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Mesmo com o alarme disparado, ladrão entrou em museu de Viena por um andaime, levou escultura renascentista de ouro avaliada em mais de US$ 60 milhões e terminou escondendo a obra debaixo da terra
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 11/08/2026 às 20:03
Atualizado em 11/08/2026 às 20:04
Curiosidades
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O roubo da Saliera expôs uma falha de segurança no museu de Viena, manteve a escultura de ouro desaparecida por quase três anos e terminou com a ciência nuclear ajudando a avaliar danos no ouro e no esmalte, sem retirar amostras, após a recuperação da obra em uma floresta austríaca.
Mesmo com o alarme disparado, um ladrão conseguiu entrar no Kunsthistorisches Museum, o Museu de História da Arte de Viena, durante uma reforma em maio de 2003. Ele aproveitou um andaime para alcançar o interior do prédio, rompeu a vitrine e levou a Saliera, uma escultura renascentista de ouro com pouco menos de 30 centímetros.
A IAEA, Agência Internacional de Energia Atômica, organismo internacional dedicado à tecnologia nuclear, publicou os detalhes centrais sobre a obra, a recuperação e os exames científicos. A peça criada por Benvenuto Cellini para guardar sal em banquetes reais tinha valor atribuído superior a US$ 60 milhões.
O desaparecimento durou quase três anos. Quando a escultura voltou ao museu, no início de 2006, o problema deixou de ser apenas policial. Conservadores precisavam descobrir o que o período escondido e os meses debaixo da terra haviam provocado no ouro e no esmalte da Saliera.
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O andaime que abriu caminho para o roubo da Saliera
A reforma do museu criou a oportunidade usada pelo ladrão. O andaime instalado no edifício permitiu o acesso à área onde a escultura de ouro estava exposta, mesmo com o sistema de alarme entrando em ação durante a invasão.
A vitrine que protegia a Saliera foi rompida. Depois da recuperação, os especialistas encontraram um arranhão profundo na figura feminina que representa a Terra. A marca foi associada à ferramenta usada para quebrar a proteção durante o roubo.
O tamanho reduzido da obra também chama atenção. Com pouco menos de 30 centímetros, a Saliera reúne duas figuras humanas que simbolizam o deus do mar e a deusa da terra. Apesar das dimensões pequenas, a peça concentra ouro, esmalte e um trabalho artístico que exige cuidados extremos.
Quase três anos escondida e alguns meses enterrada na floresta
A polícia austríaca passou quase três anos procurando a escultura. No início de 2006, uma informação levou os investigadores até uma floresta no noroeste da Áustria, onde a Saliera estava dentro de uma bolsa enterrada no solo.
A obra não permaneceu debaixo da terra durante todo o período em que esteve desaparecida. O ladrão manteve a Saliera escondida debaixo da cama por vários anos e só depois colocou a peça em uma bolsa e a enterrou, onde ficou por alguns meses.
Essa diferença ajuda a entender o estado da escultura na recuperação. Foram quase três anos longe do museu, mas apenas uma parte desse tempo envolveu contato direto com as condições do solo. Ainda assim, o armazenamento inadequado aumentou a preocupação dos conservadores.
O ouro enterrado na floresta preocupou os restauradores
A Saliera combina ouro e esmalte, e os dois materiais exigem cuidados diferentes. O ouro apresentou alta pureza nos exames, enquanto o esmalte já mostrava sinais de degradação e partes começavam a se desprender.
A IAEA, Agência Internacional de Energia Atômica, organismo internacional voltado à cooperação nuclear, registrou que os danos causados pelo roubo foram menores do que os conservadores temiam. O arranhão na figura feminina era o sinal mais evidente, mas o esmalte precisava de uma investigação cuidadosa antes da restauração.
Expor uma obra tão delicada a condições inadequadas representa um risco porque a conservação depende da estabilidade de seus materiais. Por isso, não bastava observar a superfície. Era necessário identificar a composição da peça sem cortar, raspar ou retirar qualquer fragmento.
A fluorescência de raios X analisou a obra sem retirar amostras
Para estudar a Saliera, os especialistas usaram a fluorescência de raios X, técnica conhecida pela sigla XRF. Um equipamento portátil foi levado até a escultura para identificar os elementos químicos presentes em diferentes pontos da obra.
O processo funciona sem destruir o material analisado. O aparelho direciona raios X para uma área escolhida e registra sinais que ajudam a revelar quais elementos estão presentes. Isso permite examinar ouro e esmalte sem retirar amostras da escultura.
A portabilidade também reduziu outro risco. Como qualquer movimentação de uma obra delicada pode causar problemas, levar o equipamento até a Saliera evitou transportes desnecessários durante a investigação científica.
Exames encontraram ouro com cerca de 90% de pureza
As primeiras medições mostraram que o ouro usado na Saliera tinha cerca de 90% de pureza. A composição do esmalte, material mais sensível e parcialmente descamado, ainda precisava de análises adicionais.
Esses dados deram aos conservadores informações importantes para planejar a restauração. Ao descobrir quais elementos estavam presentes, a equipe podia avaliar melhor os materiais e escolher formas de preservar a escultura sem provocar novos danos.
A técnica também mostrou como métodos ligados à ciência nuclear podem ser usados na preservação de patrimônio cultural. No caso da Saliera, a fluorescência de raios X permitiu investigar uma obra renascentista sem sacrificar uma parte sequer do objeto analisado.
O caso mostra que recuperar uma obra roubada não encerra necessariamente o problema. Depois de anos escondida e meses enterrada, a Saliera ainda precisava ser estudada para que ouro e esmalte pudessem ser preservados com o menor risco possível.
O que mais surpreende nessa história: a forma como uma obra tão valiosa foi retirada do museu ou a tecnologia usada para preservá-la após anos desaparecida? Comente.
Fonte
IAEA
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

