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Minhoca colossal escondida no solo australiano pode chegar a três metros de comprimento e produz ruídos que podem ser ouvidos por pessoas na superfície
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 04/08/2026 às 19:09
Ciência e Tecnologia
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Minhoca-gigante-de-Gippsland vive escondida no solo australiano, pode chegar a três metros e produz sons ouvidos acima da terra.
Uma das maiores minhocas do mundo vive quase toda a vida escondida sob o solo úmido de uma pequena região da Austrália. Conhecida como minhoca-gigante-de-Gippsland, a espécie pode atingir dimensões tão grandes que os primeiros exemplares encontrados foram confundidos com serpentes.
O animal também produz um ruído inesperado quando se movimenta dentro de seus túneis. O som não é uma voz, mas um barulho de sucção e água deslocada que pode ser ouvido por pessoas que caminham sobre o terreno onde a minhoca está escondida.
Minhoca-gigante foi confundida com uma serpente na Austrália
A espécie recebeu o nome científico Megascolides australis. Ela foi descrita no século XIX depois que trabalhadores encontraram um exemplar durante atividades realizadas na região de Gippsland, no estado australiano de Victoria.
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O tamanho e o formato comprido causaram confusão. As pessoas que localizaram o animal acreditaram inicialmente que estavam diante de uma nova espécie de cobra e enviaram o exemplar ao antigo Museu Nacional de Victoria.
O professor Frederick McCoy estudou o animal e publicou sua descrição científica em 1878. A análise mostrou que o suposto réptil era, na verdade, uma minhoca terrestre de tamanho extraordinário.
Minhoca australiana pode alcançar até três metros de comprimento
Há relatos de exemplares que chegaram a aproximadamente três metros quando estavam completamente esticados. Essa medida colocou a espécie entre as maiores minhocas conhecidas no planeta.
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Apesar do número impressionante, animais desse tamanho são considerados raros. Segundo o Museums Victoria, a maioria dos adultos mede entre 80 centímetros e um metro, embora possa se alongar e encolher conforme movimenta o corpo.
Um adulto comum pesa cerca de 200 gramas e possui aproximadamente dois centímetros de diâmetro. O corpo pode reunir entre 300 e 500 segmentos ligados uns aos outros.
Corpo da minhoca gigante muda de tamanho durante o movimento
O comprimento da minhoca não permanece igual o tempo inteiro. Seu corpo pode se esticar bastante durante o deslocamento e depois voltar a uma forma mais curta e grossa.
Essa capacidade dificulta a medição exata dos animais vivos. Por esse motivo, os pesquisadores também analisam o peso, a largura e o número de segmentos para comparar diferentes exemplares.
A parte dianteira do corpo costuma apresentar uma tonalidade roxa escura. O restante pode ter cores que variam entre o rosa, o cinza e tons azulados, dependendo da luz e da umidade.
Ruído subterrâneo pode ser ouvido acima do solo
A minhoca não canta, grita ou usa o som para conversar. O barulho surge quando seu corpo se move rapidamente dentro de túneis com paredes muito úmidas.
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O deslocamento empurra água e ar dentro da passagem subterrânea. Isso cria um ruído de sucção ou borbulhamento que pode lembrar a água escorrendo pelo ralo de uma banheira.
Pesquisadores conseguem escutar o som na superfície, principalmente quando o terreno está molhado. O ruído permite descobrir a presença da espécie sem precisar retirar o animal do solo.
Cientistas batem no chão para localizar as minhocas
Uma técnica usada nas pesquisas consiste em bater levemente no terreno com uma pá. A vibração assusta a minhoca, que tenta se afastar para uma parte mais profunda de seu túnel.
Quando o animal recua, seu corpo desloca a água acumulada nas paredes da passagem. O movimento produz o som característico que pode indicar onde existe uma colônia.
Essa forma de busca é menos destrutiva do que abrir grandes buracos. Escavar sem cuidado pode cortar o corpo do animal e destruir os túneis permanentes usados durante sua vida.
Minhoca colossal vive em túneis com até 1,5 metro de profundidade
A minhoca-gigante-de-Gippsland passa quase toda a vida debaixo da terra. Seus túneis podem começar perto da superfície e alcançar aproximadamente 1,5 metro de profundidade.
As passagens formam sistemas complexos e permanentes. Diferentemente de minhocas que aparecem com frequência nos jardins, essa espécie geralmente permanece dentro da mesma área subterrânea.
Os animais podem chegar à superfície depois de chuvas muito fortes, quando o solo fica encharcado. Fora dessas situações, é difícil observar uma minhoca inteira em seu ambiente natural.
Solo úmido é essencial para a sobrevivência da espécie
A minhoca vive principalmente em solos argilosos de cor azulada, cinza ou avermelhada. As áreas ocupadas costumam ficar próximas de córregos, nascentes, terrenos alagados e encostas úmidas.
A umidade é necessária para que o animal respire através da pele. Se o solo secar demais, a minhoca pode perder água e enfrentar dificuldades para sobreviver.
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Mudanças no caminho da água também podem destruir uma colônia. Uma obra que drena o terreno ou altera o nível da água subterrânea pode tornar o local inadequado para os animais.
