Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Mineiro deixou o campo ainda adolescente, passou cerca de 20 anos longe da terra onde cresceu e decidiu voltar às próprias raízes, unindo os ensinamentos do pai queijeiro a técnicas modernas para transformar a propriedade da família numa queijaria premiada e abrir as portas para visitantes acompanharem cada etapa da produção

Mineiro deixou o campo ainda adolescente, passou cerca de 20 anos longe da terra onde cresceu e decidiu voltar às próprias raízes, unindo os ensinamentos do pai queijeiro a técnicas modernas para transformar a propriedade da família numa queijaria premiada e abrir as portas para visitantes acompanharem cada etapa da produção

MG

8 min de leitura

Mineiro deixou o campo ainda adolescente, passou cerca de 20 anos longe da terra onde cresceu e decidiu voltar às próprias raízes, unindo os ensinamentos do pai queijeiro a técnicas modernas para transformar a propriedade da família numa queijaria premiada e abrir as portas para visitantes acompanharem cada etapa da produção

Escrito por Ana Alice

Publicado em 13/08/2026 às 07:51

Atualizado em 13/08/2026 às 07:52

Curiosidades

Canal

Assista o vídeo
Henrique Lamim voltou ao campo, uniu tradição e técnica no Rancho Maranata e criou uma queijaria premiada com turismo rural em Minas. (Imagem: Divulgação)

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Depois de décadas longe do campo, Henrique Lamim voltou a Virgínia, uniu tradição familiar, técnica queijeira e turismo rural e transformou o Rancho Maranata em referência premiada na Mantiqueira mineira.

Depois de passar boa parte da vida adulta longe do campo, Carlos Henrique Lamim voltou a Virgínia, no Sul de Minas Gerais, uniu os conhecimentos do pai queijeiro a técnicas modernas de produção e transformou o Rancho Maranata em uma queijaria premiada que, em 2026, também abriu suas portas ao turismo de experiência.

A trajetória ganhou um capítulo importante em junho de 2026.

O Queijo Maranata Ouro conquistou o Super Ouro da ExpoQueijo Brasil 2026, principal prêmio da competição realizada em Araxá.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Produzido com leite cru e maturado por aproximadamente nove meses, o queijo venceu sua categoria e depois alcançou o reconhecimento máximo do concurso, que reuniu produtores de 19 países das Américas e da Europa.

A conquista ocorreu poucas semanas depois de o Sebrae Minas apresentar uma nova etapa do negócio: a Vivência Maranata, experiência na qual visitantes passam o dia na propriedade, conhecem a rotina da fazenda e participam da produção artesanal de queijo.

O caminho até esses resultados começou décadas antes, quando Henrique ainda era criança.

Infância no campo começou entre leite, queijo e venda de quitandas

Henrique nasceu em Virgínia, município localizado na Serra da Mantiqueira, e cresceu próximo da rotina rural.

Segundo o próprio Rancho Maranata, aos nove anos ele já vendia quitandas pelas ruas para ajudar a família.

Pouco antes de completar 13 anos, deixou a cidade com os pais, que buscavam melhores condições de vida em outras regiões.

O campo, porém, permaneceu ligado à história familiar.

Henrique é neto de produtor de leite e filho de queijeiro, duas referências que mais tarde seriam incorporadas ao próprio negócio.

A página oficial do Rancho registra que ele passou 24 anos vivendo entre diferentes cidades e estados antes de decidir, em 2017, interromper aquele percurso e retornar às origens.

A Agência Sebrae de Notícias resume esse período como cerca de 20 anos longe da região e também registra 2017 como o momento em que Henrique decidiu voltar para construir ali sua família e um novo projeto de vida.

A mudança completa, entretanto, não ocorreu de uma vez.

Uma reportagem de 2024 baseada em material do Globo Rural informa que Henrique passou por cidades como Curitiba, Santos, São Paulo e São José dos Campos e que retornou para Virgínia com a esposa, Paula, em 2019, depois de comprar uma propriedade no município.

