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Milei assinou decreto liberando 450 militares brasileiros, quatro embarcações, entre elas um submarino, em águas argentinas, dois dias depois de o Brasil rebaixar as relações diplomáticas com o país vizinho

Milei assinou decreto liberando 450 militares brasileiros, quatro embarcações, entre elas um submarino, em águas argentinas, dois dias depois de o Brasil rebaixar as relações diplomáticas com o país vizinho

6 min de leitura

Milei assinou decreto liberando 450 militares brasileiros, quatro embarcações, entre elas um submarino, em águas argentinas, dois dias depois de o Brasil rebaixar as relações diplomáticas com o país vizinho

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 08/08/2026 às 11:27

Atualizado em 08/08/2026 às 11:40

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Milei autorizou por decreto a entrada de 450 militares brasileiros na Argentina para o exercício Fraterno, dois dias após o Brasil rebaixar relações.

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O decreto 717/2026 autoriza a entrada de 450 militares brasileiros na Argentina para o exercício naval Fraterno XXXIX, entre 10 e 24 de agosto. A assinatura ocorreu 48 horas após o Itamaraty reduzir a representação bilateral ao nível de encarregado de negócios, na maior crise diplomática recente entre os dois países.

Dois dias depois de o Brasil rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina, Javier Milei assinou o decreto que autoriza a entrada de 450 militares brasileiros em território e águas argentinas. A norma é o decreto 717/2026, publicado no Boletim Oficial na quinta-feira, 6 de agosto de 2026, com a assinatura do presidente e de todo o gabinete de ministros, conforme apurado por Infobae, Perfil e agências argentinas.

O objetivo é o exercício naval combinado Fraterno, realizado anualmente desde 1978 entre a Marinha do Brasil e a Armada Argentina. A cooperação militar seguiu em pé enquanto a relação política entrava na crise mais profunda em décadas. O rebaixamento diplomático havia sido comunicado na terça-feira, 4 de agosto, quando o Itamaraty informou ao embaixador argentino em Brasília que a representação passaria a funcionar no nível de encarregado de negócios.

Quem embarca e em quais navios

Milei autorizou por decreto a entrada de 450 militares brasileiros na Argentina para o exercício Fraterno, dois dias após o Brasil rebaixar relações.

O decreto especifica o efetivo por embarcação, e a soma fecha exatamente nos 450 autorizados. A fragata Niterói leva o maior contingente, com 200 militares. A fragata Tamandaré entra com 135. O navio de socorro Guillobel contribui com 80 tripulantes. E o submarino Riachuelo completa a lista com 35.

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A presença do submarino é o detalhe que muda a natureza do treinamento, porque exercícios de guerra antissubmarina exigem justamente um alvo real submerso. Há ainda um marco registrado pela imprensa argentina: é a primeira vez que uma fragata da classe Tamandaré participa da operação, segundo o portal Sin Filtro. Aeronaves também estão contempladas na autorização, conforme registraram MDZ e Total News Agency.

Onde o exercício acontece de verdade

Aqui é preciso corrigir uma informação que circulou nas primeiras horas. Puerto Belgrano não fica em Mar del Plata. A base é o principal assentamento da Flota de Mar argentina e está localizada nas proximidades de Punta Alta e Bahía Blanca, no sul da província de Buenos Aires, a mais de 400 quilômetros de Mar del Plata.

A confusão tem origem no fato de o exercício usar as duas bases. Segundo o texto do decreto reproduzido por Infobae, Perfil e Nuevo Diario Web, as atividades ocorrem na Base Naval Puerto Belgrano, na Base Naval Mar del Plata e em águas jurisdicionais argentinas. O planejamento oficial prevê que as unidades brasileiras entrem primeiro por Puerto Belgrano, onde acontecem as coordenações prévias, informou o portal marplatense 0223. O encerramento está previsto para a base de Mar del Plata.

Também há divergência sobre as datas. O texto do decreto autoriza a permanência entre 10 e 24 de agosto de 2026, período confirmado por Infobae, Perfil, Minuto Uno, Nuevo Diario Web e Total News Agency. Uma parte da cobertura inicial, incluindo o jornal platense El Día, registrou o início em 13 de agosto.

