6 min de leitura
Motoboy seguia para o segundo trabalho no Paraná quando carro atinge sua moto, o arrasta por cerca de 60 metros e leva motocicleta presa por outros 600; outro motociclista persegue motorista até conseguir pará-lo
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 25/08/2026 às 16:48
Atualizado em 25/08/2026 às 16:49
Acidentes
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Câmeras registraram o momento em que trabalhador de 38 anos foi atingido por um Honda City em Maringá. Motoboy sofreu múltiplas fraturas, traumatismo craniano e precisou ser reanimado; motorista foi preso, pagou R$ 15 mil de fiança e deixou a cadeia.
Uma noite de trabalho terminou em uma sequência dramática registrada por câmeras de segurança no Paraná. Um motoboy de 38 anos foi atingido na traseira por um carro enquanto circulava por Maringá, caiu violentamente e acabou arrastado por aproximadamente 60 metros antes de permanecer inconsciente sobre o asfalto.
A motocicleta, no entanto, ficou presa à parte dianteira do automóvel. Mesmo depois de o trabalhador ter caído, o carro continuou avançando e teria levado a moto enganchada por cerca de 600 metros, segundo informações divulgadas pelo GMC Online. A movimentação chamou a atenção de outro motociclista, que decidiu seguir o veículo até conseguir interceptar o motorista.
Enquanto isso, Rodolfo Rodrigo Notário recebia os primeiros socorros na rua. O motoboy sofreu múltiplas fraturas e traumatismo craniano, entrou em parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimado antes de ser encaminhado em estado gravíssimo para a Santa Casa de Maringá.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Câmeras registraram impacto, queda do motoboy e carro seguindo pela rua
O acidente aconteceu no fim da noite de domingo, 23 de agosto, na Rua Mem de Sá, na Zona 2 de Maringá. Conforme o GMC Online, Rodolfo havia acabado de realizar uma entrega e seguia para um segundo trabalho quando sua motocicleta foi atingida por trás pelo Honda City.
As imagens de monitoramento de um edifício registraram parte da dinâmica. O vídeo mostra a motocicleta seguindo pela rua momentos antes de ser alcançada pelo automóvel. Depois da colisão, o trabalhador cai na via, enquanto o carro continua avançando. O registro também foi publicado pelo Maringá Post.
Com a força do impacto, Rodolfo teria sido arrastado por aproximadamente 60 metros. Ele ficou inconsciente e apresentava ferimentos graves, enquanto a motocicleta permaneceu presa ao veículo que o havia atingido.
Segundo as informações divulgadas inicialmente pelos veículos locais, o Honda City continuou percorrendo a rua e arrastou a motocicleta por aproximadamente 600 metros. Foi então que outro motociclista, que havia presenciado a situação, iniciou uma perseguição ao automóvel.
Outro motociclista seguiu o carro até conseguir interceptar o motorista
A intervenção de uma testemunha mudou a sequência dos acontecimentos. O motociclista seguiu o Honda City depois da colisão e conseguiu alcançar o veículo, impedindo que o motorista simplesmente continuasse seu trajeto após o acidente.
As primeiras informações divulgadas pelo GMC Online apontam que o condutor acabou levado de volta ao ponto da colisão e foi contido por populares até a chegada da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar. Uma reconstrução posterior publicada pelo jornalista André Almenara indica que o automóvel, já bastante danificado, não conseguia seguir normalmente e que o estudante retornou a pé ao local.
Independentemente dessa diferença entre as reconstruções iniciais, os relatos convergem em um ponto: outro motociclista seguiu o automóvel após o acidente e conseguiu interceptar o motorista, que posteriormente voltou ao local onde Rodolfo permanecia gravemente ferido.
Equipes de segurança assumiram então a ocorrência. O motorista foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Maringá, enquanto os socorristas concentravam os esforços na tentativa de manter o motoboy vivo.
Morador ouviu a batida, desceu do prédio e começou a reanimar o trabalhador
Antes mesmo da chegada das equipes de emergência, um morador de um edifício próximo ouviu o forte barulho provocado pela colisão. Ao descer para verificar o que havia acontecido, encontrou Rodolfo inconsciente e iniciou manobras de reanimação.
