu Nacional da Dinamarca, em Brede. A escavação foi financiada pela By & Havn, da Copenhagen City & Port Development.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Museu do Navio Viking da Dinamarca presentes no material fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.
Fonte
https://divernet.com/scub
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

