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MPF cobra R$ 13,7 milhões após investigação revelar venda de corpos do Hospital Colônia de Barbacena para aulas de anatomia, expõe capítulo sombrio da saúde mental no Brasil e pede memorial, retratação pública, pesquisas e mudanças no ensino médico

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MPF cobra R$ 13,7 milhões após investigação revelar venda de corpos do Hospital Colônia de Barbacena para aulas de anatomia, expõe capítulo sombrio da saúde mental no Brasil e pede memorial, retratação pública, pesquisas e mudanças no ensino médico

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 20/08/2026 às 23:52

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Ação aponta que ao menos 105 cadáveres foram comercializados entre 1971 e 1975 e cobra indenização, memorial e medidas de reparação histórica.

Uma nova ação do Ministério Público Federal (MPF) voltou a colocar o Hospital Colônia de Barbacena no centro de uma discussão histórica no Brasil.

O órgão cobra R$ 13,7 milhões por danos morais coletivos devido à comercialização de corpos de antigos pacientes para utilização em aulas de anatomia.

Segundo as investigações, ao menos 105 cadáveres foram vendidos entre 1971 e 1975 para a então Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

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Documentos históricos indicam que cada corpo era comercializado por 50 cruzeiros, valor utilizado para despesas de conservação e transporte.

Dados citados do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região mostram que o salário mínimo mineiro daquele período correspondia a 216 cruzeiros.

Investigação histórica revela comércio de cadáveres

O processo envolve a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), a Fhemig, o Estado de Minas Gerais e a União.

Segundo o MPF, os fatos investigados representam graves violações de direitos humanos e são classificados pelo órgão como crimes contra a humanidade.

Essa interpretação, portanto, sustenta que as violações não perdem validade com a passagem do tempo.

Os procuradores Angelo Giardini de Oliveira e Edmundo Antonio Dias Netto Junior defendem responsabilização institucional e reparação histórica às vítimas e familiares.

MPF pede indenização, memorial e retratação pública

A ação cobra R$ 13,7 milhões em danos morais coletivos, porém os pedidos não se limitam ao pagamento financeiro.

O MPF solicita declarações oficiais, atos públicos de retratação e a implantação de um memorial em Belo Horizonte.

A digitalização do acervo documental histórico também aparece entre as medidas propostas.

O processo pede ainda conteúdos obrigatórios sobre bioética, direitos humanos e violência manicomial na formação oferecida pela faculdade.

O Ministério da Educação também deverá, conforme o pedido, elaborar uma regulamentação nacional para destinação de cadáveres às instituições de ensino.

A Feluma, por sua vez, poderá ter de direcionar R$ 1,1 milhão para pesquisas científicas independentes relacionadas ao tema.

A ação também solicita impedir contingenciamentos na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) durante 15 anos.

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Viviane Alves

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Hospital Colônia acumulou cerca de 60 mil mortes

O Hospital Colônia de Barbacena foi fundado em 1903 com a proposta de oferecer tratamento psiquiátrico.

A instituição, entretanto, passou a receber pessoas sem diagnóstico médico adequado e grupos marginalizados pela sociedade daquela época.

Registros citam militantes políticos, pessoas com deficiência, homossexuais, gestantes e mulheres rejeitadas pelos próprios companheiros.

Cerca de 60 mil pessoas morreram no Hospital Colônia ao longo de décadas de funcionamento.

Estimativas históricas também apontam que ao menos 1.800 corpos foram vendidos para cursos acadêmicos da área da saúde.

As violações ocorridas no local fizeram a instituição ficar conhecida como “Holocausto Brasileiro”.

O encerramento definitivo ocorreu em 25 de maio de 2026, quando os últimos 14 moradores foram transferidos para uma residência terapêutica, segundo o g1.

Pátio de instituição psiquiátrica antiga com diversos pacientes, em imagem ilustrativa que remete ao Hospital Colônia de Barbacena.

Universidades reconheceram recebimento de corpos

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresentou desculpas públicas pelo recebimento de corpos provenientes do Hospital Colônia.

O pedido foi formalizado em 18 de março de 2026 e divulgado institucionalmente no mês seguinte.

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) também assumiu compromissos formais em maio de 2026.

Segundo o MPF, a universidade reconheceu o recebimento de 169 cadáveres para utilização acadêmica.

A ausência de acordo administrativo com a Faculdade Ciências Médicas motivou, conforme o órgão, o ajuizamento da nova ação.

Instituições apresentam posicionamentos sobre o caso

A FCMMG e a Feluma afirmaram que cooperam com o MPF e destacaram que suas atividades atuais seguem normas éticas e legais vigentes.

As instituições também disseram que não antecipam conclusões sobre episódios históricos que ainda estão sendo analisados pelos órgãos responsáveis.

A faculdade declarou que não havia sido formalmente citada e afirmou que apresentará suas teses de defesa no momento adequado.

A Fhemig, representada pela Advocacia-Geral do Estado, informou que ainda não havia recebido notificação formal sobre a ação.

A União não havia apresentado manifestação até a última atualização da reportagem.

O que pode acontecer após a ação do MPF?

A Justiça deverá analisar os pedidos apresentados pelo Ministério Público Federal e definir quais medidas poderão ser aplicadas às instituições envolvidas.

O processo coloca novamente em debate o uso de cadáveres no ensino médico, a memória das vítimas e a responsabilidade institucional por violações históricas.

O caso também amplia a discussão sobre reparação e preservação dos documentos relacionados ao Hospital Colônia de Barbacena.

Você acredita que indenizações, memoriais e pedidos públicos de desculpas são suficientes para reparar violações históricas dessa dimensão? Deixe sua opinião.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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