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Mineração entra na era das frotas sem motorista: mais de 1.700 veículos autônomos já operam em minas e pedreiras, um único profissional consegue monitorar cerca de 100 caminhões e novos robôs são preparados para transportar explosivos e perfurar rochas
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 15/08/2026 às 10:36
Atualizado em 15/08/2026 às 10:43
Mineração
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A automação avança sobre a mineração pesada: a CiDi já reúne mais de 1.700 veículos autônomos em cerca de 30 minas e pedreiras, permite que um operador monitore aproximadamente 100 caminhões e prepara robôs para transporte de explosivos e perfuração, enquanto frotas elétricas já operam sem motorista 24 horas por dia.
A transformação digital das minas está avançando para uma escala que há poucos anos pertencia aos projetos-piloto. Em julho de 2026, a Reuters revelou que a chinesa CiDi já tinha uma frota global superior a 1.700 veículos autônomos distribuídos por cerca de 30 minas de carvão e pedreiras, principalmente na China. Em algumas grandes operações, centenas de caminhões sem motorista precisam ser coordenados simultaneamente por softwares de despacho e controle.
O salto não está restrito ao transporte de minério. A empresa prepara máquinas robotizadas para lidar com cargas de explosivos e perfuração de rochas, enquanto escavadeiras parcialmente autônomas avançam para operações fora da China.
Ao mesmo tempo, a própria CiDi informa que já consegue trabalhar com uma relação de intervenção remota de um profissional para até 100 caminhões e que seus equipamentos autônomos acumulavam mais de 140 milhões de toneladas transportadas até fevereiro de 2026.
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Mais de 1.700 veículos autônomos já estão espalhados por cerca de 30 operações
Segundo reportagem publicada pela Reuters em 24 de julho de 2026, a frota global associada aos sistemas da CiDi ultrapassou 1.700 veículos, concentrados principalmente na China e distribuídos por aproximadamente 30 pedreiras e minas de carvão. A escala coloca a automação além da fase experimental.
O número cresceu rapidamente. Em balanço divulgado pela própria CiDi em março de 2026, a empresa informava que havia ultrapassado 1.500 unidades implantadas até o final de fevereiro. Poucos meses depois, a Reuters registrou que o total já havia superado 1.700 veículos.
A China tornou-se um dos mercados mais agressivos nesse processo. De acordo com a Reuters, aproximadamente 10% dos caminhões utilizados na mineração chinesa já operam sem motorista, enquanto fabricantes disputam contratos para automatizar transporte, escavação e outras atividades de alto risco.
Um único profissional pode monitorar cerca de 100 caminhões remotamente
Uma das mudanças mais profundas está na relação entre número de máquinas e operadores. O CEO da CiDi, Albert Hu, disse à Reuters que um profissional consegue monitorar aproximadamente 100 caminhões autônomos remotamente, proporção que, segundo ele, ainda pode aumentar.
A informação também aparece nos resultados oficiais da empresa. A CiDi descreve uma relação de remote takeover de 1:100, ou seja, um profissional de supervisão remota para até cem equipamentos dentro da arquitetura desenvolvida pela companhia.
Isso não significa que 100 caminhões sejam simplesmente abandonados sem qualquer estrutura humana. Centros de controle continuam necessários para acompanhamento das operações, intervenções excepcionais, manutenção, planejamento e segurança. A mudança ocorre principalmente na retirada do motorista da cabine de cada veículo individual.
Grandes minas já coordenam até 500 veículos autônomos ao mesmo tempo
A escala cria um problema tecnológico diferente de apenas ensinar um caminhão a seguir uma estrada. Em grandes minas de carvão, segundo a Reuters, existem operações nas quais até 500 veículos autônomos podem estar trabalhando simultaneamente.
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Nesse cenário, o software precisa coordenar rotas, prioridades, cruzamentos, pontos de carregamento, descarga e eventuais intervenções. Albert Hu classificou justamente a coordenação de grandes frotas como uma das maiores barreiras tecnológicas desse mercado.
O desafio é semelhante ao gerenciamento de uma rede logística fechada, mas ocorre em ambientes sujeitos a poeira, inclinações, mudanças no terreno e circulação de equipamentos pesados.
A CiDi afirma que sua plataforma vem sendo desenvolvida para integrar progressivamente perfuração, detonação, escavação e transporte em um único fluxo operacional.
Pedreira já utiliza caminhões elétricos que carregam calcário sem motorista
Um dos exemplos mais concretos está em Jurong, na província chinesa de Jiangsu. Em visita acompanhada pela Reuters em julho de 2026, 12 caminhões totalmente elétricos e sem motorista estavam transportando calcário autonomamente entre a área de extração e as instalações de britagem.
A página técnica oficial da CiDi informa que o projeto completo da pedreira da Taiwan Cement Corporation utiliza 14 caminhões elétricos autônomos, implantados originalmente em novembro de 2022. Os veículos realizam produção comercial normalizada sem operador a bordo.
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Segundo a fabricante, os caminhões conseguem operar em regime 24 horas por dia, sete dias por semana, realizando etapas como aproximação da escavadeira, deslocamento pela mina, descarregamento no britador e programação automática das recargas.