Corpo de Bombeiros e Samu chegaram na sequência e deram continuidade ao atendimento. O trabalhador havia entrado em parada cardiorrespiratória e precisou receber manobras de ressuscitação durante aproximadamente 20 minutos, até que os profissionais conseguissem restabelecer seus sinais vitais.
O quadro exigiu ainda intubação antes do transporte ao hospital. Rodolfo foi encaminhado para a Santa Casa de Maringá com múltiplas fraturas e traumatismo craniano, permanecendo hospitalizado em condição considerada crítica nas atualizações divulgadas nesta terça-feira, 25 de agosto.
A gravidade do atendimento mostra o tamanho do impacto sofrido pelo trabalhador. Não se tratou apenas da queda provocada pela colisão: o motoboy precisou ser reanimado ainda na rua antes de ter condições de ser transferido para atendimento hospitalar.
Motorista recusou teste do bafômetro e policiais relataram sinais de alteração
O Honda City era conduzido por um estudante de Medicina de 23 anos. Durante a abordagem, ele se recusou a realizar o teste do bafômetro, segundo as informações divulgadas pelos veículos que acompanharam a ocorrência.
Os policiais relataram sinais de alteração da capacidade psicomotora, incluindo hálito etílico e fala enrolada. Como não houve resultado divulgado de um teste de etilômetro, a existência de consumo de álcool é tratada nos registros a partir dos sinais observados pelos agentes e do termo de constatação elaborado durante o atendimento.
O jovem foi preso e encaminhado à 9ª Subdivisão Policial de Maringá. De acordo com as informações reunidas posteriormente no processo, ele foi autuado em flagrante, em tese, por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, com agravante relacionado à omissão de socorro.
O Maringá Post informou ainda que tanto o carro quanto a motocicleta apresentavam irregularidades administrativas e foram encaminhados ao pátio do Detran após a ocorrência.
Justiça fixa fiança de R$ 15 mil e estudante deixa a cadeia
O caso ganhou um novo capítulo menos de um dia depois. Durante a audiência de custódia, a Justiça considerou legal a prisão em flagrante, mas entendeu que não estavam presentes elementos suficientes para manter o estudante preso preventivamente naquele momento.
A decisão levou em consideração, entre outros pontos, que o motorista é primário e possui bons antecedentes e que não houve pedido de prisão preventiva formulado pela polícia ou pelo Ministério Público. A magistrada estabeleceu uma fiança de R$ 15 mil, valor superior aos R$ 2 mil que haviam sido sugeridos inicialmente pelo Ministério Público.
Após o pagamento, o estudante deixou a carceragem na segunda-feira, 24 de agosto, mediante liberdade provisória e com medidas cautelares. Entre elas estão a obrigação de comparecer mensalmente à Justiça e restrições para deixar a comarca sem autorização.
A concessão da liberdade provisória não representa absolvição nem encerra a apuração. O acidente continua sendo investigado, enquanto as autoridades reúnem imagens, depoimentos e demais elementos para estabelecer as responsabilidades pelo ocorrido.
Família do motoboy critica soltura enquanto trabalhador permanece hospitalizado
A situação provocou reação da família de Rodolfo. Nesta terça-feira, 25 de agosto, familiares manifestaram inconformismo com a liberdade provisória concedida ao motorista mediante o pagamento da fiança de R$ 15 mil.
Por meio de representação jurídica, a família informou que pretende acompanhar de perto o andamento do inquérito policial e a reconstrução da dinâmica do acidente. A manifestação ocorre enquanto Rodolfo continua hospitalizado depois de ter passado por um atendimento de emergência considerado extremamente delicado.
De um lado, as imagens mostram segundos suficientes para transformar uma jornada de trabalho em uma internação grave. Do outro, a perseguição realizada por um motociclista que presenciou o acidente permitiu que o motorista fosse localizado depois que o Honda City seguiu pela rua com a motocicleta presa à dianteira.
Agora, além da recuperação de Rodolfo, o caso permanece nas mãos da Polícia Civil e da Justiça, que deverão analisar os registros das câmeras, as circunstâncias da colisão, os relatos dos policiais e das testemunhas e a conduta do motorista antes e depois do impacto.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

