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Moradores de Osasco enfrentaram a falta de moradia, organizaram um mutirão, criaram uma serralheria para produzir escadas e construíram 1.000 apartamentos em 50 edifícios de cinco andares

Moradores de Osasco enfrentaram a falta de moradia, organizaram um mutirão, criaram uma serralheria para produzir escadas e construíram 1.000 apartamentos em 50 edifícios de cinco andares

SP

6 min de leitura

Moradores de Osasco enfrentaram a falta de moradia, organizaram um mutirão, criaram uma serralheria para produzir escadas e construíram 1.000 apartamentos em 50 edifícios de cinco andares

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 13/08/2026 às 21:40

Atualizado em 13/08/2026 às 21:43

Construção, Indústria

Moradores de Osasco enfrentaram a falta de moradia

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Famílias participaram da construção do conjunto COPROMO entre 1992 e 1998, usando blocos cerâmicos e escadas metálicas para erguer 1.000 apartamentos em Osasco, com assistência técnica, financiamento em etapas e trabalhadores contratados para apoiar o mutirão habitacional.

Moradores que procuravam um lugar para viver acabaram participando da construção de 1.000 apartamentos em Osasco e chegaram a montar uma serralheria para fabricar as escadas metálicas dos próprios edifícios.

O conjunto COPROMO, localizado no Jardim Piratininga, foi construído entre 1992 e 1998 e terminou com 50 prédios de cinco andares. A Usina CTAH, entidade responsável pela assessoria técnica do empreendimento, reuniu os dados sobre o projeto.

Não eram famílias construindo edifícios sem orientação profissional. O canteiro funcionava como mutirão administrado pelos próprios participantes, com associação comunitária, arquitetos, engenheiros, trabalhadores assalariados de apoio e diferentes formas de financiamento.

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Como a procura por moradia levou à criação do COPROMO

A mobilização começou em 1990, quando famílias interessadas em conquistar uma moradia foram cadastradas em um barracão instalado em Osasco. Cerca de 10 mil famílias passaram pelo local somente na primeira semana, revelando a grande procura por habitação na cidade.

A intenção inicial era criar uma cooperativa habitacional inspirada em uma experiência do Uruguai. As dificuldades burocráticas fizeram o grupo adotar outro formato e constituir a Associação Pró Moradia de Osasco, mantendo o nome COPROMO.

Famílias participaram da construção do conjunto COPROMO entre 1992 e 1998

Parte das famílias ocupou uma área sem uso no Jardim Piratininga e construiu um barracão para sediar a entidade. Nos anos seguintes, o movimento conquistou uma gleba de aproximadamente 54.000 m², espaço planejado para receber 1.000 famílias.

A área foi cedida pela Prefeitura Municipal de Osasco. Já o projeto foi pago por meio de rateio entre os participantes. A construção combinou recursos dos próprios moradores com financiamento público liberado em diferentes etapas.

Blocos cerâmicos facilitaram a construção dos edifícios

Levantar prédios por meio de mutirão exigia um sistema simples de executar e fácil de repetir. Muitos participantes não trabalhavam na construção civil, por isso o projeto precisava reduzir etapas complexas sem abrir mão da orientação profissional.

A solução adotada foi a alvenaria de blocos cerâmicos autoportantes. Em termos simples, os blocos formavam paredes capazes de sustentar o peso previsto no projeto, dispensando parte das estruturas verticais separadas que tornariam a execução mais difícil.

A padronização também ajudava os grupos a manter medidas semelhantes nos diferentes edifícios. O projeto começou pelo tamanho do bloco cerâmico e chegou a uma planta composta por quatro módulos de 3,75 por 3,75 metros, organizados em torno da circulação central.

Cada apartamento tinha aproximadamente 54 m² de área útil, dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. Quatro unidades eram distribuídas em cada andar, formando edifícios com 20 apartamentos.

O mutirão mostrou que a construção popular podia subir cinco andares

No imaginário brasileiro, um mutirão habitacional costuma ser associado a pequenas casas térreas. O COPROMO avançou em outra direção ao reunir 50 edifícios de cinco andares em um mesmo empreendimento.

