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Metalúrgico deixa a fábrica após mais de uma década, volta ao Paraná, começa com 800 quilos de uva e agora espera colher 30 toneladas por ano com renda 50% maior
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 03/08/2026 às 21:02
Agronegócio
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Sidney Banruque deixou mais de uma década na metalurgia, voltou a Ivaiporã e começou a produzir Uva Vitória. Com cursos, manejo e consultoria, saiu de 800 quilos para expectativa de 30 toneladas anuais, renda 50% maior e uma rotina de trabalho reduzida.
Depois de mais de uma década trabalhando como metalúrgico em São José dos Pinhais, Sidney Banruque decidiu voltar para Ivaiporã, sua cidade natal. Em 2019, ele comprou uma área rural e começou a transformar o desejo de produzir uvas em fonte de renda.
Nos primeiros anos, a colheita não passava de 800 quilos. Agora, o produtor espera chegar a 30 toneladas anuais, relata renda 50% superior à época da fábrica e afirma trabalhar apenas um terço do tempo que dedicava à metalurgia.
Metalúrgico deixa a fábrica após mais de uma década, volta ao Paraná, começa com 800 quilos de uva e agora espera colher 30 toneladas por ano com renda 50% maior
Sidney cresceu em uma família ligada ao campo, mas construiu a primeira parte da vida profissional dentro da indústria. A volta ao Vale do Ivaí exigiu reaprender rotinas, estudar o cultivo e organizar a propriedade como negócio.
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Ele passou a cultivar a BRS Vitória em uma propriedade de seis hectares no Bairro Formoso. A variedade é uma uva de mesa preta, sem sementes e de sabor aframboesado, desenvolvida pela Embrapa.
A mudança não ocorreu de uma colheita para outra. O avanço veio com cursos, consultoria técnica e ajustes de gestão, somados ao acompanhamento constante do parreiral.
Colheita sai de 800 quilos e mira 30 toneladas anuais
Nos primeiros ciclos, a produção de Sidney ficava em torno de 800 quilos. Com o aprendizado acumulado e o apoio técnico, a expectativa anual subiu para 30 toneladas.
O produtor também relata uma mudança na qualidade de vida. Segundo ele, a família passou a obter renda 50% maior e a trabalhar um terço do tempo exigido pela antiga rotina na fábrica.
Os números representam a experiência da propriedade de Sidney. Eles não significam que todo cultivo de uva terá o mesmo resultado, porque produtividade depende de área plantada, clima, manejo, sanidade e investimento.
BRS Vitória é uva preta, sem sementes e de ciclo precoce
A Embrapa descreve a BRS Vitória como uma cultivar vigorosa e fértil, com sabor aframboesado e boa adaptação a diferentes regiões. Em condições técnicas adequadas, a produtividade pode ficar entre 25 e 30 toneladas por hectare.
Essa faixa é uma referência agronômica da cultivar, diferente da expectativa total de 30 toneladas informada por Sidney para sua produção anual. A comparação ajuda a dimensionar o potencial, sem confundir área cultivada com volume total da propriedade.
Doença fúngica exige orientação e manejo constante
Uma das principais dificuldades no Vale do Ivaí é a podridão-da-uva-madura, doença fúngica capaz de provocar manchas, escurecimento, murchamento e perda de qualidade dos frutos.
O acompanhamento de um engenheiro agrônomo ajudou Sidney a escolher práticas de manejo sem depender apenas de recomendações comerciais de insumos. Para um pequeno produtor, esse suporte especializado teria custo elevado fora de um programa subsidiado.
A orientação técnica não elimina o risco climático ou sanitário. Ela permite reconhecer o problema mais cedo, organizar intervenções e avaliar investimentos com base no comportamento real do parreiral.
Sebraetec subsidia até 50% dos projetos no Paraná
No Vale do Ivaí, 51 produtores recebiam apoio do Sebraetec para melhorar produtividade e gestão. No Paraná, o subsídio pode cobrir até 50% do valor de projetos contratados por MEI, microempresas, empresas de pequeno porte, produtores rurais e artesãos.
O serviço conecta o produtor a consultorias em inovação, qualidade, sustentabilidade, gestão e tecnologia. No caso de Sidney, a assistência ajudou a organizar finanças, definir objetivos e enfrentar problemas específicos da Uva Vitória.
Cobertura plástica e novas variedades são o próximo passo
Sidney planeja testar cobertura plástica para proteger a produção. A estimativa apresentada por ele é de pelo menos R$ 220 mil por hectare, razão pela qual a decisão vem sendo preparada com dias de campo e comparação de materiais.
O produtor também pretende diversificar o parreiral com outras uvas de mesa, incluindo uma variedade verde sem sementes. A estratégia busca alcançar públicos diferentes e reduzir a dependência de um único produto.
A história do ex-metalúrgico mostra uma transformação construída com tempo, orientação e investimento. Os 800 quilos iniciais não desapareceram da trajetória; viraram a medida de quanto o projeto rural avançou até a expectativa de 30 toneladas por ano.
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Fontes
Agência Sebrae PR — Apoio do Sebrae/PR eleva produtividade no cultivo de uva no Vale do Ivaí
Embrapa — Uva BRS Vitória
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

