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Moradores transformaram fachadas de casas de três favelas do Rio em obras de arte, criaram 25 Casas-Tela entre becos e vielas e fizeram da própria comunidade um museu a céu aberto visitado por brasileiros e estrangeiros

Moradores transformaram fachadas de casas de três favelas do Rio em obras de arte, criaram 25 Casas-Tela entre becos e vielas e fizeram da própria comunidade um museu a céu aberto visitado por brasileiros e estrangeiros

RJ

5 min de leitura

Moradores transformaram fachadas de casas de três favelas do Rio em obras de arte, criaram 25 Casas-Tela entre becos e vielas e fizeram da própria comunidade um museu a céu aberto visitado por brasileiros e estrangeiros

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 20/08/2026 às 21:21

Atualizado em 20/08/2026 às 21:22

Curiosidades

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Fachadas cobertas por murais transformam becos e escadarias em uma galeria de arte a céu aberto, conceito do Circuito Casas-Tela criado pelo Museu de Favela no Cantagalo, Pavão e Pavãozinho.

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Criado pelo Museu de Favela, circuito utilizou paredes de casas como suporte para pinturas que preservam histórias, costumes e memórias de moradores do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, transformando o território em uma grande galeria de arte a céu aberto.

Casas de tijolos, escadarias estreitas e vielas que sobem pelos morros dividem espaço com enormes pinturas coloridas. Rostos, cenas familiares, personagens e referências à vida cotidiana aparecem diretamente nas paredes das residências.

À primeira vista, poderia ser apenas um grande conjunto de grafites espalhado pelas comunidades. Mas as pinturas fazem parte de uma proposta muito maior.

É o Circuito Casas-Tela – Caminhos de Vida, criado pelo Museu de Favela (MUF) no conjunto formado pelas comunidades do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

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Em vez de concentrar seu acervo dentro de um edifício convencional, o projeto transformou as próprias fachadas das casas dos moradores em telas, fazendo dos becos, escadarias e vielas parte do espaço de exposição.

O circuito original foi preparado entre 2009 e 2010, com 25 telas de arte em grafite e dois portais, segundo o próprio Museu de Favela.

Um museu que não precisava ficar dentro de um prédio

A proposta parte de uma característica fundamental do MUF: o território não funciona apenas como endereço do museu. O próprio território é tratado como museu vivo.

As fachadas das residências passaram a receber obras relacionadas às memórias e à cultura local. Dessa maneira, histórias que normalmente permaneceriam restritas às famílias ganharam espaço nas paredes e passaram a fazer parte de um roteiro aberto à visitação.

O trabalho teve curadoria do artista Carlos Esquivel, conhecido como ACME, e reuniu grafiteiros do Rio de Janeiro, de outros estados brasileiros e também de outros países.

O resultado alterou a relação tradicional entre visitante e exposição.

Não é necessário atravessar a porta de uma grande instituição para encontrar as obras. O visitante caminha pela própria favela, passando pelas casas, observando a arquitetura e percorrendo os mesmos caminhos utilizados diariamente pelos moradores.

Fachadas coloridas e cobertas por grandes pinturas transformam becos e escadarias de uma comunidade carioca em uma galeria de arte a céu aberto, conceito que marca o Circuito Casas-Tela do Museu de Favela.

25 Casas-Tela começaram a contar a história das comunidades

O circuito inicial reuniu 25 telas, distribuídas pelo território e associadas à história de ocupação das comunidades.

Pesquisa acadêmica da PUC-Rio baseada no livro publicado pelo próprio MUF explica que essas telas apresentam a trajetória local desde a chegada dos primeiros moradores ao Cantagalo até a formação do Pavão-Pavãozinho.

As pinturas, portanto, não foram pensadas apenas como decoração das fachadas.

Elas transformaram paredes comuns em suportes para memórias familiares, acontecimentos, costumes, personagens e transformações ocorridas ao longo das gerações.

A lógica se aproxima de um grande álbum de família espalhado pelo morro.