O mutirão mostrou que a construção popular podia subir cinco andares

A construção em altura permitiu acomodar mais famílias dentro do terreno disponível. Para isso, o projeto precisava facilitar o transporte de materiais, o acesso aos pisos superiores e a repetição das mesmas etapas em todos os blocos.

O canteiro era administrado com participação dos futuros moradores, mas também contava com trabalhadores assalariados de apoio. Profissionais de arquitetura, engenharia, assistência social e área jurídica participaram de diferentes partes do processo.

Essa organização diferencia o conjunto de uma obra improvisada. O esforço coletivo funcionava dentro de um projeto definido, com assistência especializada e soluções pensadas para as condições reais do mutirão.

Escadas metálicas aumentaram a segurança e orientaram a obra

As escadas metálicas independentes eram instaladas logo após a execução das fundações, antes que as paredes dos prédios fossem erguidas ao redor. A escolha transformava uma parte definitiva do edifício em uma ferramenta útil durante a construção.

A Usina CTAH, entidade responsável pela assessoria técnica do empreendimento, registrou que as escadas permitiam aos participantes circular e transportar materiais com mais segurança, sem depender de andaimes improvisados.

As estruturas também serviam como referência para manter as paredes alinhadas e ajudavam na elevação dos materiais até os pisos superiores. Assim, uma única solução atendia às necessidades de circulação, segurança e organização do canteiro.

A instalação antecipada ainda evitava a demora associada à construção de escadas de concreto. Enquanto as paredes subiam, os trabalhadores já contavam com acessos firmes entre os andares.

Moradores criaram uma serralheria para fabricar as escadas

No começo da obra, uma empresa especializada fabricava e instalava as escadas. Durante a construção do conjunto, os participantes decidiram montar uma serralheria ligada ao próprio mutirão e passaram a produzir essas estruturas.

Os moradores deixaram de atuar somente na montagem das paredes e assumiram parte da fabricação de um componente essencial dos edifícios. A serralheria aproximou as famílias de uma etapa que antes dependia inteiramente de um fornecedor contratado.

Financiamento em etapas permitiu concluir os 1.000 apartamentos

Isso não significou o afastamento dos profissionais responsáveis pela obra. A fabricação fazia parte de um processo acompanhado tecnicamente, dentro de um canteiro que combinava participação comunitária e conhecimento especializado.

O caso mostrou que a autogestão podia ir além da divisão de tarefas manuais. Os futuros moradores também participavam das decisões sobre a produção e a organização do empreendimento.

Financiamento em etapas permitiu concluir os 1.000 apartamentos

Enquanto as negociações de financiamento avançavam, um grupo de 300 famílias decidiu iniciar a construção com recursos próprios. Esses participantes ficaram conhecidos como o grupo dos por conta, e os primeiros edifícios começaram a subir em 1992.

O modelo financeiro concluído reuniu 320 unidades autofinanciadas e 680 apartamentos financiados pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo. A liberação dos recursos ocorreu em etapas, enquanto parte das famílias já trabalhava no canteiro.

A construção terminou em 1998, seis anos após o início das obras. O resultado foi um conjunto com 50 prédios e 1.000 apartamentos, localizado próximo a escolas, hospitais e centros de saúde.

A distribuição das unidades considerou os vínculos formados durante o trabalho coletivo. As próprias famílias organizaram grupos de vizinhança, reunindo os moradores que ocupariam cada andar.

O COPROMO mostrou que a participação popular pode alcançar uma obra de grandes proporções quando existe organização comunitária, assistência técnica, financiamento e planejamento construtivo. A serralheria criada pelos moradores tornou visível essa capacidade de assumir responsabilidades dentro do processo de produção.

Mais do que levantar paredes, as famílias participaram de decisões, aprenderam tarefas e ajudaram a transformar um terreno em moradia para 1.000 núcleos familiares.

Se moradores puderam participar da construção e das decisões do COPROMO, até onde esse modelo poderia ajudar a enfrentar a falta de moradia em outras cidades brasileiras?

Fonte

Usina CTAH


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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