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Mulher de 52 anos vive em cruzeiros há três anos, ultrapassa 900 noites no mar e diz carregar tudo o que possui em uma mochila, enquanto transforma navios na própria casa ao lado do marido sem planejar voltar à terra

Mulher de 52 anos vive em cruzeiros há três anos, ultrapassa 900 noites no mar e diz carregar tudo o que possui em uma mochila, enquanto transforma navios na própria casa ao lado do marido sem planejar voltar à terra

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Mulher de 52 anos vive em cruzeiros há três anos, ultrapassa 900 noites no mar e diz carregar tudo o que possui em uma mochila, enquanto transforma navios na própria casa ao lado do marido sem planejar voltar à terra

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 18/08/2026 às 20:54

Atualizado em 18/08/2026 às 20:55

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Mulher vive em cruzeiros há três anos, supera 900 noites no mar e carrega os pertences em uma mochila ao lado do marido.

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Libby Rome e o marido trocaram hotéis e voos por viagens consecutivas, trabalham remotamente e afirmam gastar cerca de US$ 66 por dia juntos. Nos cruzeiros, o casal concentra hospedagem, alimentação, transporte e entretenimento, mas depende de planejamento, minimalismo e benefícios que não estão disponíveis igualmente a todos os viajantes.

Há pouco mais de três anos, Libby Rome, de 52 anos, passou a viver em cruzeiros com o marido em tempo integral. O casal afirma ter superado 900 noites a bordo e realizado mais de 70 viagens, mantendo uma rotina que combina trabalho remoto, deslocamentos entre países e poucos períodos em terra firme.

A mudança não começou como uma aposentadoria convencional nem como uma única viagem prolongada. Depois de anos vivendo em hotéis, os dois passaram a reservar itinerários consecutivos, reduziram os pertences até caberem em uma mochila e transformaram uma sequência de cabines temporárias em sua forma permanente de moradia.

Primeiro cruzeiro mudou uma rotina nômade de 16 anos

Libby Rome em um navio de cruzeiro.Crédito:
imagem: de Libby Rome

Segundo a PEOPLE, Libby Rome e o marido já viviam como nômades havia 16 anos quando decidiram testar os cruzeiros. Antes disso, mudavam de hotel e de país, conciliando deslocamentos frequentes com o trabalho remoto exercido por ela como consultora de tecnologia da informação.

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Com o passar do tempo, aeroportos, passagens e trocas constantes de hospedagem começaram a tornar a rotina cansativa. O casal comparou os gastos de voos e hotéis com o preço de uma cabine, inclusive opções com varanda, e concluiu que as duas formas de viajar poderiam ter custos semelhantes em determinadas condições.

A primeira experiência no mar agradou aos dois e levou a novas reservas. Em vez de tratar cada viagem como férias isoladas, eles começaram a considerar a possibilidade de conectar roteiros e permanecer embarcados durante a maior parte do ano. Os navios deixaram de representar uma pausa na rotina e passaram a ser a própria rotina.

Pandemia adiou o plano de morar em navios

A ideia de adotar a vida no mar surgiu antes de o casal conseguir executá-la. Quando os dois começaram a demonstrar interesse por viagens mais frequentes, a pandemia de Covid-19 interrompeu as operações do setor e obrigou Libby Rome a adiar a mudança.

Com a retomada das viagens, o casal voltou ao projeto e passou a morar em navios em tempo integral. Mais de três anos depois, Rome contabilizava acima de 900 noites e mais de 70 cruzeiros, dos quais quase 600 dias teriam sido passados em embarcações da Princess Cruises.

O número de viagens não significa, porém, uma troca semanal de embarcação. Apesar dos diversos roteiros, eles costumam permanecer em apenas dois ou três navios diferentes durante um ano, combinando várias viagens consecutivas no mesmo local ou em embarcações que partem de portos próximos.

Essa organização reduz o número de mudanças físicas, embora exija uma agenda extensa. Rome relatou que os dois chegaram a reservar cruzeiros conectados para períodos de oito ou nove meses. A continuidade depende de fazer diferentes itinerários funcionarem como partes de uma única moradia móvel.

