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Muito antes dos dinossauros, centopeia gigante de 2,6 metros e cerca de 50 quilos caminhava pela Terra, e fóssil de 326 milhões de anos encontrado em praia inglesa ajuda cientistas a entender como artrópode ficou tão grande

Muito antes dos dinossauros, centopeia gigante de 2,6 metros e cerca de 50 quilos caminhava pela Terra, e fóssil de 326 milhões de anos encontrado em praia inglesa ajuda cientistas a entender como artrópode ficou tão grande

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Muito antes dos dinossauros, centopeia gigante de 2,6 metros e cerca de 50 quilos caminhava pela Terra, e fóssil de 326 milhões de anos encontrado em praia inglesa ajuda cientistas a entender como artrópode ficou tão grande

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 21/08/2026 às 23:40

Atualizado em 21/08/2026 às 23:41

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Representação ilustrativa da Arthropleura, artrópode gigante que podia atingir cerca de 2,6 metros de comprimento e viveu no período Carbonífero, muito antes dos dinossauros.

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Fóssil descoberto em Howick Beach pertence à Arthropleura, um dos maiores invertebrados terrestres conhecidos, e desafia antigas explicações sobre o gigantismo no Carbonífero

Um fóssil de Arthropleura com cerca de 326 milhões de anos revelou novas pistas sobre um dos maiores artrópodes terrestres já conhecidos pela ciência.

O animal poderia alcançar aproximadamente 2,63 metros de comprimento, 55 centímetros de largura e cerca de 50 quilos.

Essas dimensões colocavam a criatura entre os maiores invertebrados terrestres conhecidos, muito antes do surgimento dos dinossauros.

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A descoberta ocorreu em janeiro de 2018, na praia de Howick, em Northumberland, no norte da Inglaterra.

Pesquisadores detalharam o achado em 2021, em estudo publicado no Journal of the Geological Society.

Fóssil gigante apareceu após queda de rocha em praia inglesa

Um grande bloco de arenito havia despencado de um penhasco na costa inglesa e depois se partido.

A ruptura revelou restos fossilizados do exoesqueleto da Arthropleura, gênero descrito cientificamente pela primeira vez em 1854.

Diversos fósseis relacionados ao animal já haviam sido encontrados na Europa e na América do Norte.

Pegadas, pernas fossilizadas e fragmentos da armadura dorsal estão entre os registros conhecidos.

Grandes exemplares parcialmente preservados, porém, são muito mais raros.

O material de Howick tornou-se o terceiro grande exemplar desse tipo conhecido e o maior identificado até então.

Pesquisadores também consideram que os restos podem pertencer a um exoesqueleto abandonado durante uma muda.

Essa hipótese indica que o animal responsável pelo material poderia continuar crescendo.

Gigantismo aconteceu antes do maior pico de oxigênio

O enorme tamanho da Arthropleura também trouxe uma questão importante para os cientistas.

Durante décadas, o gigantismo dos artrópodes do Carbonífero foi associado principalmente à elevada concentração de oxigênio na atmosfera.

Níveis atmosféricos chegaram posteriormente a aproximadamente 30% a 35% de oxigênio.

O exemplar encontrado em Howick, contudo, viveu muito antes desse pico.

Estimativas indicam cerca de 23% de oxigênio naquele período, pouco acima dos aproximadamente 21% atuais.

O achado, portanto, indica que o oxigênio elevado não explica sozinho o tamanho gigantesco da Arthropleura.

Representação ilustrativa de um pesquisador segurando uma reconstrução da Arthropleura, artrópode gigante que podia atingir cerca de 2,6 metros e viveu há aproximadamente 326 milhões de anos.

Ambiente com poucos competidores favorecia artrópodes enormes

Os ecossistemas terrestres de 326 milhões de anos atrás eram muito diferentes dos atuais.

Vertebrados terrestres ainda estavam nos primeiros estágios de expansão por diferentes ambientes.

Anfíbios já existiam, enquanto outros grandes grupos terrestres ainda não ocupavam muitos dos nichos ecológicos posteriores.

A Arthropleura encontrava, dessa maneira, menos grandes competidores e predadores.

Esse ambiente pode ter permitido que artrópodes explorassem recursos posteriormente disputados por vertebrados.

A alimentação do animal, entretanto, ainda não é conhecida com certeza.

Um estudo publicado em 9 de outubro de 2024, na revista Science Advances, analisou dois indivíduos juvenis encontrados na França.

Microtomografias revelaram detalhes inéditos da cabeça e das peças bucais.

As características aproximaram a Arthropleura dos diplópodes modernos, embora alguns traços também lembrem centopeias.

Pesquisadores consideram provável uma alimentação baseada principalmente em matéria orgânica em decomposição.

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Viviane Alves

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Mudanças climáticas marcaram o fim da Arthropleura

A Arthropleura desapareceu do registro fóssil há aproximadamente 290 milhões de anos, durante o período Permiano.

A formação da Pangeia tornou regiões equatoriais progressivamente mais secas.

Répteis também passaram a ocupar posições cada vez mais importantes nos ecossistemas terrestres.

Mudanças ambientais e novos competidores podem ter contribuído para o desaparecimento desses artrópodes gigantes.

O fóssil de Howick Beach, portanto, oferece uma rara janela para um mundo terrestre existente há mais de 300 milhões de anos.

A descoberta também ajuda cientistas a compreender como um artrópode conseguiu atingir dimensões comparáveis às de grandes animais atuais.

Você imaginava que um artrópode terrestre pudesse atingir mais de 2,6 metros muito antes dos dinossauros?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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