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Mulher brasileira trabalhava em restaurante, começou a viajar com o marido pelas estradas, alterou a CNH até virar caminhoneira e hoje cruza o Brasil em jornadas de 12 a 14 horas, acordando às 3h45 e passando por estados do Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste enquanto trabalha

Mulher brasileira trabalhava em restaurante, começou a viajar com o marido pelas estradas, alterou a CNH até virar caminhoneira e hoje cruza o Brasil em jornadas de 12 a 14 horas, acordando às 3h45 e passando por estados do Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste enquanto trabalha

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Mulher brasileira trabalhava em restaurante, começou a viajar com o marido pelas estradas, alterou a CNH até virar caminhoneira e hoje cruza o Brasil em jornadas de 12 a 14 horas, acordando às 3h45 e passando por estados do Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste enquanto trabalha

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 18/08/2026 às 20:12

Atualizado em 18/08/2026 às 20:13

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De funcionária de restaurante a caminhoneira que cruza diferentes regiões do país, trajetória reúne mudança de profissão, apoio familiar, jornadas extensas iniciadas antes do amanhecer, desafios nas estradas e situações que revelam como é o cotidiano de uma mulher no transporte rodoviário brasileiro.

Janete de Ávila Pelentir transformou as viagens que fazia ao lado do marido durante as férias em uma mudança completa de profissão, deixando o trabalho em um restaurante de Francisco Beltrão, no Paraná, para construir uma nova rotina no transporte rodoviário.

Ao acompanhar Sidnei Corrêa, que já trabalhava como caminhoneiro, ela passou a conhecer de perto o cotidiano das estradas, interessou-se pela atividade e avançou no processo necessário para dirigir carreta até assumir profissionalmente o volante em viagens pelo país.

Depois de alterar a Carteira Nacional de Habilitação e obter a categoria necessária para conduzir o veículo, Janete ingressou no transporte de cargas e passou a percorrer rotas que atravessam diferentes regiões brasileiras, em jornadas marcadas por longos deslocamentos.

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Segundo relato feito ao Jornal de Beltrão, sua rotina começa às 3h45 e pode se estender por 12 a 14 horas de trabalho, dependendo das condições encontradas durante cada viagem e das necessidades operacionais que surgem ao longo do percurso.

Entre os destinos mencionados estão Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Rondônia, Pará e estados do Nordeste, uma combinação que coloca a caminhoneira em trajetos pelo Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste enquanto organiza alimentação, higiene, descanso e direção.

De restaurante a caminhoneira nas estradas do Brasil

Na reportagem publicada em 27 de julho de 2026, Janete tinha 49 anos e contou que o interesse pela profissão surgiu quando ainda trabalhava no restaurante, durante as viagens de férias em que acompanhava o marido pelas rodovias.

Sidnei Corrêa, então com 52 anos, já atuava como caminhoneiro, e a convivência com a atividade aproximou Janete de uma profissão que, até aquele momento, fazia parte principalmente da rotina dele e passou a se tornar também um projeto pessoal.

O contato com a boleia, porém, não significou entrada imediata no setor, porque ela precisou avançar gradualmente na habilitação até reunir as condições necessárias para conduzir carreta e, cerca de dois anos e meio depois, já transportava cargas profissionalmente.

Caminhoneira de Francisco Beltrão deixou restaurante, alterou a CNH e hoje enfrenta jornadas de até 14 horas pelas estradas do Brasil.

Com apoio do marido e do filho, Sandro Pelentir Gnoatto, engenheiro civil que tinha 29 anos quando a reportagem foi publicada, Janete decidiu seguir na nova atividade mesmo diante das preocupações naturais de uma rotina marcada por viagens longas.

Jornada de até 14 horas começa às 3h45

Ainda antes do amanhecer, o dia de trabalho começa com a preparação para a estrada, e as paradas feitas durante o trajeto servem para organizar café, almoço, banho e outros cuidados indispensáveis durante jornadas que podem ocupar grande parte do dia.

A decisão de continuar rodando ou interromper o deslocamento varia conforme as condições encontradas no caminho, o que faz cada viagem assumir um ritmo próprio dentro das 12 a 14 horas de trabalho mencionadas pela caminhoneira em seu relato.

Percorrer estados como Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Rondônia e Pará, além de destinos no Nordeste, ajuda a dimensionar a mudança em relação ao antigo emprego, já que o caminhão passou de ambiente profissional do marido para espaço central da rotina dela.

Preconceito ainda aparece na rotina da caminhoneira

Além das exigências físicas e logísticas da profissão, Janete relatou situações de preconceito por ser mulher em uma atividade ainda associada majoritariamente aos homens, especialmente em pátios e postos de combustível onde sua presença ao volante provoca surpresa.

Em alguns locais, pessoas presumem que ela seja apenas a esposa de um motorista, enquanto atendentes de postos já demonstraram estranhamento quando Janete se apresentou como responsável pelo caminhão e informou a placa para realizar o pagamento do abastecimento.

Mesmo diante dessas situações, ela procura não colocar a discriminação no centro da própria experiência profissional e continua ocupando o mesmo espaço dos colegas homens, assumindo normalmente as tarefas exigidas pela atividade e seguindo a rotina determinada pelas viagens.

Estrutura para mulheres ainda é desafio nas viagens

Outro obstáculo aparece na infraestrutura oferecida às mulheres em pontos de carga e descarga, porque, segundo Janete, há empresas onde o banheiro feminino não fica disponível de forma adequada ou permanece trancado, exigindo que ela procure a pessoa responsável pela chave.

A dificuldade também se estende ao banho, já que alguns espaços destinados a motoristas foram planejados praticamente apenas para homens e, em uma das situações relatadas, a instalação disponível para mulheres não oferecia sequer um chuveiro adequado.

Na avaliação da caminhoneira, postos de abastecimento e serviços de rodovia melhoraram o atendimento às mulheres em comparação com períodos anteriores, embora limitações continuem aparecendo principalmente nas empresas onde ela precisa entrar para carregar ou descarregar.

Distância da família faz parte da vida na estrada

Essas condições interferem diretamente em uma rotina na qual alimentação, higiene, descanso e deslocamento precisam ser organizados ao redor do trabalho, enquanto a distância de casa também pesa por provocar ausências em aniversários, no Dia das Mães e em outras ocasiões familiares.

Para Janete, gostar da profissão é fundamental justamente porque a vida na estrada exige abrir mão de parte do conforto doméstico, conviver com períodos longe da família e adaptar o próprio dia a uma atividade que começa cedo e depende das condições de cada percurso.

Você encararia uma rotina que começa às 3h45, pode chegar a 14 horas de trabalho, atravessa diferentes regiões do Brasil e ainda exige lidar com distância da família, infraestrutura limitada e situações de preconceito durante as viagens?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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