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Mochileiro deixou a França para conhecer o mundo, chegou ao Equador em 1989 e encontrou um vilarejo escondido entre montanhas onde decidiu ficar: comprou um pequeno terreno, plantou árvores, ergueu casas rústicas de barro e madeira e fez daquele pedaço do campo o lugar onde queria viver para sempre
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 21/08/2026 às 15:13
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Francês chegou ao país como mochileiro há décadas e acabou construindo uma nova vida em Cahuasquí, na província de Imbabura, onde transformou um antigo terreno de cultivo em um refúgio cercado por montanhas, animais, árvores frutíferas e construções de adobe
Pascal chegou ao Equador pela primeira vez em 1989 carregando a experiência de quem havia deixado a França para viajar como mochileiro. A intenção era conhecer lugares. O que ele não imaginava era que, no caminho, encontraria uma pequena comunidade entre as montanhas capaz de mudar o rumo de sua vida.
“Me apaixonei por todo este país à primeira vista”, conta o francês ao recordar aquela primeira viagem. Décadas depois, ele vive em Cahuasquí, na província de Imbabura, em uma propriedade rural onde construiu casas rústicas, plantou árvores e encontrou uma rotina muito diferente daquela das grandes cidades.
A história foi mostrada pelo canal do viajante Esteban, que conheceu Pascal durante uma passagem pela região e registrou sua rotina, a propriedade e a relação que o francês criou com o interior equatoriano.
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O terreno tinha cultivo e algumas vacas; aos poucos, ganhou árvores e casas
Quando Pascal chegou ao terreno onde desenvolveria seu projeto, não encontrou o pequeno refúgio verde que existe atualmente.
Segundo seu relato, havia ali uma plantação de feijão e algumas vacas aproveitando a vegetação. A transformação aconteceu gradualmente. Árvores foram plantadas e novas construções começaram a ocupar a propriedade.
Para levantar as casas, Pascal procurou seguir técnicas e materiais encontrados na própria região.
“Eu não inventei nada”, explica ao falar sobre as construções. Ele observou que Cahuasquí tradicionalmente utiliza terra e adobe e decidiu trabalhar com materiais semelhantes em seu projeto.
Madeira, terra, adobe e cana-guadua aparecem nas estruturas. O resultado são pequenas construções integradas à paisagem rural, com elementos que Pascal foi conhecendo durante suas viagens e adaptando ao ambiente equatoriano.
Uma delas guarda uma história curiosa. Ao retirar terra para produzir e assentar os tijolos de adobe, ficou um buraco no terreno. Em vez de simplesmente preenchê-lo novamente com solo, Pascal colocou água no espaço. O pequeno lago acabou se tornando habitat para sapos e ajudou a inspirar o nome associado ao lugar.
Um projeto pensado para hóspedes acabou virando sua própria casa
Parte da propriedade havia sido planejada para receber visitantes. A pandemia, porém, mudou os planos.
Pascal conta que se mudou para uma das construções durante aquele período e acabou gostando tanto de viver ali que desistiu, ao menos temporariamente, de sair.
O turismo continuou fazendo parte da propriedade, mas a experiência da pandemia também mostrou ao francês a importância de não depender de uma única fonte de renda.
Ele passou a cultivar e produzir diferentes alimentos. Há café, abacate, pêssego, atemoia e alfafa, além de criação de animais. Pascal relata possuir nove variedades de café e afirma que a propriedade está a aproximadamente 2.500 metros de altitude.
A produção é pequena. Parte dela funciona como alternativa caso a atividade turística enfrente novamente alguma crise.
É uma lógica bastante ligada à vida no campo: quando uma fonte de renda enfraquece, outra ajuda a manter a propriedade funcionando.
A vida a 2.500 metros de altitude começa cedo
Assista o vídeo
O cenário ajuda a explicar por que um viajante que pretendia conhecer diferentes partes do mundo resolveu permanecer ali.
Cahuasquí está cercada por montanhas. Pela manhã, o sol aparece atrás das elevações enquanto moradores começam cedo as tarefas do campo. Durante a visita registrada em vídeo, por volta das 6h30, já havia gente ordenhando vacas e cuidando dos animais.
Na propriedade de Pascal, pássaros frequentam o quintal e os animais fazem parte da rotina. Ele mantém até uma lhama de estimação, nascida no próprio local.
Há também um pequeno mirante. De determinados pontos da propriedade, em dias favoráveis, Pascal diz conseguir avistar o Cayambe, cuja parte branca aparece à distância entre as montanhas.
O isolamento não parece incomodá-lo. Antes mesmo de chegar ao Equador, Pascal afirma que já havia vivido em regiões remotas da França. Para ele, o ambiente natural é justamente uma das características mais importantes da vida que escolheu.
Ele conheceu outras regiões do Equador, mas escolheu Imbabura para ficar
A decisão de permanecer em Cahuasquí não nasceu da falta de alternativas.
Pascal viajou por diferentes partes do Equador e cita regiões como Pastaza, Tungurahua e Cuenca entre os lugares de que gosta. O problema, brinca, é justamente existir beleza demais no país e ser possível morar em apenas um lugar.
Imbabura acabou vencendo.
O que começou com a chegada de um mochileiro estrangeiro em 1989 transformou-se em uma vida construída ao longo de décadas. O terreno rural ganhou árvores, café, animais, pequenas casas e espaços destinados a quem procura alguns dias longe da cidade.
A propriedade também reúne referências que Pascal encontrou em diferentes lugares. Ele admite que observa soluções durante as viagens, guarda ideias e depois as incorpora às construções, misturando elementos externos com técnicas e materiais locais.
O paraíso entre as montanhas também convive com uma preocupação
A paisagem, porém, não aparece na história apenas como cenário.
Durante a conversa, surge uma preocupação dos moradores com projetos e concessões de mineração nas montanhas da região. Segundo o relato apresentado no vídeo, a questão provoca insegurança principalmente porque dessas áreas vêm recursos hídricos utilizados na irrigação e, consequentemente, na produção de alimentos.
Pascal chega a dizer que essa incerteza é o ponto que o impede de simplesmente definir o lugar como um paraíso sem ressalvas.
É um contraste importante na história. O mesmo isolamento, a água, as montanhas e a natureza que fizeram um viajante francês escolher esse pedaço do Equador para construir sua vida também explicam a preocupação em preservar o ambiente que o fez permanecer ali.
Depois de chegar como mochileiro em 1989, Pascal não encontrou apenas mais uma parada de viagem. Encontrou o lugar onde decidiu ficar.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