A diferença é que, em vez de fotografias guardadas dentro de uma gaveta, parte dessas lembranças passou a ocupar paredes visíveis para moradores e visitantes.

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Caio Aviz

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Grafite virou ferramenta para preservar histórias dos moradores

O grafite ocupa posição central na identidade visual do circuito.

As obras foram desenvolvidas a partir das histórias relacionadas ao território, permitindo que experiências locais fossem traduzidas em imagens.

O projeto também estabeleceu uma relação direta entre arte urbana e memória social. A fachada continua pertencendo à residência, mas simultaneamente passa a integrar uma exposição espalhada pela comunidade.

Isso transforma cada deslocamento pelo circuito em parte da experiência.

Escadarias funcionam como corredores. Becos ligam uma obra à seguinte. Casas tornam-se espaços expositivos. E a paisagem urbana deixa de ser apenas cenário para participar diretamente da narrativa.

O Instituto Brasileiro de Museus registra ainda que o projeto envolveu artistas grafiteiros e resultou posteriormente no livro “Circuito Casas-Tela, caminho de vida no Museu de Favela”, lançado em 2012.

Visitantes percorrem becos e vielas acompanhados por moradores

A experiência não termina diante das pinturas.

O circuito integra visitas realizadas pelo território com mediação de guias locais treinados pelo Museu de Favela, permitindo que quem chega de fora conheça não somente as imagens, mas também as histórias associadas aos lugares por onde passa.

Essa participação dos moradores muda a maneira como a favela é apresentada.

Em vez de o território ser explicado exclusivamente pelo olhar de pesquisadores, jornalistas ou visitantes externos, pessoas ligadas à própria comunidade participam da construção da narrativa sobre o local.

Durante o percurso, arte, arquitetura e memória aparecem misturadas.

O visitante atravessa caminhos reais das comunidades enquanto observa obras instaladas justamente nos espaços onde as histórias representadas aconteceram.

O tempo também passou a fazer parte das Casas-Tela

Como qualquer obra instalada ao ar livre, o circuito está sujeito às mudanças do território.

Chuva, sol, reformas de imóveis e transformações urbanas interferem diretamente nas pinturas. Algumas fachadas desapareceram ou foram modificadas ao longo dos anos.

O próprio Museu de Favela informa que nove das telas originais já não estão disponíveis. Parte das demais recebeu restauração em 2021.

O circuito, entretanto, continuou se transformando.

No final de 2024, cinco novas telas foram entregues na favela do Cantagalo, acrescentando novas cores e memórias ao percurso.

Isso faz com que a exposição não permaneça congelada no momento em que foi criada.

Assim como as comunidades mudam, o museu também muda.

Museu de Favela transformou o território em parte do próprio acervo

O diferencial do Circuito Casas-Tela está justamente na dificuldade de separar a obra do lugar onde ela existe.

Retirar todas as pinturas das fachadas e colocá-las dentro de uma galeria significaria perder parte importante da experiência.

As casas, as escadas, os moradores, os caminhos e a paisagem ajudam a construir o significado das obras.

O cadastro oficial MuseusBr descreve o circuito como uma galeria de arte a céu aberto na qual a arte registra a memória da favela. O percurso também permite conhecer o cotidiano e os desafios envolvidos na gestão de um museu territorial.

A proposta transforma uma característica cotidiana das comunidades — suas fachadas sobrepostas ao longo dos morros — em suporte para preservar histórias que poderiam desaparecer com o passar das gerações.

O que começou entre 2009 e 2010 com 25 Casas-Tela e dois portais tornou-se uma experiência em que não existe uma fronteira clara entre museu, rua e comunidade.

No Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, as paredes das casas passaram a contar histórias, os becos viraram caminhos de exposição e a própria favela tornou-se parte do acervo.

Você acredita que transformar fachadas de casas em obras de arte pode ajudar a preservar histórias que dificilmente encontrariam espaço dentro dos museus tradicionais? Compartilhe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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