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Mônaco afundou 18 caixões colossais de concreto de 10 mil toneladas e 26 metros de altura no Mar Mediterrâneo, despejou milhões de toneladas de material atrás deles e fabricou do zero um novo bairro de luxo onde antes só existia água

Mônaco afundou 18 caixões colossais de concreto de 10 mil toneladas e 26 metros de altura no Mar Mediterrâneo, despejou milhões de toneladas de material atrás deles e fabricou do zero um novo bairro de luxo onde antes só existia água

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Mônaco afundou 18 caixões colossais de concreto de 10 mil toneladas e 26 metros de altura no Mar Mediterrâneo, despejou milhões de toneladas de material atrás deles e fabricou do zero um novo bairro de luxo onde antes só existia água

Escrito por Ana Alice

Publicado em 07/08/2026 às 23:54

Ciência e Tecnologia

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Mônaco ampliou seu território com 18 caixões gigantes e milhões de toneladas de material para criar o bairro Mareterra sobre o mar. (Imagem: Ilustrativa)

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Uma obra bilionária transformou uma faixa do Mediterrâneo em território urbano por meio de caixões gigantes, milhões de toneladas de material e soluções de engenharia que redesenharam a costa de um dos menores países do mundo.

Mônaco transformou uma faixa do Mediterrâneo em território urbano ao construir Mareterra, um novo bairro de seis hectares sustentado por uma infraestrutura marítima cuja peça mais visível durante as obras era uma sequência de 18 gigantescos caixões de concreto armado, com cerca de 26 metros de altura e 10 mil toneladas cada.

Atrás dessa barreira, milhões de toneladas de material foram usadas para criar terreno onde antes existia apenas água.

O projeto deixou de ser apenas uma obra em andamento.

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Mareterra foi oficialmente inaugurado em 4 de dezembro de 2024 pelo príncipe Albert II e pela família principesca, nove anos depois da assinatura do tratado de concessão que deu início ao empreendimento.

Os seis hectares acrescentados representam aproximadamente 3% de expansão da superfície territorial de Mônaco.

Embora a imagem dos blocos sendo “afundados” ajude a visualizar a escala da operação, o processo era controlado com precisão.

Os caixões eram rebocados pelo Mediterrâneo, posicionados sobre uma enorme base submarina de pedra e gradualmente preenchidos com lastro até descerem para sua posição definitiva.

Depois dessa etapa, cada estrutura que inicialmente pesava cerca de 10 mil toneladas chegava a aproximadamente 24 mil toneladas com o lastro final, segundo a própria equipe do Mareterra.

Mareterra começou pela construção de uma nova costa

Mônaco ocupa pouco mais de dois quilômetros quadrados entre o Mediterrâneo e as encostas da Riviera Francesa.

A escassez de espaço levou o principado a recorrer várias vezes à expansão sobre o mar, como ocorreu anteriormente em Fontvieille.

Mareterra levou essa estratégia para uma nova escala técnica.

O empreendimento criou seis hectares de território adicional entre o Grimaldi Forum e a região do túnel utilizado pelo circuito de Fórmula 1 de Mônaco.

A extensão modificou a linha costeira e abriu espaço para residências, áreas públicas, comércio, jardins e uma pequena marina.

A SAM L’Anse du Portier ficou responsável pela concepção, desenvolvimento, financiamento e comercialização do projeto, enquanto a Bouygues Travaux Publics assumiu uma parcela central das obras marítimas.

O custo total divulgado para Mareterra ficou em aproximadamente € 2 bilhões.

A dimensão financeira acompanhou um desafio de engenharia incomum: antes que edifícios pudessem ser erguidos, era preciso literalmente construir o solo onde eles ficariam.

Caixões gigantes de concreto permanecem parcialmente submersos durante a construção da extensão territorial de Mônaco que deu origem ao bairro Mareterra. Crédito: Bouygues Construction/Divulgação.

Dezoito caixões de concreto formaram a barreira marítima

A solução escolhida envolveu uma infraestrutura de aterro confinada por 18 caixões trapezoidais de concreto armado.