Espécie vive apenas em uma pequena região de Victoria
A minhoca-gigante é endêmica da Austrália, o que significa que não existe naturalmente em outros países. Sua distribuição está concentrada no sul e no oeste da região de Gippsland.
A área conhecida ocupa aproximadamente 40 mil hectares nas montanhas Strzelecki ocidentais. Mesmo dentro desse espaço, as minhocas não aparecem em todos os locais.
As populações vivem separadas em pequenos pontos onde o solo possui a umidade e a composição necessárias. Duas áreas aparentemente próximas podem apresentar condições completamente diferentes para a espécie.
Agricultura ocupa grande parte do habitat da minhoca gigante
A região original possuía áreas de vegetação nativa que foram transformadas ao longo do tempo. Atualmente, boa parte do habitat conhecido está localizada sob propriedades rurais e pastagens.
A espécie consegue sobreviver em alguns terrenos usados para criação de gado. Isso depende, porém, da preservação do solo, dos córregos, das nascentes e das áreas mais úmidas.
O cultivo intenso, a movimentação de máquinas e a compactação do terreno podem destruir os túneis. Produtos químicos e resíduos lançados no solo também representam riscos para as colônias.
Minhoca se alimenta de matéria encontrada no solo
O animal ingere matéria orgânica presente na terra. Essa alimentação pode incluir restos de plantas, raízes, fungos, bactérias e outros materiais muito pequenos.
A minhoca não possui dentes para cortar o alimento. O material entra junto com o solo e passa pelo sistema digestivo, onde partículas duras ajudam na trituração.
Depois da digestão, os resíduos são deixados dentro das próprias passagens subterrâneas. A espécie quase nunca deposita montes de terra na superfície como fazem algumas minhocas comuns.
Filhote já nasce com cerca de 20 centímetros
A reprodução da minhoca-gigante é muito lenta. Durante os meses mais quentes, um animal adulto produz um casulo de cor âmbar que pode medir entre quatro e sete centímetros.
Dentro do casulo normalmente existe apenas um ovo. O desenvolvimento pode levar mais de um ano até que o filhote esteja pronto para sair.
Mesmo recém-nascida, a pequena minhoca já pode medir cerca de 20 centímetros. Ainda assim, ela precisa de quatro a cinco anos para atingir a fase adulta e começar a se reproduzir.
Crescimento lento dificulta a recuperação das populações
A produção de apenas um filhote por casulo impede que a população cresça rapidamente. Quando vários animais morrem, a recuperação pode levar muitos anos.
A espécie também possui pouca capacidade de se deslocar para outro lugar. Os indivíduos permanecem ligados a pequenas áreas de solo úmido e não conseguem atravessar facilmente terrenos secos ou muito alterados.
Essas características tornam cada colônia importante para a sobrevivência da espécie. A destruição de um pequeno ponto de habitat pode eliminar uma população isolada.
Minhoca gigante não consegue se recuperar de cortes graves
Apesar do tamanho, o animal possui um corpo muito delicado. Uma ferramenta agrícola ou uma escavadeira pode provocar ferimentos fatais durante a movimentação da terra.
Estudos citados pelo Museums Victoria indicam que os indivíduos não se recuperam quando são cortados. A espécie também não possui a capacidade de regenerar grandes partes do corpo.
Por isso, pesquisadores e trabalhadores recebem orientações para evitar manusear o animal sem necessidade. Quando um exemplar é encontrado durante uma obra, o local precisa ser protegido e avaliado por especialistas.
Construções podem alterar o habitat subterrâneo da espécie
Estradas, loteamentos e outras obras podem atingir diretamente os túneis. Mesmo quando a escavação não mata os animais, ela pode modificar a umidade necessária para sua sobrevivência.
A retirada de vegetação, a instalação de sistemas de drenagem e o desvio de córregos também mudam o comportamento da água no solo. Essas alterações podem secar áreas que antes permaneciam úmidas.
Entre as ameaças reconhecidas estão a movimentação da terra, a poluição química, a mudança no fluxo da água e os eventos climáticos extremos. O aumento das secas também pode reduzir os locais adequados para a espécie.
Minhoca-gigante está ameaçada de desaparecer
A minhoca-gigante-de-Gippsland está classificada como vulnerável pela legislação ambiental federal da Austrália. Em Victoria, a espécie aparece como ameaçada e possui proteção estadual.
A situação está ligada à pequena área de distribuição, à separação das populações e ao ritmo lento de reprodução. O animal depende de condições muito específicas que podem ser alteradas com facilidade.
A Austrália incluiu a espécie em planos de recuperação e conservação. As ações buscam proteger áreas ocupadas, orientar proprietários rurais e reduzir danos causados por obras e mudanças no solo.
Minhoca colossal continua quase invisível para os seres humanos
Mesmo podendo superar o comprimento de uma pessoa adulta, a minhoca-gigante raramente é vista. O animal permanece escondido em túneis escuros e úmidos durante quase toda a vida.
Na maioria dos casos, sua presença é descoberta pelos ruídos, pelos túneis encontrados no solo ou pelos grandes casulos. Observar um exemplar completo sem causar danos continua sendo uma situação incomum.
A espécie mostra que um dos maiores animais subterrâneos da Austrália pode viver sob fazendas e estradas sem ser percebido. Seu som estranho, porém, denuncia o movimento do gigante escondido poucos centímetros abaixo dos pés.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

