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Mineira largou a faculdade, mudou-se para os Estados Unidos, começou a dirigir caminhões por influência do irmão e, após 16 anos cruzando estradas, abriu a própria transportadora e passou a faturar até US$ 8 mil por viagem interestadual nos EUA
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 18/08/2026 às 10:24
Atualizado em 18/08/2026 às 10:25
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Patrícia Romeiro deixou Engenheiro Caldas aos 19 anos e recomeçou trabalhando com limpeza, lavagem de pratos e cozinha. A Mineira conquistou habilitação profissional em 2002, transportou areia, comprou o primeiro caminhão e investiu US$ 40 mil para comandar fretes refrigerados entre diferentes regiões norte-americanas por conta própria nos Estados Unidos.
Em 1996, a Mineira Patrícia Romeiro interrompeu a faculdade de ciências contábeis em Minas Gerais e partiu para os Estados Unidos. Aos 19 anos, ela trocou Engenheiro Caldas por New London, em Connecticut, onde iniciou uma trajetória marcada por trabalhos operacionais antes de conseguir espaço no transporte rodoviário.
Depois de atuar com limpeza, lavar pratos e trabalhar em uma cozinha, Patrícia obteve habilitação para veículos pesados, começou transportando areia e avançou para rotas de longa distância. Dezesseis anos após entrar na profissão, já administrava a P & P Trucking e realizava fretes entre Massachusetts, Flórida e Texas.
Mineira chegou aos Estados Unidos em 1996 e começou na limpeza
Segundo o UOL, Patrícia deixou o Brasil em 1996 e se estabeleceu inicialmente em New London. O primeiro trabalho foi na limpeza noturna de um supermercado ao lado do irmão Eduardo, que exercia uma função de gerência na equipe responsável pelo serviço.
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A ocupação garantiu o início da vida profissional no novo país, mas ainda estava distante das estradas que definiriam sua carreira. A mudança envolveu interromper a graduação e aceitar uma atividade diferente de sua formação. O caminho até a transportadora começou com uma rotina noturna de limpeza, não diretamente ao volante de um caminhão.
Trabalho em restaurante antecedeu a mudança para o transporte
Depois de aproximadamente um ano no supermercado, Patrícia e o irmão passaram a trabalhar em um restaurante. Eduardo atuava na cozinha, enquanto ela lavava pratos. Quando ele deixou o estabelecimento para dirigir caminhões, a Mineira permaneceu no local, aprendeu a cozinhar e ampliou suas responsabilidades profissionais.
No fim de 2000, Patrícia mudou-se para Framingham, em Massachusetts, e trabalhou durante cerca de um ano como subchefe de cozinha. A experiência mostrou uma progressão dentro do setor de alimentação, mas não se tornou seu destino definitivo. Antes dos primeiros fretes, ela acumulou funções de limpeza, lavagem de utensílios e preparação de alimentos.
Habilitação profissional abriu a primeira oportunidade ao volante
Em 2002, Patrícia conseguiu a carteira que permitia dirigir caminhões e carretas. A habilitação representou a passagem concreta entre os serviços exercidos desde a chegada e o setor de transporte, no qual o irmão já trabalhava. Uma empresa local a contratou para conduzir uma carreta-caçamba usada no transporte de areia.
Ela permaneceu nessa atividade até 2006, adquirindo experiência com veículos pesados sem começar imediatamente nas travessias mais longas. O trabalho local ofereceu contato diário com condução, carga e rotina operacional. A entrada na profissão ocorreu de forma gradual, com quatro anos transportando areia antes das grandes rotas interestaduais.
Irmão levou Patrícia para uma rota entre Massachusetts e Califórnia
Eduardo voltou a influenciar a trajetória da irmã ao convidá-la para trabalhar com fretes de longa distância. O novo percurso ligava Massachusetts à Califórnia, uma separação de aproximadamente 3.300 milhas, ou 5.310 quilômetros, e exigia uma adaptação muito maior do que as viagens realizadas com a carreta-caçamba.
Patrícia enfrentou dificuldades no início, mas completou a experiência e permaneceu na estrada. A viagem funcionou como teste prático para uma atividade que exigia resistência à distância, organização e convivência prolongada com o caminhão. O incentivo do irmão transformou a experiência local em uma carreira atravessando diferentes regiões dos Estados Unidos.
Primeiro caminhão próprio foi comprado após um ano nas rotas longas
Cerca de um ano depois de começar os fretes para a Califórnia, Patrícia comprou seu primeiro caminhão, um Freightliner 2007. A aquisição alterou sua posição profissional porque o veículo próprio ampliava a autonomia, mas também transferia para ela despesas e responsabilidades que antes pertenciam ao empregador ou ao proprietário do equipamento.
Em 2018, ela dirigia um Freightliner Classic 2004 equipado com duas camas, geladeira e micro-ondas. Esses itens ajudavam a sustentar a rotina de viagens prolongadas e períodos fora de casa. A cabine precisava funcionar simultaneamente como local de trabalho, descanso e apoio durante os deslocamentos de milhares de quilômetros.
Transportadora exigiu investimento inicial de US$ 40 mil
Para iniciar o próprio negócio, Patrícia investiu US$ 40 mil na estrutura da P & P Trucking. O valor reuniu gastos com a compra da carreta, seguro, registros, documentação e taxas. A empresa colocou a caminhoneira na administração dos fretes, sem afastá-la da condução e da rotina operacional nas rodovias.
Ter uma transportadora ampliou o controle sobre o trabalho, mas também concentrou riscos financeiros. Manutenção, combustível, seguro, licenças e períodos sem carga afetam o resultado de quem opera por conta própria. O investimento não comprou apenas um veículo: transferiu para Patrícia a responsabilidade direta pela operação e pelas despesas do negócio.