A Bouygues informa atualmente que as estruturas têm aproximadamente 26 metros de altura e 10 mil toneladas cada.

Uma publicação da própria Mareterra sobre a instalação registra medidas ligeiramente diferentes, citando peças de 27 metros de altura e 28 metros de largura.

Essas diferenças refletem as dimensões adotadas em diferentes documentos técnicos e fases de apresentação do projeto.

O ponto central permanece o mesmo: cada caixão tinha tamanho comparável a um edifício de vários andares e massa semelhante à de dezenas de aviões comerciais menores reunidos.

As estruturas foram construídas em Marseille-Fos, no sul da França, utilizando um dock flutuante e submersível de 4.600 toneladas chamado Marco Polo.

A instalação criada para fabricar as peças permitia que o próprio caixão fosse gradualmente colocado na água conforme sua construção avançava.

Depois de concluída a fabricação, cada estrutura era preparada para uma viagem marítima superior a 200 quilômetros até Mônaco.

Não se tratava de simplesmente fabricar os blocos próximos ao bairro e empurrá-los para dentro da água.

A logística transformou cada caixão em uma carga marítima gigantesca que precisava chegar ao destino e ser posicionada com precisão.

Sequência de caixões de concreto forma parte da cintura marítima construída para proteger e delimitar a nova área territorial de Mareterra. Crédito: Bouygues Construction/Divulgação.

Instalação dos caixões começou em setembro de 2018

A montagem da cintura de proteção começou em setembro de 2018.

Os 18 caixões foram posicionados até julho de 2019, criando o contorno marítimo que delimitaria a futura extensão territorial.

Na aproximação final, embarcações especiais atuavam na frente e atrás de cada peça.

Já próximo à posição definitiva, o caixão recebia um primeiro lastro para ficar a menos de um metro da base submarina.

A partir daí, seis guinchos hidráulicos e cabos permitiam realizar os últimos ajustes.

O posicionamento era acompanhado por equipamentos topográficos em tempo real.

A margem de controle chegava à escala de centímetros, apesar das milhares de toneladas que estavam sendo movimentadas.

Quando o caixão estava estabilizado cerca de 50 centímetros acima do ponto definitivo, começava o lastreamento completo.

A estrutura então descia lentamente até se apoiar sobre o aterro submarino.

Se os engenheiros detectassem um erro de posição, ainda havia possibilidade de correção.

Como o primeiro lastro era líquido, parte da água podia ser removida, permitindo que o caixão recuperasse flutuabilidade e fosse reposicionado.

Só depois da validação do alinhamento a água era substituída por material granular.

Foi nesse estágio que o peso final de cada caixão chegou a cerca de 24 mil toneladas.

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Base submarina recebeu milhões de toneladas de material

Os caixões não ficaram apoiados diretamente sobre qualquer trecho natural do fundo do Mediterrâneo.

Antes deles, os engenheiros construíram uma grande base com calcário natural.

A documentação do projeto descreve essa estrutura como uma espécie de colina submarina de aproximadamente 500 metros de comprimento, situada entre cerca de 50 e 20 metros abaixo da superfície.

Foi sobre essa fundação que a cintura de concreto passou a repousar.

A preparação exigiu enormes quantidades de material de pedreira.

O Monaco Economic Board informa que cerca de 2,8 milhões de toneladas de materiais foram utilizadas considerando aterros, taludes e lastreamento das estruturas.

Documentos da Bouygues detalham parte desse fornecimento em diferentes fases.

Uma delas previa aproximadamente 1,56 milhão de toneladas procedentes de Châteauneuf-les-Martigues, enquanto outra contemplava cerca de 900 mil toneladas provenientes de uma pedreira em Le Revest.

O material era transportado principalmente por embarcações até o projeto.

Assim, boa parte da construção pesada chegou a Mônaco pelo próprio mar.

Atrás dos caixões surgiu um terreno de seis hectares

Fechar a barreira de concreto não significava que a nova terra estivesse pronta.

Depois da conclusão da cintura marítima, permanecia uma grande área com água salgada no interior.

Era preciso preenchê-la.