Henrique Lamim e sua familia – Imagem: Reprodução/AOQueijo

Empresa na cidade cresceu, mas retorno ao campo ganhou força

Antes de produzir queijo profissionalmente, Henrique percorreu atividades muito diferentes.

Trabalhou em cervejaria, pizzaria e restaurante e, mais tarde, abriu em São José dos Campos uma empresa de aluguel de equipamentos.

O negócio cresceu durante um período de grandes obras ligadas à Petrobras.

Financeiramente, ele dizia estar em uma situação confortável.

Ainda assim, algo continuava incomodando.

“A empresa cresceu bastante, por causa das obras da Petrobras. Estava bem financeiramente, mas sentia um vazio dentro de mim. Aí resolvi voltar”, relatou Henrique.

O retorno colocou novamente diante dele uma atividade que conhecia desde a infância.

O pai havia retomado a fabricação artesanal de queijo anos antes e, segundo Henrique, apareceu na propriedade levando panelas, formas e 11 vacas.

A mensagem era direta: dali em diante, o filho teria a oportunidade de continuar a tradição.

Henrique, porém, não queria simplesmente reproduzir o modo como o queijo havia sido feito pela família durante décadas.

Tradição do pai encontrou técnicas modernas de produção de queijo

O próprio produtor relata que o pai trabalhava seguindo costumes antigos, mas enfrentava dificuldades para manter regularidade entre os lotes.

Henrique decidiu buscar capacitação técnica.

Foi a Juiz de Fora para se especializar e começou a estudar formas de controlar melhor o processo de fabricação e maturação.

A ideia era preservar a origem artesanal sem depender apenas da experiência transmitida de geração em geração.

“Juntei a tradição cultural do papai com as técnicas de queijos artesanais atuais, me qualificando para criar meus queijos autorais”, explica a apresentação oficial do Rancho Maranata.

A queijaria foi inaugurada em 2021, segundo a reportagem baseada no Globo Rural.

A partir daí, a maturação se tornou uma das principais características da produção.

Em vez de concentrar o trabalho apenas em queijos consumidos pouco tempo depois da fabricação, Henrique desenvolveu versões capazes de permanecer meses em ambiente climatizado, com controle de temperatura e umidade.

Essa escolha permitiu criar produtos com perfis diferentes conforme o tempo de maturação.

Leite vem do próprio rebanho do Rancho Maranata

Outro ponto central do modelo adotado por Henrique é o controle sobre a matéria-prima.

A página oficial do Rancho Maranata informa que todo o leite utilizado nos queijos é produzido na própria fazenda.

O rebanho é formado por vacas da raça Jersey.

Em 2024, uma reportagem registrou cerca de 30 vacas e uma produção aproximada de 500 litros de leite por dia naquele período.

A fabricação era realizada por Henrique, pela esposa Paula e por duas funcionárias, em escala artesanal.

Como esses números representam o momento da reportagem, não há confirmação pública de que permaneçam exatamente iguais em agosto de 2026.

O princípio, entretanto, continua apresentado pela própria queijaria: usar exclusivamente leite próprio e produzir queijos autorais de longa maturação.

O Rancho também informa que seus produtos são feitos com leite cru.

Maturação transforma textura, aroma e sabor dos queijos

O tempo dentro da sala de maturação modifica consideravelmente o resultado.

Na descrição divulgada pelo Sebrae Minas em maio de 2026, as versões mais jovens, entre 15 e 20 dias, apresentam características mais frescas, textura macia e úmida, presença láctica e leve doçura.

Por volta de 60 dias, o produto ganha firmeza.

O perfil aromático também começa a mudar, com notas descritas pelo material técnico como cítricas e frutadas, incluindo referências ao abacaxi.

A transformação se torna ainda mais evidente na maturação longa.