Minimalismo reduziu os pertences até uma mochila

Libby Roma.
imagem: de Libby Rome

O caminho até a mochila começou muitos anos antes da residência nos navios. Em 2004, quando se mudou do Texas para Calgary, no Canadá, Libby Rome transportou uma quantidade de objetos que considerou excessiva. Parte das caixas permaneceu guardada por anos sem ser utilizada.

A experiência fez com que ela percebesse o peso financeiro e emocional de manter coisas que não integravam sua rotina. O casal então reduziu a dimensão das casas e se desfez de mais da metade dos bens. Depois, decidiu viajar com duas malas grandes e continuar diminuindo a bagagem a cada nova etapa.

As duas malas se transformaram em uma grande e outra menor; posteriormente, o volume caiu novamente. Hoje, Rome afirma que tudo o que os dois carregam cabe em uma mochila. Esse estilo de vida elimina móveis, utensílios e estoques domésticos, mas também limita compras e exige escolhas constantes sobre o que pode permanecer.

O minimalismo não aparece apenas como preferência estética. Ele permite que as mudanças entre cabines, portos e hotéis ocasionais sejam realizadas sem transporte de grandes volumes. Dentro desse estilo de vida, cada objeto mantido precisa acompanhar os deslocamentos. Para Libby Rome, a vida no mar se tornou possível quando a mobilidade passou a valer mais do que a manutenção de objetos.

Custo de US$ 66 por dia depende de condições particulares

Libby Rome e seu marido.
imagem: de Libby Rome

Rome calcula que ela e o marido gastem, juntos, cerca de US$ 66 por dia, aproximadamente US$ 2 mil em um mês de 30 dias. Segundo sua descrição, essa quantia reúne a cabine, a alimentação, o transporte proporcionado pelo roteiro e parte do entretenimento disponível a bordo.

O valor não deve ser interpretado como tarifa fixa oferecida pelas companhias. Além do estilo de vida com poucas compras, o casal combina viagens consecutivas e utiliza benefícios de fidelidade para reduzir os gastos. Uma parcela dessas vantagens está ligada a programas promocionais de cassinos, atividade restrita a adultos e sujeita às regras de cada empresa.

Rome afirmou que, em determinadas reservas, esses benefícios reduziram o pagamento direto a taxas portuárias e impostos. Isso ajuda a explicar como o casal alcançou a média declarada, mas impede que os US$ 66 sejam tratados como custo automático para qualquer pessoa que decida morar em cruzeiros.

Despesas pessoais, internet, passagens até o porto, hotéis entre itinerários, serviços não incluídos e eventuais necessidades médicas podem alterar o total. A comparação com uma residência em terra também varia conforme cidade, padrão de consumo e tipo de cabine. O custo divulgado descreve a estratégia particular do casal, não uma promessa universal de moradia barata.

Trabalho remoto permitiu manter a renda durante as viagens

Libby Roma na Colômbia.
imagem: de Libby Rome

Antes de adotar os navios como residência, Libby Rome já trabalhava remotamente como consultora de tecnologia da informação. Essa independência geográfica possibilitou que ela continuasse assumindo funções profissionais enquanto mudava de país e permanecia em hotéis.

Nos cruzeiros, o trabalho remoto ajudou a financiar a nova rotina. A cabine e as áreas comuns passaram a dividir espaço com compromissos profissionais, enquanto a conexão à internet se tornou uma necessidade prática. O marido também mantinha atividades remotas, segundo o relato apresentado pela viajante.

Essa condição separa a experiência do casal de uma longa temporada convencional de férias. Embora os navios ofereçam entretenimento, alimentação e paradas turísticas, parte do tempo continua reservada ao trabalho e à organização das próximas etapas.

A possibilidade de exercer uma profissão a distância foi, portanto, tão importante quanto o minimalismo. A vida no mar só se sustentou porque renda, agenda e deslocamento puderam funcionar ao mesmo tempo.

Viagens consecutivas concentram a rotina na Europa

Grande parte dos itinerários escolhidos por Libby Rome ocorre na Europa, onde a filha do casal vive, na Holanda. A proximidade permite encaixar encontros familiares na agenda e reduz a distância entre os portos utilizados com maior frequência e um vínculo pessoal importante em terra.