Em abril de 2020, a organização do Mareterra informou que essa etapa havia sido concluída depois que 750 mil toneladas de material de pedreira foram depositadas e espalhadas em aproximadamente dois meses pelos seis hectares da área confinada.

Foi nesse momento que a transformação ficou mais fácil de enxergar.

O espaço que antes fazia parte do Mediterrâneo começou a assumir fisicamente a aparência de terra firme.

A partir desse novo terreno, vieram fundações, estruturas subterrâneas, vias, edifícios, áreas verdes e espaços públicos.

O bairro que hoje parece integrado à costa, portanto, começou como uma gigantesca obra marítima.

Câmaras nos caixões ajudam a dissipar a força das ondas

Os caixões não funcionam apenas como uma parede pesada que impede o avanço do mar.

Cada peça possui estruturas conhecidas como câmaras Jarlan, combinadas com aberturas voltadas para o Mediterrâneo.

Quando uma onda atinge a nova costa, parte da água entra por essas aberturas.

Vista aérea mostra a área de Mareterra durante a formação do terreno artificial atrás da barreira de caixões instalada no Mediterrâneo. Crédito: Bouygues Construction/Divulgação.

O desenho das câmaras dissipa parte da energia da ondulação, diminuindo a força transferida para a infraestrutura atrás delas.

A solução era especialmente relevante porque Mareterra passou a criar uma nova linha de contato direto entre a cidade e o Mediterrâneo.

Em vez de simplesmente apresentar uma parede lisa ao mar, os projetistas incorporaram elementos destinados a controlar a energia das ondas.

Essa infraestrutura está em grande parte escondida de quem hoje caminha pelo novo bairro.

Na superfície, aparecem edifícios, jardins e calçadas.

Abaixo e ao redor deles, permanecem os caixões que permitiram que essa nova porção de Mônaco existisse.

Mareterra aumentou o território de Mônaco em cerca de 3%

Depois da fase pesada de engenharia marítima, a nova terra recebeu o bairro propriamente dito.

O conjunto passou a incluir 110 apartamentos, dez villas e quatro townhouses, além de áreas comerciais, espaços públicos, marina e promenade junto ao Mediterrâneo.

A expansão acrescentou seis hectares a um país cuja área territorial é extremamente pequena.

Em termos proporcionais, isso equivale a aproximadamente 3% de aumento na superfície de Mônaco.

A construção também estendeu o Grimaldi Forum e criou uma nova conexão para pedestres ao longo da costa.

A Promenade Prince Jacques permite que partes da área sejam utilizadas não apenas pelos moradores dos imóveis particulares, mas também pelo público.

O contraste entre o que está acima e abaixo do nível do mar é uma das características mais incomuns do projeto.

Quem percorre a região vê um bairro contemporâneo.

A sustentação dessa paisagem, porém, começou com milhões de toneladas de rocha e uma sequência de peças de concreto transportadas pelo Mediterrâneo.

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Projeto de € 2 bilhões incorporou energia renovável

O empreendimento recebeu a classificação de eco-distrito e adotou diferentes sistemas relacionados a energia, água e mobilidade.

Os números atuais divulgados pelo Mareterra incluem 9 mil metros quadrados de painéis solares, cerca de 200 sistemas de recarga para veículos elétricos e reaproveitamento de 50% da água da chuva.

Outro recurso utiliza bombas de calor associadas à água do mar para aquecimento e refrigeração.

Segundo os dados divulgados pelo projeto, fontes renováveis cobrem cerca de 80% das necessidades de aquecimento e resfriamento do distrito.

O site do empreendimento registra ainda 800 árvores plantadas e 27 mil metros quadrados de áreas vegetadas.

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Ana Alice

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Esse número difere de publicações que mencionaram aproximadamente mil árvores durante outras fases do projeto.

Para dados atuais, a página oficial do Mareterra registra 800.

Mareterra também passou por etapas do processo de certificação HQE Aménagement e foi desenvolvido tendo como referência sistemas como BREEAM, BiodiverCity, Espace Vert Écologique e Port Propre.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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