Fretes refrigerados ligavam Massachusetts, Flórida e Texas
A empresa atuava principalmente no transporte de carga refrigerada. Patrícia levava peixe congelado e retornava com frutas e verduras, aproveitando o trajeto de volta para transportar novos produtos. A organização das duas etapas era importante para reduzir deslocamentos sem carga e manter o caminhão em atividade.
As rotas conectavam Massachusetts à Flórida e ao Texas, atravessando diferentes condições de tráfego e longas distâncias. A conservação dos alimentos acrescentava exigências à operação, porque a carga precisava permanecer em temperatura adequada durante todo o percurso. A transportadora dependia tanto da direção quanto do planejamento de ida, retorno e preservação dos produtos.
Faturamento de US$ 8 mil não correspondia ao lucro da viagem
Uma viagem de ida e volta entre Massachusetts e Texas podia faturar cerca de US$ 8 mil. O valor variava conforme o trajeto, a época do ano e o tipo de carga. Por isso, a quantia associada ao frete não representava automaticamente o dinheiro disponível para a proprietária ao fim do percurso.
Combustível e outras despesas operacionais ainda precisavam ser descontados do faturamento bruto. Patrícia não divulgou a quantidade mensal de viagens nem o lucro médio da empresa. Os US$ 8 mil indicavam a receita de determinado frete, e não um ganho líquido garantido a cada viagem.
Rotina chegava a 1.150 quilômetros percorridos por dia
Patrícia relatou percorrer, em média, 715 milhas por dia, equivalentes a aproximadamente 1.150 quilômetros. Até 2018, já havia conhecido 41 estados norte-americanos. A dimensão geográfica do trabalho transformava o caminhão em presença constante e fazia com que boa parte de sua vida profissional acontecesse longe de uma base fixa.
Fotografar os lugares por onde passava tornou-se um passatempo durante as viagens. As imagens registravam paisagens e cidades encontradas nas rotas, acrescentando uma dimensão pessoal a uma atividade guiada por prazos, entregas e controle de horários. A estrada era simultaneamente ambiente de trabalho e espaço de observação para a Mineira.
Pontes continuavam causando medo mesmo após anos de estrada
A experiência acumulada não eliminou todos os receios. Patrícia afirmava sentir medo ao atravessar grandes pontes, embora precisasse passar por várias delas durante a rotina. Uma das travessias mencionadas era a Chesapeake Bay Bridge-Tunnel, na Virgínia, conjunto com cerca de 37 quilômetros e trechos de túnel sob a água.
O desconforto não a impedia de seguir viagem, inclusive durante a noite. O relato revelava uma diferença entre dominar o veículo e deixar de sentir insegurança diante de determinadas estruturas. Mesmo após anos conduzindo carretas, a caminhoneira continuava enfrentando o medo como parte concreta de algumas rotas.
Limite de horas transformava atrasos em pressão sobre a jornada
A caminhoneira descrevia a jornada como estressante porque trânsito, abastecimento e demora na descarga consumiam o período disponível para trabalhar. Quando o limite era atingido, o veículo precisava parar, ainda que o atraso tivesse ocorrido fora do controle da motorista. O acompanhamento eletrônico reforçava a necessidade de observar continuamente o relógio.
A Federal Motor Carrier Safety Administration estabelece que motoristas de carga podem dirigir no máximo 11 horas dentro de uma janela de 14 horas consecutivas, depois de dez horas de descanso. A regra também prevê uma pausa de 30 minutos após oito horas acumuladas de direção. Tempo parado no trânsito ou aguardando uma carga pode reduzir a margem operacional sem ampliar a janela diária.
Experiência como mulher não afastou Patrícia das rodovias
Patrícia não atribuía dificuldades na estrada ao fato de ser mulher e afirmava que gostar da profissão era essencial para permanecer na atividade. Sua trajetória ocorreu em um setor tradicionalmente associado aos homens, mas foi construída por meio de habilitação, experiência local, rotas longas, compra de equipamento e abertura da transportadora.
O caso individual não elimina os obstáculos enfrentados por outras profissionais, mas mostra como ela avaliava a própria experiência até 2018. A Mineira construiu autonomia ao assumir tanto o volante quanto as decisões financeiras e operacionais da empresa.
Caminhões autônomos não eram vistos como ameaça imediata
Em 2018, Patrícia não acreditava que veículos autônomos substituiriam rapidamente os motoristas. Sua avaliação considerava tarefas que ultrapassavam a condução, como abastecimento, passagem por balanças, acompanhamento da carga e solução de situações encontradas ao longo do percurso.
A opinião refletia a rotina que ela conhecia naquele momento e a variedade de responsabilidades assumidas por quem conduz e administra um caminhão. Mais do que seguir uma estrada, o trabalho envolvia decisões, fiscalização, documentação e contato com pontos de carga e descarga. A experiência da caminhoneira mostrava que a operação dependia de atividades realizadas antes, durante e depois do deslocamento.
Trajetória saiu da cozinha e chegou ao comando da transportadora
Entre a saída de Engenheiro Caldas e a criação da P & P Trucking, Patrícia passou por limpeza, restaurante, cozinha, transporte de areia e fretes entre costas norte-americanas. A mudança de profissão não aconteceu de uma vez, mas por etapas sustentadas por trabalho, habilitação, experiência e investimento próprio.
Quando sua história foi registrada, a Mineira combinava a direção de cargas refrigeradas com a gestão do negócio e podia faturar cerca de US$ 8 mil em uma viagem de ida e volta entre Massachusetts e Texas, antes das despesas. O que mais chama sua atenção nessa trajetória: a mudança de país, a troca de profissão, os anos na estrada, a compra do caminhão ou a abertura da transportadora? Conte nos comentários qual etapa exigiu mais coragem.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