Caminhões carregam até 100 toneladas e baterias chegam a 530 kWh
A automação está sendo aplicada a máquinas de grande porte. A ficha técnica publicada pela CiDi apresenta configurações com capacidade nominal de carga entre 60 e 100 toneladas, dependendo do modelo e do sistema de propulsão.
Nas versões elétricas, as baterias possuem capacidade entre 350 e 530 kWh. O carregamento rápido com dois conectores pode levar o estado de carga de 25% para 95% em até uma hora, segundo as especificações divulgadas pela empresa.
Os veículos alcançam velocidade máxima declarada de 45 km/h e conseguem enfrentar inclinações de até 30%.
Como a operação ocorre em áreas fechadas de mineração, o objetivo não é velocidade rodoviária, mas transportar grandes volumes repetidamente entre escavadeiras, frentes de lavra, depósitos e britadores.
Automação eliminou operadores das cabines e empresa aponta redução de 88% no custo de mão de obra
No projeto da pedreira de Jurong, a CiDi afirma que os 14 caminhões elétricos autônomos operam sem motoristas embarcados e proporcionaram redução superior a 88% nos custos de mão de obra associados à operação de transporte. O percentual é divulgado pela própria fornecedora da tecnologia e deve ser entendido nesse contexto específico.
Em outra mina de carvão no oeste da China, a companhia afirma ter alcançado 100% da eficiência de uma operação manual, mas sem motoristas dentro dos caminhões.
A mesma implantação trabalha em ambiente misto, no qual máquinas autônomas precisam dividir a área com veículos ainda conduzidos por pessoas.
A mudança altera o perfil das vagas em vez de simplesmente eliminar toda presença humana. Motoristas deixam de ocupar individualmente cada cabine, enquanto ganham importância funções ligadas a centros de controle, manutenção eletroeletrônica, sensores, redes, software, planejamento de frota e intervenção remota.
Sensores precisam enxergar a mina mesmo com poeira e condições extremas
Retirar o motorista exige que a máquina consiga perceber sozinha o ambiente. Os caminhões autônomos utilizam uma combinação de sensores e sistemas computacionais para identificar vias, obstáculos, equipamentos, áreas de carga e pontos de descarga.
A empresa afirma que seus sistemas foram projetados para operação em condições extremas e registra funcionamento confiável em temperaturas de até 40 graus Celsius negativos. Minas a céu aberto podem impor ainda poeira pesada, terreno irregular e modificações constantes nas rotas.
A autonomia também precisa lidar com logística energética. Nos caminhões elétricos, o sistema determina quando o veículo deve interromper a operação para recarregar, dirige automaticamente até o ponto necessário e procura encaixar essa parada no momento economicamente mais adequado.
Receita da CiDi mais que dobrou com expansão dos caminhões autônomos
A automação da mineração também se transformou em um negócio de grande escala. Segundo os resultados oficiais divulgados pela CiDi, a companhia encerrou 2025 com receita de aproximadamente 885 milhões de yuans, crescimento de 115,8% sobre o ano anterior.
O segmento de direção autônoma respondeu sozinho por 843 milhões de yuans, avanço de 230,7% e equivalente a 95,3% da receita total da companhia. A empresa atribuiu o crescimento principalmente à implantação de caminhões autônomos em minas de carvão a céu aberto.
O volume de entregas de caminhões e sistemas autônomos chegou a 630 unidades ou conjuntos em 2025, alta de 317,22% em um único ano. A Reuters registrou posteriormente que a receita da companhia havia mais que dobrado e que sua expansão na China avançava acima do ritmo do mercado local.
Robôs de perfuração devem ampliar automação para outra etapa da lavra
Depois dos explosivos, a empresa pretende automatizar também a perfuração. A Reuters informou que os robôs destinados a essa atividade estavam previstos para começar a ser utilizados no início de 2027, inicialmente nas mesmas regiões de mineração chinesas.
Perfuração, carregamento de explosivos, detonação, escavação e transporte formam etapas interdependentes da mineração a céu aberto. Automatizar apenas os caminhões reduz uma parte da exposição humana, mas ainda deixa trabalhadores envolvidos diretamente em outras operações perigosas.
A CiDi afirma que seu objetivo é justamente conectar os fluxos de dados dessas diferentes atividades para criar um sistema fechado de automação da mina. A direção tecnológica passa, portanto, da simples ideia de “caminhão sem motorista” para uma cadeia de extração na qual diferentes máquinas trabalham coordenadas digitalmente.
Escavadeiras autônomas começam a levar tecnologia chinesa para outros países
A internacionalização é outra etapa do projeto. A Reuters informou que a empresa já equipou escavadeiras parcialmente automatizadas na Austrália e preparava uma implantação maior no país ao longo de 2026.
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A companhia também busca contratos no Oriente Médio, América do Sul e Europa. Para 2027, Albert Hu espera que os mercados internacionais passem a representar uma parcela de dois dígitos da receita, ante uma participação ainda pequena atualmente.
A América do Sul tem relevância evidente nessa estratégia por concentrar algumas das maiores operações de cobre, ferro e outros minerais do mundo.
A CiDi cita oficialmente Austrália e América do Sul entre os mercados ricos em recursos minerais onde pretende expandir suas soluções de mineração inteligente.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