Com aproximadamente nove meses, a textura é descrita como dura e granulada, enquanto os sabores passam a lembrar frutas como abacaxi e manga, além de referências a frutas caramelizadas.

Foi justamente um queijo com cerca de nove meses de maturação que colocou o Rancho Maranata no topo da ExpoQueijo Brasil em 2026.

Assista o vídeo

Maranata Ouro chegou ao prêmio máximo da ExpoQueijo Brasil 2026

O caminho dentro da competição também ocorreu gradualmente.

Henrique participa da ExpoQueijo Brasil desde 2022.

Em 2023, conquistou medalha de bronze.

No ano seguinte, avançou para a prata.

Em 2025, obteve 96 pontos, embora tenha ficado fora da classificação final.

Em junho de 2026, alcançou primeiro o Ouro e depois o Super Ouro, reconhecimento máximo do concurso. O Maranata Ouro disputou uma categoria destinada a queijos de leite cru com maturação superior a 180 dias.

Na decisão, superou produtos concorrentes de longa maturação, inclusive de produtores italianos.

O resultado teve dimensão regional.

Na mesma edição, queijarias de seis municípios da Mantiqueira de Minas associadas à Apromam somaram 23 medalhas, entre elas o Super Ouro conquistado pelo Rancho Maranata.

Henrique associou a vitória ao trabalho realizado por diferentes produtores da região.

“Conquistar o Super Ouro é motivo de muito orgulho, mas o prêmio representa muito mais do que o reconhecimento de uma única queijaria”, afirmou ao Sebrae Minas.

Queijo do Rancho Maranata já acumulava premiações antes do Super Ouro

O reconhecimento de 2026 não foi o primeiro obtido pela propriedade.

Em 2024, uma reportagem baseada no Globo Rural registrava que a queijaria já acumulava 16 premiações nacionais.

Na edição daquele ano do Mundial do Queijo do Brasil, o Rancho Maranata recebeu três medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze.

Em 2025, veio outro resultado relevante.

Carlos Henrique Lamim ficou em primeiro lugar no Prêmio CNA Brasil Artesanal, com o Maranata Ouro, em uma das categorias da competição promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

Henrique Lamim durante a premiação do Maranata Ouro no Prêmio CNA Brasil Artesanal, reconhecimento conquistado antes do Super Ouro de 2026. Crédito: Sistema Faemg Senar/Divulgação

A sequência ajuda a mostrar que a transformação do Rancho não ocorreu a partir de um único prêmio.

A estratégia combinou capacitação, controle do leite, maturação e participação constante em concursos especializados.

Foi também essa visibilidade que abriu espaço para uma nova atividade fora da venda de queijo.

Vivência Maranata leva visitante para dentro da produção artesanal

Em 2026, o Rancho começou a transformar a própria rotina de trabalho em atração turística.

A Vivência Maranata foi apresentada como uma imersão na queijaria.

Em vez de apenas chegar à propriedade para comprar um produto pronto, o visitante acompanha etapas do trabalho e participa da fabricação.

A experiência começa às 8h.

Visitantes e profissionais durante atividade no Rancho Maranata, em Virgínia, onde a produção de queijo artesanal passou a integrar experiências de turismo rural. Crédito: Sistema Faemg Senar/Divulgação

Na primeira parte do dia, os participantes conhecem questões relacionadas à qualidade do leite e entram no processo de produção do queijo Mantiqueira de Minas.

Depois do almoço, acompanham fases como salmoura e maturação.

A programação termina por volta das 17h.

O visitante pode levar para casa o queijo que ajudou a produzir.

O Rancho também passou a receber pessoas interessadas em degustações, nas quais diferentes tipos de queijo são apresentados enquanto suas características são explicadas.

Dessa forma, o processo que antes acontecia quase exclusivamente entre produtor, funcionários e compradores passou a ser apresentado diretamente a quem deseja entender como o alimento é feito.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

Sair da versão mobile