As viagens consecutivas são organizadas para que o desembarque de um roteiro coincida com o início do seguinte. Quando a conexão funciona no mesmo navio, eles nem sempre precisam reorganizar a mochila. Quando existe um intervalo, passam uma ou duas noites em hotel antes do próximo embarque.

A escolha de apenas dois ou três navios por ano cria alguma familiaridade dentro de uma vida marcada pelo deslocamento. O casal pode rever espaços, tripulações e passageiros frequentes, mesmo enquanto os turistas ao redor mudam a cada novo roteiro.

Esse arranjo mostra que a vida no mar não ocorre sem planejamento. Reservas com meses de antecedência, compatibilidade de portos e intervalos entre embarques precisam ser administrados continuamente. As viagens consecutivas diminuem as interrupções, mas exigem que a próxima etapa esteja definida antes do fim da atual.

Rotina sem casa e carro mantém tarefas longe do cotidiano

Libby Rome afirma não possuir casa nem carro e destaca a ausência de diversas obrigações domésticas. Limpeza da cabine, preparação de grande parte das refeições e manutenção do espaço ficam integradas aos serviços do navio, reduzindo tarefas que ocupariam parte da semana em uma residência tradicional.

Quando não está trabalhando ou visitando os destinos, ela participa de atividades oferecidas a bordo, incluindo aulas de artes e artesanato. O marido valoriza especialmente a proximidade com a água e a possibilidade de observar paisagens diferentes durante as travessias.

A mudança de porto faz com que o casal acorde em outro país a cada poucos dias. Ainda assim, a experiência não significa conhecer profundamente todos os destinos: o tempo em terra é definido pelos horários do itinerário, e cada visita precisa se encaixar entre chegada e partida da embarcação.

O estilo de vida também troca a estabilidade de um endereço pela dependência de cronogramas comerciais. Alterações de rota, intervalos entre viagens e disponibilidade de cabines podem afetar a programação. A redução das tarefas domésticas vem acompanhada de uma rotina subordinada aos horários dos navios.

Passageiros frequentes formaram uma comunidade no mar

Depois de centenas de noites, Rome começou a encontrar repetidamente outros passageiros que também passam longos períodos em cruzeiros. Alguns participam de encontros organizados para hóspedes com maior número de viagens, criando um círculo social que reaparece em diferentes embarcações.

Essas relações ajudam a reduzir uma possível sensação de transitoriedade. Embora milhares de turistas embarquem e desembarquem, determinados viajantes permanecem no circuito por meses e se tornam rostos conhecidos. A comunidade não ocupa um bairro fixo, mas acompanha rotas e calendários semelhantes.

Para Libby Rome, conhecer pessoas com ampla experiência de viagem se tornou uma das partes relevantes da rotina. As conversas oferecem referências sobre outros lugares e reforçam o sentimento de pertencimento a um grupo que entende as particularidades do estilo de vida.

O casal também preserva vínculos familiares em terra, principalmente por meio da escolha de rotas europeias. A vida no mar não eliminou a convivência; ela reorganizou os encontros ao redor de portos, temporadas e viagens consecutivas.

Casal não planeja abandonar os cruzeiros tão cedo

Depois de mais de 900 noites, Libby Rome e o marido afirmam não ter intenção imediata de voltar a uma residência convencional. Ela associa a permanência à liberdade de acordar em lugares diferentes, enquanto ele destaca a experiência de viver cercado pela água e observar novas paisagens.

A trajetória, contudo, resulta de circunstâncias específicas: anos anteriores de nomadismo, profissões compatíveis com trabalho remoto, redução radical dos pertences, reservas conectadas e acesso a benefícios que diminuíram as tarifas. Retirar um desses elementos poderia alterar o custo e a viabilidade da rotina.

O caso mostra como uma viagem inicialmente experimental se transformou em moradia após a pandemia. Mais do que permanecer de férias, os dois reorganizaram trabalho, despesas, relações familiares e objetos pessoais em torno dos cruzeiros. A mochila representa a escolha de preservar mobilidade, enquanto os navios assumem temporariamente a função de casa.

Na sua opinião, viver mudando de país com poucas tarefas e quase nenhum bem compensaria a falta de endereço fixo e a dependência dos itinerários? Conte nos comentários qual aspecto dessa vida pesaria mais na sua decisão.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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