Fraterno XXXIX: quase meio século de continuidade

Esta é a 39ª edição do exercício, que acontece todos os anos desde 1978 sem interrupção registrada. Os objetivos declarados no decreto são elevar o adestramento combinado e a interoperabilidade em operações navais, aeronavais e anfíbias, além de padronizar e simplificar processos de planejamento e condução.

A continuidade tem peso próprio no contexto atual. Uma cooperação construída ao longo de quase cinco décadas atravessou governos de orientações políticas muito diferentes nos dois países. O decreto argumenta que a ausência do Brasil afetaria significativamente o treinamento naval em operações combinadas, especialmente em atividades de elevada complexidade tática. O texto trata a participação brasileira como necessidade operacional, não como gesto político.

O decreto não é só sobre o Brasil

Milei autorizou por decreto a entrada de 450 militares brasileiros na Argentina para o exercício Fraterno, dois dias após o Brasil rebaixar relações.

Um dado que muda a leitura da medida e que não apareceu na cobertura inicial brasileira: o decreto 717/2026 não trata exclusivamente da operação com o Brasil. A mesma norma autoriza o exercício Viekaren XXVI com o Chile e os deslocamentos Siforex XIV e Unitas LXVII no Peru, com um calendário que vai de 10 de agosto a 14 de outubro de 2026.

A via escolhida também é relevante. Trata se de um decreto de necessidade e urgência, formato excepcional que o governo argentino justificou pela falta de tratamento legislativo do Programa Anual de Exercitações. O texto oficial afirma que a situação tornou impossível seguir os trâmites ordinários previstos na Constituição. Ou seja, a assinatura resolveu um calendário militar inteiro, e não apenas a chegada dos militares brasileiros.

A crise que emoldura a decisão

O rebaixamento diplomático foi anunciado em 4 de agosto e é descrito pela imprensa brasileira como inédito na história recente entre os dois países. Com a medida, a representação bilateral passa a ser conduzida por encarregados de negócios, e o embaixador Julio Glinternick Bitelli não retorna a Buenos Aires enquanto persistirem os ataques.

A origem da crise está em declarações do presidente argentino. Segundo o jornal El Día, Milei classificou Lula como ladrão, presidiário e corrupto durante ato político em São Paulo em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e, depois, em entrevistas. O Perfil registra ainda o uso da expressão lixo socialista. O presidente argentino também questionou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O governo brasileiro tratou as falas como ofensa institucional.

Há divergência na cobertura sobre a situação do embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi. O Perfil informa que o chanceler brasileiro Mauro Vieira pediu que ele deixasse o país, e a Euronews registra que o Brasil solicitou à Argentina a retirada do embaixador. Já o Correio Braziliense apurou que Raimondi não foi declarado persona non grata nem recebeu determinação para sair, e que o Planalto teria buscado concentrar a reação na Casa Rosada sem atingir o diplomata. Do lado argentino, o chanceler Pablo Quirno classificou como lamentável a decisão brasileira.

Duas leituras possíveis para o mesmo decreto

A imprensa argentina não converge sobre o significado do gesto. O Perfil sustenta que uma autorização que em outro momento seria rotineira pode agora ser lida como primeiro sinal de restituição da relação diplomática habitual com o principal parceiro comercial do país.

A Total News Agency oferece interpretação diferente, apontando que a continuidade da cooperação apesar do rebaixamento seria sinal de que as Forças Armadas tentam preservar uma relação estratégica construída ao longo de quase cinco décadas. As duas leituras convivem com um terceiro fato objetivo: o decreto era necessário para viabilizar também os exercícios com Chile e Peru, e a data de início, 10 de agosto, deixava pouca margem para adiamento.

O caso coloca uma questão que ultrapassa o momento político: cooperação militar entre países vizinhos deve ficar imune a crises diplomáticas, funcionando como canal permanente, ou o rebaixamento de relações deveria alcançar também o campo da defesa?

Conta nos comentários: manter o Fraterno em pé, mesmo sem embaixadores nos dois países, é sinal de maturidade institucional ou incoerência? E na sua opinião, o que pesa mais em uma relação entre vizinhos, o discurso dos presidentes ou os acordos que continuam funcionando por baixo dele?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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